Tag: permacultura

  • HISTÓRICO DA PERMACULTURA

    HISTÓRICO DA PERMACULTURA

    Você pratica permacultura ?

    A palavra PERMACULTURA foi criada por Bill Mollison e David Holmgren, e significa muito mais do que uma junção das palavras permanente e agricultura. A palavra diz respeito a uma<strong> cultura permanente

    permaculturano-mundoCom valores, ideais, respeito e dignidade, utilizando  harmonicamente os elementos do meio ambiente para uma arquitetura, agricultura e cultura permanente. Bill Mollison preocupado com as questões referentes a redução dos recursos naturais em algumas regiões do planeta e em especial na Austrália começou a estudar sistemas de agriculturas sustentáveis no final da década de 1960.

    Junto com David Holmgren desenvolveu um modelo de agricultura sustentável baseado em policultivo, tendo os resultados publicados mais tarde, em 1978 com o livro Permacultura Um. A visão holística, multi e interdisciplinar misturando (biologia com arquitetura, agricultura com florestas e zootecnia), deixou muitos profissionais descontentes e contrários a tal modelo e os especialistas se sentiam incomodados com tais metodologias, por outro lado a opinião popular já era diferente e em muitos lugares já se discutiam modos de produção com base em sistemas ecológicos. Neste momento o próprio Mollison via a permacultura como uma associação de plantas e animais que visava apenas a subsistência e possivelmente uma iniciativa comercial.

    Com o passar do tempo outras estratégias foram envolvidas e outros objetivos como autofinanciamento e economia regional entraram no modelo permacultural. Nos fins da década de 1970 já haviam sido projetadas varias propriedades na Austrália se utilizando da visão e metodologia permacultural.
    Permacultura busca o planejamento e manutenção consciente de sistemas agrícolas produtivos que possam manter a diversidade, estabilidade e resistência de ecossistemas naturais.

    Procura integrar de forma harmoniosa, pessoas e paisagem focando alimento, abrigo e energia bem com outras necessidades. De forma mais resumida, são práticas agrícolas tradicionais aliadas a tecnologias atuais unindo conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar e o meio ambiente com sustentabilidade, atualmente utiliza também praticas para o meio urbano – Permacultura Urbana, como a otimização de pequenos espaços, redução de consumo, reciclagem e reutilização de resíduos domésticos. Prioriza redução do consumo energético, adequando nossos costumes e infra-estrutura para uma melhor utilização destes. Na permacultura acredita-se que ao participar da produção de alimentos, por menor que seja a escala já estaremos contribuindo para redução das grandes áreas agrícolas, além disso, estaremos criando uma atividade prazerosa, cuidar de uma pequena horta ou jardim, por exemplo. Uma grande vantagem da permacultura sob o aspecto humano é a interação entre os mais diversos profissionais na hora de pensar o projeto ou sistema seja para uma comunidade, sitio, fazenda, casa ou mesmo uma cidade, isso faz com que todos opinem no que diz respeito dentro da área que possui conhecimento e experiência, promovendo dessa forma uma grande troca de informações – visão holística. No inicio da década de 1980 os primeiros graduados em permacultura estavam atuando em projetos na Austrália.

  • HABITAÇÃO E BIOCONSTRUÇÃO

    HABITAÇÃO E BIOCONSTRUÇÃO

    bioconstrucaoEdificações – Habitações sustentáveis

    A permacultura trata das questões ligadas a abrigo, casa, estruturas de apoio, etc., da mesma maneira como outros fatores ou necessidades, sempre buscando maior eficiência.

    Para uma construção seguindo os padrões da permacultura, buscamos analisar as energias que entram no local e como estas poderão ser direcionadas a tornar mais eficientes nossas casas, galpões, oficinas, depósitos, armazéns e toda e qualquer edificação de que necessitarmos. Nossas edificações precisam de muitos serviços que podem ser aperfeiçoados com as influências naturais. A topografia, o clima, insolação, chuvas, ventos, vegetação local e qualquer outro fator natural devem ser levados em consideração.

    Estes aspectos determinam as larguras de nossas paredes, altura de pé direito, tipos de piso e altura destes em relação ao chão. Para uma edificação por menor que seja sua área a ser construída, existem alguns fatores a serem considerados. Também devemos observar as finalidades de cada edificação, pensando inclusive e principalmente quanto a auto-suficiência energética. Também devemos observar fatores sociais na hora de edificar, muitos trabalhos podem e devem ser desenvolvidos sob forma de mutirão para reduzir custos, passar conhecimentos e trocar experiências e mais ainda, sociabilizar grupos através de trabalhos coletivos.

    Na atualidade muitas são as residências que estão se tornando local de trabalho, isso devido ao desenvolvimento tecnológico e facilidades de comunicação, também como crescente mercado de serviços. Muitas pessoas e até família inteiras trabalham e residem na mesma estrutura física, ou seja, passam maior tempo nestes locais, dessa forma esse tempo deve ser o melhor possível, quanto conforto térmico e acústico, umidade do ar que respira-se em seus interiores. Os tipos de iluminação mais adequados e a tais locais e a atividades desenvolvidas. A forma de abastecimento de água, energia elétrica, energia térmica ou mecânica são importantes para o bom funcionamento da habitação.
    A interação da casa com jardins, sanitários compostáveis, banheiros para banho de verão, horta, acessos e outros elementos externos devem ser muito bem pensados. Podemos também anexar estruturas como estufas para melhor climatizar o ambiente e facilitar o trabalho de produção de mudas, estando esta mais próxima. Varandas feitas com trepadeiras e outras plantas podem substituir telhados convencionais. Áreas de serviços podem ter banheiros de verão ladeados por plantas aquáticas ou círculos de bananas, estas vão receber as águas cinza e poderão apoiar outras estruturas como horta ou estufa – nosso abrigo deve ter o maior número possível de conexões quanto a ciclagem de efluentes. Devemos posicionar nossas estruturas de maneira a aproveitar luz natural, brisas de verão, umidade, energia solar, etc. é importante lembrar que cada região tem suas características particulares e, estas devem ser levadas em consideração, não podemos utilizar determinada técnica, método ou matérias, simplesmente por temos visito isso em outra região e acharmos interessante ou esteticamente bonita.
    Muitas são as casa ou abrigos que foram construídas de forma convencional e sem levar em consideração tais fatores, neste caso pode-se fazer um planejamento para que algumas adaptações sejam realizadas de acordo com as necessidades de utilização a fim de aumentar a eficiência energética, melhorar conforto térmico e acústico, facilitar acessos entre outras. Devemos sempre respeitar aspectos inerentes a toda e qualquer obra, alguns “puxadinhos” acabam por comprometer a segurança estruturas.

    Ecoconstrução – conhecimento tradicional para construção do novo
    Há milhares de anos a humanidade construiu em terra crua. Esta, tão abundante em todos os continentes, sempre foi um dos principais materiais utilizados nas construções das primeiras habitações desde a Antiguidade. No Egito ou Mesopotâmia isso já ocorria de forma intensa. Na Europa as civilizações Romanas, na Ásia os Muçulmanos ou os Monges na China utilizavam a terra crua como matéria prima para erguer seus aglomerados habitacionais, assim surgindo os primeiros povoados. Com tal material as mais diversas civilizações antigas ergueram cidades inteiras – umas das primeiras que se tem registro histórico é Jericó, construída há séculos. Até hoje ainda existe continuidade na utilização deste material em construções nos diversos continentes ou regiões do planeta.

    Algumas técnicas

    Taipa de pilão
    A terra é compactada dentro de formas laterais de acordo com as medidas desejadas. Tal técnica já foi utilizada há séculos em inúmeras civilizações, comunidades e sociedades antigas, algumas até hoje mantém este tipo de construção, seja por ausência de poder econômico ou de material e até mesmo pela tradição de determinados povos que conseguiram manter sua cultura em alguns aspectos.
    Super adobe
    É uma técnica mais recente e propicia a construção de paredes portantes ou divisórias, estas ficam com espessura variando entre 45 cm e 60 cm, dependendo dos materiais utilizados, da função e do tipo de revestimento. Em virtude da utilização da terra o super adobe oferece melhor conforto térmico em relação a uso de materiais convencionais, além de maior economia.
    Tijolos de adobe
    Palavra Árabe ou Berbere – assimilada em espanhol e português, depois repassada as Américas onde foi adaptada para o inglês. Designa Tijolo de Terra Crua preparados em moldes e secos ao sol ou sombra, de preferência na sombra. Após ser produzido é utilizado de maneira clássica para erguer paredes, abóbadas ou cúpulas.
    Fardos de palha
    Material encontrado na natureza ou cultivado (como arroz, trigo, centeio, etc.). A palha depois de separada do grão pode ser devolvida ao meio natural na forma de composto ou canteiros instantâneos e ainda como cobertura morta para manter a umidade do solo. Também pode ser empregada na construção civil para construção de habitações humanas sob forma de fardos como se fossem tijolos gigantes.
    Ferrocimento
    A técnica do ferrocimento não é tão antiga como as algumas citadas neste trabalho, porém não menos importantes. Até hoje alguns veleiros antigo em atividade têm parte de sua estrutura nesta técnica. Consiste de uma armação de vergalhão em ferro, com malhas variadas revestidas de uma tela mais fina que pode ser de plástico ou de arame de aço, rebocada com argamassa a base de cimento e areia. É de fácil construção e pode ser construída em regime de mutirão e de rápida aprendizagem. Podem ser construídos reservatórios com formas ovais ou onduladas desde que não contenham cantos. A proporção deve ser de 2 / 1 nas paredes e 3 / 1 na base e tampa em caso de reservatórios.
    Telhado vivo
    Quando pensamos em coberturas e telhados nas mais diversas regiões do mundo, logo nos vem na cabeça as famosas telhas de argila queimada nos mais variados modelos e tamanhos. Também aquelas de amianto e cimento comuns em algumas regiões devido ao custo bem menor em relação às de barro e ainda, por não exigirem estruturas mais fortes de madeira ou ferro como as de barro. É possível pensar em todos estes fatores e reduzir custos da obra com um tipo de cobertura “viva” são os chamados Tetos Verdes ou de Grama ou ainda, Telhado Vivo.
    Rebocos naturais
    O reboco é a penúltima fase de uma parede, porém em alguns casos ele não é necessário – “paredes a vista”. Devem ser muito bem feitos para que possam ficar agradavelmente visíveis aos habitantes. Rebocos têm normalmente entre 0,5 cm e 2 cm, porém em alguns casos chegam a espessuras bem maiores. Quanto mais espesso for o revestimento, maior é a chance de rachaduras, e mais tempo de mão de obra. Existem inúmeros materiais que podem ser utilizados em rebocos naturais e na mais variadas misturas. Areia, argila, esterco, serragem, lodo de açude ou lagoa, leite, cactos, cal entre outros. Em cada tipo de técnica de para paredes, podem variar tanto os materiais como a espessura, textura, finalidade e modo de aplicação dos rebocos.
    Pinturas
    Em algumas culturas tradicionais as cores vivas são amplamente utilizadas, símbolos são desenhados. É possível tornar a habitação uma verdadeira vitrine de experimentos desde que bem executados. Ao preparar pinturas com cal deve-se observar as proporções para que a mistura fique fluída, normalmente aplica-se mais de uma demão a fim de conseguir uma melhor textura e tons de coloração, pinturas muito grossas costumam soltar com o tempo para isso temos que cuidar controlar para não haver excesso de material sólido.

     

  • PLANEJAMENTO PERMACULTURA

    PLANEJAMENTO PERMACULTURA

    planejamento-permaculturalClima e microclima
    Como já vimos o planeta esta se adequando quanto as suas necessidades climáticas assim, mais do que nunca precisamos analisar as questões climáticas para elaborar nossos projetos. O clima é um fator muito importante e pode ser limitador para diversidade em um ambiente.Cada região tem seus climas característicos predominantes, (secos, temperados, subtropical, úmido tropical, etc), mesmo assim podemos observar os microclimas. Estes estão relacionados a topografia, vegetação, tipos de solos entre outros. Uma estrutura bem posicionada pode criar um microclima favorável a determinadas plantas e climatização natural para ambientes internos.

    No Brasil existem vários biomas e ecossistemas com característica peculiares, isso nos motiva cada vês mais a pensar na questão de trabalhar microclima e aperfeiçoar pequenos espaços. Devemos analisar a constância e velocidade dos ventos, a umidade relativa do ar devido, influência de um rio.
    Os microclimas variam em propriedades vizinhas, por isso devemos observá-los a fim de posicionar melhor qualquer estrutura de que iremos necessitar. Também esta observação nos permitirá melhores plantios e colheitas mais fartas. Uma casa em região fria deve ser construída de maneira que o sol aqueça esta a maior parte do dia. Árvores que servem como quebra ventos podem também direcionar este para locais em que desejamos mais ventilação natural.

    Solo

    No sistema permacultural os solos são vistos como fator positivo e não limitante, em algumas regiões as metodologias aplicadas quanto ao manejo e uso de solo com técnicas da permacultura provaram ser ótimos para recuperar, melhorar e utilizar de forma mais sustentável tal recurso. Em zoneamento veremos que a zona I é selecionada com base em informações sobre o solo, para tal devemos construir a casa e colocar os elementos ligados diretamente a esta onde tiver o melhor solo do sitio, com isso o trabalho será adiantado e os resultados serão mais rápidos. As culturas e intensidade de uso do solo antes de nossa chegada também são informações muito importantes para nos auxiliar no planejamento. Um solo “limpo” ou que tenha sido durante muito tempo queimado necessita de cuidados especiais. Tal local é facilmente degradado pelo vento ou escorrimento superficial. No sistema permacultural três enfoques principais quanto às questões de uso do solo, isso interfere nas relações de perda deste.
    * Plantar florestas e arbustos com fins de reflorestamento – estas áreas depois poderão se tornar produtivas em alimentos se praticados métodos de Agroflorestas;
    * Utilizar sistemas de arados que não revirem o solo – nestes casos, animais podem ser utilizados, pois, além de arar estes também auxiliam na fertilização;
    * Estimular a biodiversidade no solo e cobertura morta – as minhocas são ótimas para arejar solos compactados.
    É preciso entender que algumas plantas que chamamos de invasoras estão preparando solos degradados para que outras espécies possam se fixar – sucessão ecológica. Os níveis que caracterizam um solo de qualidade dizem respeito à umidade, oxigênio, nutrientes e matéria orgânica. Ao pensarmos em reabilitação de solos devemos obserar alguns passos intervenções;
    Conter, evitar e corrigir erosão, corrigir e controlar os escorrimentos superficiais;
    Adicionar matéria orgânica ao solo com plantio de coberturas e adubação verde;
    Promover a aeração da terra compactada – para tal em determinadas situações utilizar maquinas em processos inicias;
    Corrigir solos e regular o pH através de plantas especificas, melhor que mudar o pH – solos ácidos (carvão, cal, gesso, magnesita) agem de forma lenta e eficiente. Solos alcalinos (fosfato acido e urina para potássio). Sangue, ossos, estercos e compostos ajudam a neutralizar o pH em qualquer tipo de solo.
    Nutrir o solo com minerais orgânicos – evitar fertilizantes sintéticos e/ou solúveis. Sementes podem ser peletizadas e pulverização foliar com biofertilizantes são idéias.
    Os resultados serão solos vivos e ricos em biodiversidade, capazes de receber água mais facilmente e conduzi-la para que as plantas se utilizem deste recurso.

    Vegetação

    As plantas da região, sua densidade e característica sazonais influenciam no microclima – florestas e matas nativas ou vinhas, plantações, arbustos cultivados influenciam no sitio, fazenda ou chácaras. Estas provocam transpiração, transferência de calor, sombreamento, proteção contra ventos, isolamento térmico, além de fornecer inúmeros outros produtos e serviços. Com a transpiração as plantas convertem água em vapor e umedecem o ar em sua volta propiciando melhores condições climáticas para todo o ambiente. Isso apóia a cultura de outras espécies com menos resistência a climas secos. Tal função é semelhante ao suor dos animais que esfriam seu corpo por meio deste. Podemos promover estas atividades com plantas de vários tamanhos de acordo com as necessidades do local, também e inclusive em ambientes internos é possível promover a transpiração e assim climatizar-los.
    Com as plantas sombreando um terreno este pode perder até 20% de sua temperatura estando protegido do sol em excesso. Devemos projetar nossas propriedades com plantas de acordo com a necessidade de mais ou menos luz e calor. Vegetação provem madeira para energia, construções e moveis, (esta deve ser maneja com cuidado). Possibilitam a produção de alimento com fontes de néctar para abelhas e de uma forma geral melhora a vida em volta do sitio. A forma como a vegetação cultivada estará disposta na fazenda depende das necessidades e características climáticas do terreno. As espécies da família das leguminosas entre outras operam no solo juntamente com organismos para fixar Nitrogênio. Este em abundância na atmosfera, transfere-se para o solo formando nódulos que vão ajudar outras espécies. Ao trabalharmos com espécies com tais funções estamos facilitando a recuperação da terra e diretamente. De forma positiva estamos interferindo nos processos para favorecer a sucessão ecológica.

    Topografia – localização

    Topografia se traduz mais simplesmente como sendo a forma da terra ou a maneira como o terreno se mostra através de planaltos, planícies, montanhas, serras, depressões ou outras denominações locais de cada região, significa até que ponto o terreno é plano ou ondulado. Mudar características topográficas na maioria das vezes é caro e altamente impactante e, mesmo as intervenções mais simples devem ser bem pensadas e planejadas para utilizar da melhor maneira possível as dobras do terreno, curvas de nível e outros aspectos.
    A topografia do local influência nos microclimas e esta pode ser benéfica dependendo do modo e nível de mudança que causamos no relevo do terreno. Uma terraplenagem em grande escala pode interferir de forma definitiva, ou levar anos para que o local volte a ter sua climatização natural de antes. A própria ciclagem de nutrientes é atrapalhada com terraplenagem extensa – nestes momentos são comuns vemos muita terra orgânica sendo entulhada e desperdiçada. Esta fará falta no momento de plantar no terreno em volta das estruturas. A topografia exerce papel importantíssimo na drenagem do local e podemos utilizar este aspecto para ter plantios mais produtivos e diversificados de acordo com este fluxo, seu ritmo e capacidade. Determina a profundidade dos solos e acesso a estes, também influência no consumo de energia com transporte dentro da propriedade e no próprio ritmo e intensidade de trabalho humano, animal ou mecanizado.

    Devemos observar se existem áreas suscetíveis a alagações ou erosão, bem como inclinações, elevações, gargantas ou montes rochosos, todos devem ser estudados e com a imaginação e criatividade do permacultor, estes fatores devem ser utilizados para promover a otimização do terreno. As direções são muito importantes (norte, sul, leste e oeste), influenciam de forma direta nas questões de climatização natural de estruturas.

    Estruturas, elementos – intervenções

    Já discutimos sobre os posicionamentos dos elementos e as conexões que podem haver ou ser estimuladas entre estes. Além disso, são inúmeros os elementos e as mais variadas funções. Muros, barrancos, treliças, cercas vivas, estufas podem atuar como produtores de alimento e auxiliares na climatização. Açudes e outros elementos armazenadores de água também produzem comida, reciclam nutrientes, fornecem matérias primas para produção de energia e protegem vida silvestre. Parreiras ou caramanchão podem ser construídos ao redor de habitações ou oficinas, podendo assim ser utilizados como área de trabalho ao ar livre, produzir alimentos e para lazer.
    Quebra ventos reduzem a velocidade deste e amortecem os efeitos que causam erosão, protegem plantações mais sensíveis, reduzindo perdas com sementes. Estes elementos atuam positivamente sobre a temperatura do ar e do solo aumentando a umidade. Além desses fatores e muitos outros protegem animais de tempestades, frio ou calor em excesso.

    Setorização

    Até o momento estivemos observando, analisando e buscando compreender inúmeros fatores sob diferentes aspectos visando entender todas as energias externas que tenham influência dentro do local como: luz solar, relevo, ventos, chuvas, riscos de catástrofes como: incêndios, enchentes, poluição atmosférica, chuvas ácidas, estas devido a centros urbanos próximos.
    Depois de observarmos as diversas possibilidades de interferência destes fatores, devemos planejar de maneira a utilizarmos tais energias em nosso favor, ou no caso de catástrofes, como nos protegermos delas ou minimizarmos seus efeitos. Para tal realizamos uma divisão da propriedade em setores, no centro deste colocamos nosso sítio, fazenda ou chácara e a partir dele planejamos a nossa volta e em todas as direções. Demarcamos nossos setores de acordo com as informações que coletamos. Exemplos: qual setor tem sol no inverno e no verão, onde estão os ventos predominantes, setor de risco de incêndio, onde podem ter corredeiras em caso de chuvas fortes e assim por diante. Nestes setores estarão nossos elementos, estruturas, plantios, abrigos, casa, acessos entre outros.

    Zoneamento

    Como vimos os setores são criados com base nas energias externas ao local, já o zoneamento trata das internas, nestes casos tem muita importância as atividades humanas, fluxos de nutrientes e movimento das águas. Devemos pensar e elaborar nosso projeto planejando a menor realização de trabalho possível, bem como o menor consumo de matérias, recursos e energias. Para isso a conexão entre os elementos é determinante. O que cada elemento vai produzir de trabalho, como e onde este produto de tal trabalho será consumido são exemplos do que pensar. A busca por maior eficiência energética possível, deve ser objetivo constante. As distâncias entre cada estrutura ou elemento são muito importantes para determinar resultados satisfatórios e eficientes.
    No projeto permacultural definimos seis (06) zonas básicas que dizem respeito a todo sítio e seus elementos. Lembrando sempre que quanto amor a área, maiores serão as necessidade para manutenção.

    Zona 0 – Este é o primeiro elemento a ser pensado – nossa casa, o centro do sistema, a partir do qual iniciamos o nosso trabalho, pondo a casa em ordem, esta, bem como a sua volta existem muitos espaços que podem se tornar produtivos. Peitorais de janelas, laterais de parede, o próprio teto (exemplo de telhado vivo). Toda a habitação pode ser planejada ou modificada para que seja mais eficiente na utilização de recursos e na produção de alimento. Além disto, estamos climatizando naturalmente os ambientes internos regulando a temperatura na habitação, além de utilizar os microclimas criados pela existência da própria estrutura.

    Zona 1 – Esta compreende a área mais próxima da casa, e de acordo com a necessidade de visitas diárias, é onde colocamos os elementos como: a horta, as ervas culinárias, jardins com policultivo para também produzir alimento, alguns animais de pequeno porte e árvores frutíferas de uso freqüente. Também é onde concentraremos a armazenagem de ferramentas e de alimentos, para utilização em longo prazo. Entendemos que a horta é um elemento essencial da Zona 1, pois funciona como base de sustentação da alimentação da família. Ela poderá ser manejada com o auxílio de animais que façam o trabalho de fertilização e controle de insetos. Nesta zona também incluímos elementos necessários à nossa sobrevivência: água potável, espaço para a produção de composto e uma área de serviço para apoiar a horta e cozinha.

    Zona 2 – Esta zona oferece apoio e proteção a primeira e poderá ficar um pouco mais distante da casa, nela estarão elementos que necessitam de manejo freqüente sem a intensidade, porem com menos intensidade que os da zona 1. Frutíferas de médio porte, galinhas e tanques pequenos de aqüicultura poderão fazer parte desta. Outros animais menores como patos, gansos, pombos, coelhos, codornas e outros de acordo com a região e suas características.

    Zona 3 – A zona 3 ficará mias distante da zona 0, podendo receber culturas com fins comercias as quais necessitam de espaços maiores, e que dispensam manejos diários. Sistemas de florestas de alimentos também poderão ser implantados. Animais de médio e grande porte, com rodízio de pastagens também são colocados nesta zona, os produtos terão fins geralmente comerciais: frutas, castanhas, cereais e grãos, tanques para peixes, pocilgas entre outros elementos essenciais à diversidade da produção.

    Zona 4 – Visitada raramente, nela poderemos incluir a produção de madeiras valiosas, açudes maiores e a produção de espécies silvestres comerciais. Em regiões de floresta, o extrativismo sustentável e o manejo florestal também poderão fazer parte desta Zona, bem como a recriação de florestas de alimentos em regiões que foram desmatadas.

    Zona 5 – Esta zona servira com objeto de pesquisa e só entraremos para aprender ou para uma coleta ocasional de sementes. É onde não interferimos, permitindo, assim, que exista o desenvolvimento natural da floresta. Sem esta Zona ficamos sem referência para a compreensão dos processos que tentamos incluir nas outras zonas.

    É importante incluir elementos de armazenamento e captação de água e nutrientes em todas as zonas, a partir do ponto mais elevado da propriedade.

     

  • PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    principios-da-permaculturaLocalização relativa e conexão entre os elementos

    Quanto à localização, cada elemento deve estar localizado próximo um do outro de acordo com a relação existente entre os mesmos, para que estes possam estar

    O essencial no planejamento ou desenho é a conexão dos elementos de como estes estão ligados entre si, ao contrário dos modelos convencionais de produção agrícola ou planejamento de comunidades urbanas ou rurais e elaboração de projetos.

    Para que cada elemento funcione de forma eficiente deve-se localizá-lo no lugar onde possa auxiliar outros e também ser beneficiado com produtos dos demais.
    Uma árvore pode alimentar uma galinha e ao mesmo tempo servir como abrigo, um açude deve estar acima da casa para que esta possa ser abastecida de água por gravidade, evitando assim o consumo de energia pela utilização de uma bomba, este mesmo açude pode servir como espelho de água levando luz para dentro de ambientes. Árvores podem servir como quebra ventos, porém sem sombrear a casa durante o inverno. Ao planejarmos devemos considerar a relação direta entres os elementos, para tanto precisamos ver características, necessidades e produtos. Algumas questões servem como base para o planejamento:

    • Que uso têm os produtos de certo elemento para as necessidades de outros;
    • Quais são as necessidades deste que serão supridas pelos outros;
    • De que forma este é incompatível com aquele;
    • De que forma este beneficia outras partes do sistema.

     Elementos e funções

    No projeto cada elemento deve ter o maior número de funções possíveis, por exemplo, um tanque serve para armazenar água, criar peixes e plantas aquáticas, refletir luz, controle contra incêndios, irrigação entre outras. As plantas também podem ser dispostas de maneira a atender várias funções, para isso devemos escolher espécies funcionais sempre que possível. Quebra-ventos podem ser constituídos por árvores que forneçam forragem, açucares néctar e pólen para abelhas, fixação de nitrogênio entre outros produtos e/u funções, outras pioneiras podem preparar o solo para as mais sensíveis e de crescimento mais lento. Uma estufa bem posicionada perto da casa pode climatizar-la por termosifonamento fazendo com que o ambiente fique aquecido durante o inverno e resfriado no verão juntamente com dutos de ventilação ligados ao lago já citado, este por sua vês irá umedecer ar do ambiente interno em época mais secas. A água proveniente do lavatório pode ser utilizada no sanitário, fazendo com esta tenha dupla função. Um fogão pode servir para cozinhar e aquecer água para banho, com um sistema de serpentina simples, porém funcional. Os estercos de suínos e bovinos, restos de alimentos e plantas aquáticas do açude podem ser utilizados como fonte de energia pela produção de biogás, bem como biofertilizantes para a lavoura entre outros exemplos.

    Importância das funções e os elementos

    Funções de relevante importância devem ser executadas por um maior número de elementos possíveis, assim como necessidades básicas como água, alimento e energia devem ser supridas por mais de uma fonte. Uma fazenda ou chácara deveria ter pastagens anuais e perenes para que o gado tenha diversidade e alternativas de alimentos. Em uma casa é bom que ter duas fontes de aquecimento de água (fogão a lenha e aquecedor solar). Sistemas de abastecimento de água por desnível podem gerar energia com micro-centrais.

    Planejamento energético e eficiente

    Para um planejamento energético eficiente também chamado de “econômico eficiente”, é necessário posicionar plantas, áreas para animais e estruturas de acordo com zona e setores, levando em consideração relevo, fatores climáticos, localização geográfica (nascer e por do sol, norte e sul) e demais elementos naturais do local. Existe porém exceções para fatores de mercado, acesso, ecossistemas alagáveis, banhados e condições de solos rochosos entre outros.

    Recursos biológicos

    No sistema permacultural os animais e plantas, são utilizados de maneira a aperfeiçoar o trabalho da fazenda ou sítio, tais sistemas biológicos fazem com que haja uma redução no consumo de energia quando localizados e utilizados de forma mais eficiente. Fornecem combustíveis, fertilizantes, serviço de aração do solo e ainda são controladores naturais de insetos evitando pesticidas e adubos sintéticos. Também fazem o controle de ervas invasoras, realizam ciclagem de nutrientes e corrigem o solo controlando exclusive problemas de erosão. Para acumulo de recursos biológicos em um sitio, deve haver cuidados especiais, pois se constituem em um investimento de longo prazo. Podemos utilizar esterco verde e plantas leguminosas no lugar de fertilizantes nitrogenados, ácidos ou solúveis. Animais substituem cortadores de grama reduzindo o consumo de energia (elétrica mecânica ou humana). As galinhas e porcos podem preparar o solo para receber as sementes, além de arar a terra já fertilizam com esterco.

    Ser permacultor não significa abrir mão de toda tecnologia existente, mas sim utilizar este de forma mais adequada e sustentável, conciliando a tecnologias, conhecimentos e modos ancestrais de respeito a terra. Nos sistemas permaculturais são aceitos equipamentos e ferramentas convencionais nos estágios iniciais de preparação do sitio a fim de acelerar os processos em locais muito degradados, porém sempre buscando a criação de sistemas biológicos sustentáveis.

     Ciclos energéticos

    Os ciclos energéticos no modelo convencional existente necessitam de grandes quantidades de energia para funcionarem, mesmo assim são deficientes, pois estão centrados no setor de transporte armazenagem e comércio, além disto, visa o acumulo de riqueza e para tal sofre manipulação a fim de garantir maior lucratividade financeira. Para conseguir “eficiência” e atender a demanda, são necessários grandes gastos com equipamentos e produtos sintéticos que só degradam cada vez mais o solo e o meio ambiente com um todo. Um bom projeto utiliza-se de energias naturais que entram no sistema com aquelas geradas no local garantindo um completo ciclo energético.
    A interação entre os mais diversos elementos aumenta a energia disponível no local, na permacultura não se busca apenas reciclar, mas também captar, armazenar e utilizar tudo que estiver disponível no ambiente.

    Sistemas intensivos em pequena escala

    Sistemas intensivos em pequena escala consistem na utilização de pequenas áreas da melhor forma possível no que diz respeito a funcionalidade e eficiência. Se não necessitamos mexer em um determinado espaço de terra o melhor que temos a fazer é deixá-lo em equilíbrio natural, pois estaremos evitando um desperdício de energia, tempo e trabalho, tal procedimento evita poluição e degradação, pois, se começarmos produzir trabalho desnecessário, estaremos gerando poluição. Buscamos a cooperação entre visinhos, amigos e trabalho em regime mutirão, e utilização dos recursos locais, assim como a distribuição de excedentes nas proximidades reduzindo os custos.
    É comum vermos terrenos urbanos cobertos com concretos e jardins artificiais enquanto no meio natural uma devastação desordenada para produzir alimentos que poderiam estar sendo plantados em terrenos nas cidades (permacultura urbana), ao mesmo tempo em que teríamos determinados alimentos no local, também seriam trabalhadas questões como microclima.

    Diversidade

    Um ambiente degradado é caracterizado principalmente pela redução de biodiversidade, haja vista que esta o mantém em equilíbrio. Neste aspecto incentivar a diversidade é fundamental na permacultura, pois teremos maiores chances de produzir diferentes variedades de alimentos, além de ter várias maneiras para recuperar o solo. Quanto a energias também teremos outras fontes. Na América latina existem experiências de pomares juntos com jardins na volta das casas em sistemas compactos e diversos com o consórcio de diferentes plantas com variedades de funções. Se tivermos apenas uma fonte proteica, por exemplo, e esta falhar teremos que buscar tal produto fora de nosso local, e isso com já foi comentado aumenta os custos e impactos negativos.

    Bordas – funções e efeitos

    Para entender melhor sobre padrões e bordas e suas relações com permacultura precisamos saber um pouco sobre ecologia e o que se discute em tal ciência. É muito importante o estudo desta que trata dos ecossistemas que podem ser definidos de forma resumida como, grupos de organismos e suas relações entre si e o meio. A interação dos elementos em um ambiente é básica e de suma importância para manter os ciclos de energias e dar continuidade à involução das empecíeis e evolução da vida. Neste caso entendemos que os seres humanos são partes integrantes do meio e não superior aos outros elementos que compõem paisagem.
    Ao projetarmos um local devemos levar em consideração os limites ou fronteiras existentes entre os meios ou elementos – a interfase entre o ar e a água, a linha da costa entre a terra e o mar, a área entre a floresta e o campo, a área entre os níveis que congelam e que não o congelam durante uma geada, são alguns exemplos do que chamamos de BORDAS. As bordas existem em qualquer local, onde espécies, climas, solos, limites naturais ou artificiais se encontrem e interajam ou propiciem alguma interação entre outros elementos.
    O efeito de borda propicia a diversidade no local, pois terá características de dois ecossistemas, com isso temos diferentes fontes de energia. Sendo assim, onde não existam bordas é possível criar-las com a localização dos elementos de forma a incentivar a diversidade e aumento de produtividade. Se há falta de água no local podemos construir açudes e tanques ou cacimbas. Em áreas muito planas construímos barreiras, canais, montes, ribanceiras, taipas, barrancos, pequenas ilhas dentro de lagos ou represas, por todo o terreno é possível criar elementos que sejam positivos para o ambiente, com isso estamos incentivando a formação de ecossistemas complexos e diversos.
    Por outro ponto de vista devemos projetar bordas conforme os padrões da natureza já que isso possibilita o melhor aproveitamento destas.

     

  • ÉTICA E PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    ÉTICA E PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    etica-na-permaculturaÉtica da Permacultura

    A permacultura adota um padrão ético específico buscando a sustentabilidade que passa obrigatoriamente por um repensar quanto aos hábitos e atitudes, bem como valores de

    A ética está focada em três pontos importantes:

    O cuidado com a terra

    O cuidado com a terra perpassa pelo respeito e a todas as estruturas vivas ou não, aos elementos que compõem nosso planeta, a atmosfera, os minerais, sistemas biológicos ou físico-químicos.

    Devemos valorizar tudo que nos cerca e ainda, nos incluirmos como elementos do sistema e não como organismo superior. Adotamos medidas que utilizem de forma benéfica os recursos necessários a nossa existência, protegendo e reabilitando o que está degradado buscando sempre a conservação e manutenção do todo para que os sistemas sejam permanentes. Caso não cuidemos da terra, estamos simplesmente destruindo nossa própria existência e a oportunidade das futuras gerações gozarem de tudo que estamos vivenciando.

    Cuidar das pessoas

    Está ligado diretamente ao cuidado com a terra, já que os seres humanos, pois somos componentes do sistema. A manutenção das necessidades básicas como alimento, abrigo, energia, educação, trabalho, lazer entre tantas outras que estamos habituados, é um ponto primordial na permacultura. Nossa espécie exerce muita influência no meio, pois podemos causar impactos consideráveis sejam eles negativos ou positivos, uma forma de garantir impactos benéficos é ter nossas necessidades básicas também garantidas com isso reduziremos o consumo dos recursos naturais não renováveis. Somos uma espécie que tem funções estratégicas, porém podem resultar em tragédias quando estamos em desequilíbrio com nos mesmos.

    Distribuição dos excedentes

    A permacultura trata de forma diferenciada os resultados excedentes da produção seja de alimento, energia ou serviços ou mesmo dinheiro. Sempre que projetamos um sistema de forma sustentável ele proverá as necessidades básicas, com isso a produtividade tende a aumentar. Adotamos uma ética que vise a distribuição destes buscando criar modelos comerciais alternativos que atendam seus princípios éticos.
    No modelo atual e convencional o acumulo de riquezas a custo da miséria de outros indivíduos leva a uma desestruturação da sociedade e dos assentamentos humanos bem como a degradação ambiental e insustentabilidade dos sistemas produtivos.

  • PERMACULTURA NO BRASIL

    PERMACULTURA NO BRASIL

    permacultura-no-brasilNo Brasil as primeiras iniciativas chegaram entre as décadas de 80 e 90. Muitas discussões sobre “quem” trouxe essa metodologia para nosso país têm causado grandes problemas e controvérsias, e mais uma vez, um ótimo trabalho tem sofrido perdas em função de pensamentos particulares e interesses pessoais e egocêntricos.

    Como já comentamos, os próprios criadores da Permacultura, mesmo em um país desenvolvido como a Austrália foram mal vistos, imaginemos isso em um país de coronéis, políticos corruptos e grandes fazendas/empresas.

    Atualmente muitas iniciativas já ocorrem no Brasil, algumas já institucionalizadas através de ONGs – foram criados institutos de Permacultura nos diferentes biomas e estes tem atuado como centros irradiadores com programas de cursos, vivencias, elaboração e execução de projetos. Mesmo com grandes diferenças entre os climas dos extremos sul e norte, centro-oeste, nordeste muitos trabalhos com comunidades nestes desde ribeirinhos, quilombolas, periferias urbanas, indígenas, agricultores familiar vem sendo realizados com sucesso, alguns mostram resultados muito positivos assim como nos mostra que a Permacultura deve ser adaptada a realidade local e sempre pode ser aperfeiçoada.

    Permacultura e as instituições / pesquisa / comunidades e pessoas
    O permacultor utiliza conhecimentos de muitas áreas para fazer sua análise e tomar suas decisões, é o contrario do que se ensina nas escolas e universidades convencionais, pois estas separam tudo através das “especializações”. As práticas permaculturais apresentam resultados satisfatórios, existem ainda projetos em fase implantação para criar sistemas realmente sustentáveis, em alguns destes foi provado que a permacultura serve muito bem como alternativa para recuperação de áreas degradadas além de torná-las produtivas (agroflorestas). Em vários países e em alguns destes, escolas resolveram incluir a permacultura em seus currículos nos diferentes níveis de formação, por exemplo, a Escola Agrotécnica Federal de Manaus, onde os técnicos têm um módulo de pelo menos 40 horas. Além disto, muitos projetos são desenvolvidos em parceria com várias instituições – privadas ou publicas, governamentais e da sociedade civil organizada, porém ainda existem muitas barreiras a serem vencidas. Merece ênfase sob aspecto humano a interação multi e interdisciplinar que a Permacultura propicia desde a elaboração, planejamento e execução de suas intervenções, atividades e ações junto às comunidades envolvidas.

     

     

  • PERMACULTURA NO MUNDO

    PERMACULTURA NO MUNDO

    permaculturano-mundoPor seus trabalhos com Permacultura, Bill Mollison recebeu inúmeros prêmios, sendo um destes o premio Nobel alternativo concedido pelo Parlamento Sueco. Também foi premiado em outros países como Alemanha, Grã-Bretanha e Republica do Vietnã.

    Muitas são as experiências que tem sido positivas com a aplicação da Permacultura em vários lugares no mundo além da Austrália, iniciativas em todos os continentes tem provado que o sistema é viável para diferentes povos e ecossistemas, mesmo com as mais diferentes culturas, e levando em consideração a realidade de cada lugar.Sempre com uma visão holística, trabalhando fatores sócio-ambientais, econômicos e sanitários para organizar comunidades realmente sustentáveis.

    A Permacultura já é reconhecida internacionalmente, em várias instituições de ensino superior. Na América do Sul e Latina muitas iniciativas foram realizadas a partir da década de 1990. Muitas iniciativas para projetos com os mais variados tipos de financiamentos para capacitação, publicações, congressos, vivencias e implantação de sistemas em todo o mundo através de empresas, ONGs e Governos. Muitos movimentos também adotaram a permacultura para o planejamento de ecovilas e comunidades.

    Ressaltamos infelizmente que há confusões quanto aos mais variados entendimentos da permacultura – um grande número de pessoas tem confundido a Permacultura com o fato de simplesmente morar em uma casa de terra, ou não consumir alimentos derivados de origem animal ou apenas usar um banheiro alternativo entre outros.

    Todas estas iniciativas são muito importantes e respeitáveis, porém é muito mais do que isto – acreditamos com nosso simples entendimento que é um sistema muito amplo para planejamento e implantação de assentamentos humanos urbanos e/ou rurais. De forma ruim e negativa muitas pessoas estão enxergando isso apenas como novo “filão” de mercado para vender projetos ecológicos – principalmente na área de habitação como “ECOVILAS, CONDOMINIOS ECOLOGICOS e ECO CASAS”.