Brilhante sequência de Quino, sobre como a sociedade de consumo moderna infuencia nos hábitos das crianças e da humanidade como um todo, de uma forma ou de outra.
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Uma questão cultural…
Desde menino ouço que os males que assolam o país são “uma questão cultural…”.
Certo… e a pergunta é: Como vamos ter uma população com cultura, quando a cultura no país está abandonada ?
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Comunicação Compassiva
A CNV nos orienta a rever a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros e a nós mesmos, focando nossa consciência no que estamos observando, sentindo, valorizando (necessitando) e pedindo. -

A MÚSICA DE BOB MARLEY
Através de sua música ele se tornou o maior símbolo da Jamaica: Bob Marley usou o reggae para cantar a liberdade, a paz e o amor. Com o sucesso mundial, ele ajudou a divulgar um movimento religioso que nasceu na ilha. O movimento Rastafári.
Ele conseguiu isso compondo boas canções que misturaram reggae e rock e viraram sucessos internacionais, e também ao abraçar o movimento político e religioso rastafári, defender o uso da maconha como forma de se aproximar de Deus (ou Jah, como os rastafáris chamam o Todo-Poderoso) e pregar contra a desigualdade social na Jamaica.

Como todo ídolo com algum envolvimento político que morre precocemente – no caso dele vítima de um câncer que não foi combatido a tempo por conta dos preceitos rastafáris -, não faltam teorias conspiratórias sobre o que aconteceu com Marley. Uma delas sustenta que o cantor e compositor jamaicano foi assassinado pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos por defender ideias esquerdistas. Mas, apesar de ser uma parte importante de sua vida, não foram as posições políticas de Marley – muitas delas reveladoras de uma visão pouco elaborada sobre os problemas jamaicanos – sua maior contribuição para o mundo, e sim suas canções.
Bob Marley foi o primeiro artista que nasceu e viveu num país pobre a fazer um estrondoso sucesso internacional e a influenciar vários artistas e gêneros no universo da cultura pop. Esse fato é mais do que suficiente para fazê-lo merecedor de toda a reverência que se tem por sua obra artística. Uma espécie de Bob Dylan tropical, ele fez canções de protesto baseadas nas sonoridades do rock e do reggae e tornou o ritmo jamaicano mundialmente conhecido e identificado com os movimentos de rebeldia jovem, a ponto de influenciar até o punk rock nos anos 70 e 80.
Como o reggae esteve intimamente associado à criação de uma identidade nacional pelo povo jamaicano, principalmente após a independência total do país em relação a Inglaterra nos anos 1960, a música de Bob Marley refletiu os principais temas que afligiam os jamaicanos, como a fome, a criminalidade urbana, a violência política, a brutalidade policial e a herança da escravidão. Conheça como foi a infância e a adolescência de Marley até ele ter seu talento musical descoberto:
Bob Marley e a invenção do reggae
Robert Nesta Marley nasceu em 6 de fevereiro de 1945 numa pequena vila no interior da Jamaica chamada Nine Miles. Filho de Norval Sinclair Marley, um administrador rural branco – que foi deserdado pela família por casar-se com uma mulher negra – e de Cedella Malcolm, filha de um próspero fazendeiro negro, Marley passou sua infância desfrutando da vida no campo nas terras da sua família em Nine Miles.
Seu pai abandonou sua mãe logo após o casamento e Marley praticamente não conviveu com ele, salvo por um breve período em que, quando era um pré-adolescente, Norval praticamente o sequestrou e o levou para morar em Kingston, capital da Jamaica. Fora isso, sua infância não teve grandes sobressaltos. Quando criança, ele conviveu bastante com seu avô materno que era chegado em temas místicos e tinha construído fama no interior do país por suas curas utilizando plantas medicinais. Foi nesse ambiente bucólico e com algumas pitadas de misticismo que o tímido e observador Marley começou a construir sua poética visão de mundo.
As coisas mudaram para valer quando ele teve de voltar a Kingston, desta vez levado por sua mãe. Eles ocuparam uma casa num conjunto popular subsidiado pelo governo na favela de Trench Town, uma das localidades mais pobres do país. Enquanto frequentava a escola local e aprendia o ofício de soldador, Marley entrou em contato com o ska, um gênero musical jamaicano que mistura música folclórica com jazz, rhythm’n’blues e ritmos africanos e caribenhos. Era início dos anos 60 e Marley começou a apreciar também o rock e a música negra norte-americana, como a das canções de Fats Domino. Com essas influências e uma guitarra improvisada, feita de bambu, fios de cobre e lata, ele começou a dar seus primeiros passos na música.
Ao deixar a pacata vida rural e se defrontar com a miséria, a violência e os sons da vida urbana em Kingston, Marley começou a formar na sua cabeça uma concepção musical inovadora que misturava o ska, o rock e o som negro norte-americano com letras que expressavam sua indignação com as injustiças ao seu redor. Os aforismos que aprendera com seu avô durante a infância inspiraram ele em sua primeira composição chamada de “Judge Not”, escrita em algum momento entre 1961 e 1962.
O talento de Marley já era notado por seus colegas. Um deles era Jimmy Cliff que conhecia o dono de uma loja de discos em Kingston chamado Leslie Kong, que às vezes atuava também como produtor dos grupos e artistas de ska. Kong levou Marley para o estúdio, onde gravaram “Judge Not”, uma balada agressiva, que se tornou o primeiro compacto lançado por Marley. A gravação serviu também para que um veterano músico jamaicano, Joe Higgs, descobrisse Marley e o colocasse junto com Peter Tosh, Bunny Livingstone, Junior Braithwaite e Beverly Kelso para formar um quinteto vocal nomeado “The Wailers”.
Em 1964, eles gravaram e lançaram um compacto com a canção “Simmer Down”, que rapidamente se tornou um sucesso em todo o país. Isso lhes rendeu um contrato de três anos com o selo do produtor Coxsone Dodd. Outros sucessos, como “Rude Boy”, prometiam bons rendimentos para os Wailers, mas eles receberam bem menos do que o esperado e em 1966 decidiram acabar com o grupo.
Marley partiu então para Newark, Delaware (EUA), onde sua mãe estava morando desde 1963. Lá trabalhou durante quase um ano em fábricas e outros trabalhos braçais. Em 1968, ao retornar para a Jamaica reuniu-se novamente com Peter Tosh e Bunny Livingstone para trazer o Wailers de volta. Desta vez, no entanto, por influência de sua esposa, a cantora Rita Anderson com quem havia se casado em 1966, Marley e a banda tornaram-se devotos do movimento rastafári. Nesse reencontro, o grupo começou a produzir uma nova sonoridade que alterava radicalmente o ritmo do ska e trazia para a música deles muitas influências do rock e da música negra dos Estados Unidos. Além disso, questões sociais e econômicas ganharam mais ênfase ainda em suas letras tornando as canções dos Wailers verdadeiros hinos de protesto na Jamaica. Nascia o reggae, um gênero que Marley tornaria popular no mundo inteiro nos anos seguintes.
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A HISTÓRIA DA MÚSICA
Podemos dizer que a “Música” é a arte de combinar os sons e o silêncio. Se pararmos para perceber os sons que estão a nossa volta, concluiremos que a música é parte integrante da nossa vida, ela é nossa criação quando cantamos, batucamos, acessamos algum streaming, ligamos um rádio ou TV.
Hoje a música se faz presente em todas as mídias, pois ela é uma linguagem de comunicação universal, é utilizada como forma de “sensibilizar” o outro para uma causa de terceiro, porém esta causa vai variar de acordo com a intenção de quem a pretende, seja ela para vender um produto, ajudar o próximo, para fins religiosos, para protestar, intensificar noticiário, etc.
A música existe e sempre existiu como produção cultural, pois de acordo com estudos científicos, desde que o ser humano começou a se organizar em tribos primitivas pela África, a música era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. Acredita-se que a música tenha surgido há 50.000 anos, onde as primeiras manifestações tenham sido feitas no continente africano, expandindo-se pelo mundo com o dispersar da raça humana pelo planeta. A música, ao ser produzida e/ou reproduzida, é influenciada diretamente pela organização sociocultural e econômica local, contando ainda com as características climáticas e o acesso tecnológico que envolvem toda a relação com a linguagem musical. A música possui a capacidade estética de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou nação. A música é uma linguagem local e global.
Na pré-história o ser humano já produzia uma forma de música que lhe era essencial, pois sua produção cultural constituída de utensílios para serem utilizados no dia-a-dia, não lhe bastava, era na arte que o ser humano encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos, e outras sensações que fugiam a razão. Diferentes fontes arqueológicas, em pinturas, gravuras e esculturas, apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos em ação, no entanto não é conhecida a forma como esses instrumentos musicais eram produzidos.
Das grandes civilizações do mundo antigo, foram encontrados vestígios da existência de instrumentos musicais em diferentes formas de documentos. Os sumérios, que tiveram o auge de sua cultura na bacia mesopotâmia a milhares de anos antes de Cristo, utilizavam em sua liturgia, hinos e cantos salmodiados, influenciando as culturas babilônica, caldéia, e judaica, que mais tarde se instalaram naquela região.
A cultura egípcia, por volta de 4.000 anos a.C., alcançou um nível elevado de expressão musical, pois era um território que preservava a agricultura e este costume levava às cerimônias religiosas, onde as pessoas batiam espécies de discos e paus uns contra os outros, utilizavam harpas, percussão, diferentes formas de flautas e também cantavam. Os sacerdotes treinavam os coros para os rituais sagrados nos grandes templos. Era costume militar a utilização de trompetes e tambores nas solenidades oficiais.
Na Ásia, a 3.000 a.C., a música se desenvolvia com expressividade nas culturas chinesa e indiana. Os chineses acreditavam no poder mágico da música, como um espelho fiel da ordem universal. A “cítara” era o instrumento mais utilizado pelos músicos chineses, este era formado por um conjunto de flautas e percussão. A música chinesa utilizava uma escala pentatônica (cinco sons). Já na Índia, por volta de 800 anos a.C., a música era considerada extremamente vital. Possuíam uma música sistematizada em tons e semitons, e não utilizavam notas musicais, cujo sistema denominava-se “ragas”, que permitiam o músico utilizar uma nota e exigia que omitisse outra.
A teoria musical só começou a ser elaborada no século V a.C., na Antiguidade Clássica. São poucas as peças musicais que ainda existem deste período, e a maioria são gregas. Na Grécia a representação musical era feita com letras do alfabeto, formando “tetracordes” (quatro sons) com essas letras. Foram os filósofos gregos que criaram a teoria mais elaborada para a linguagem musical na Antiguidade. Pitágoras acreditava que a música e a matemática formavam a chave para os segredos do mundo, que o universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos.
É de conhecimento histórico que os romanos se apropriaram da maioria das teorias e técnicas artísticas gregas e no âmbito da música não é diferente, mas nos deixaram de herança um instrumento denominado “trompete reto”, que eles chamavam de “tuba”. O uso do “hydraulis”, o primeiro órgão cujos tubos eram pressionado pela água, era freqüente.
Hoje é possível dividir a história da música em períodos específicos, principalmente quando pretendemos abordar a história da música ocidental, porém é preciso ficar claro que este processo de fragmentação da história não é tão simples, pois a passagem de um período para o outro é gradual, lento e com sobreposição. Por volta do século V, a igreja católica começava a dominar a Europa, investindo nas “Cruzadas Santas” e outras providências, que mais tarde veio denominar de “Idade das Trevas” (primeiro período da Idade Média) esse seu período de poder.
A Igreja, durante a Idade Média, ditou as regras culturais, sociais e políticas de toda a Europa, com isto interferindo na produção musical daquele momento. A música “monofônica” (que possui uma única linha melódica), sacra ou profana, é a mais antiga que conhecemos, é denominada de “Cantochão”, porém a música utilizada nas cerimônias católicas era o “canto gregoriano”. O canto gregoriano foi criado antes do nascimento de Jesus Cristo, pois ele era cantado nas sinagogas e países do Oriente Médio. Por volta do século VI a Igreja Cristã fez do canto gregoriano elemento essencial para o culto. O nome é uma homenagem ao Papa Gregório I (540-604), que fez uma coleção de peças cantadas e as publicou em dois livros: Antiphonarium e as Graduale Romanum. No século IX começa a se desenvolver o “Organum”, que são as primeiras músicas polifônicas com duas ou mais linhas melódicas. Mais tarde, no século XII, um grupo de compositores da Escola de Notre Dame reelaboraram novas partituras de Organum, tendo chegado até nós os nomes de dois compositores: Léonin e Pérotin. He also began the “Schola Cantorum” that gave great development to the Gregorian chant.
A música renascentista data do século XIV, período em que os artistas pretendiam compor uma música mais universal, buscando se distanciarem das práticas da igreja. Havia um encantamento pela sonoridade polifônica, pela possibilidade de variação melódica. A polifonia valorizava a técnica que era desenvolvida e aperfeiçoada, característica do Renascimento. Neste período, surgem as seguintes músicas vocais profanas: a “frótola”, o “Lied” alemão, o Villancico”, e o “Madrigal” italiano. O “Madrigal” é uma forma de composição que possui uma música para cada frase do texto, usando o contraponto e a imitação.
Os compositores escreviam madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim. O madrigal é para ser cantado por duas, três ou quatro pessoas. Um dos maiores compositores de madrigal elisabetano foi Thomas Weelkes.
Após a música renascentista, no século XVII, surgiu a “Música Barroca” e teve seu esplendor por todo o século XVIII. Era uma música de conteúdo dramático e muito elaborado. Neste período estava surgindo a ópera musical. Na França os principais compositores de ópera eram Lully, que trabalhava para Luis XIV, e Rameau. Na Itália, o compositor “Antonio Vivaldi” chega ao auge com suas obras barrocas, e na Inglaterra, “Haëndel” compõe vários gêneros de música, se dedicando ainda aos “oratórios” com brilhantismo. Na Alemanha, “Johann Sebastian Bach” torna-se o maior representante da música barroca.
A “Música Clássica” é o estilo posterior ao Barroco. O termo “clássico” deriva do latim “classicus”, que significa cidadão da mais alta classe. Este período da música é marcado pelas composições de Haydn, Mozart e Beethoven (em suas composições iniciais). Neste momento surgem diversas novidades, como a orquestra que toma forma e começa a ser valorizada. As composições para instrumentos, pela primeira vez na história da música, passam a ser mais importantes que as compostas para canto, surgindo a “música para piano”. A “Sonata”, que vem do verbo sonare (soar) é uma obra em diversos movimentos para um ou dois instrumentos. A “Sinfonia” significa soar em conjunto, uma espécie de sonata para orquestra. A sinfonia clássica é dividida em movimentos. Os músicos que aperfeiçoaram e enriqueceram a sinfonia clássica foram Haydn e Mozart. O “Concerto” é outra forma de composição surgida no período clássico, ele apresenta uma espécie de luta entre o solo instrumental e a orquestra. No período Clássico da música, os maiores compositores de Óperas foram Gluck e Mozart.
Enquanto os compositores clássicos buscavam um equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, os compositores do “Romantismo” pretendem maior liberdade da estrutura da forma e de concepção musical, valorizando a intensidade e o vigor da emoção, revelando os pensamentos e sentimentos mais profundos. É neste período que a emoção humana é demonstrada de forma extrema. O Romantismo inicia pela figura de Beethoven e passa por compositores como Chopin, Schumann, Wagner, Verdi, Tchaikovsky, R. Strauss, entre outros. O romantismo rendeu frutos na música, como o “Nacionalismo” musical, estilo pelo qual os compositores buscavam expressar de diversas maneiras os sentimentos de seu povo, estudando a cultura popular de seu país e aproveitando música folclórica em suas composições. A valsa do estilo vienense de Johann Strauss é um típico exemplo da música nacionalista.
O século XX é marcado por uma série de novas tendências e técnicas musicais, no entanto torna-se imprudente rotular criações que ainda encontra-se em curso. Porém algumas tendências e técnicas importantes já se estabeleceram no decorrer do século XX. São elas: Impressionismo, Nacionalismo do século XX, Influências jazzísticas, Politonalidade, Atonalidade, Expressionismo, Pontilhismo, Serialismo, Neoclassicismo, Microtonalidade, Música concreta, Música eletrônica, Serialismo total, e Música Aleatória. Isto sem contar na especificidade de cada cultura. Há também os músicos que criaram um estilo característico e pessoal, não se inserindo em classificações ou rótulos, restando-lhes apenas o adicional “tradicionalista”.
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MÚSICA E PSIQUE
Ao longo da evolução o som tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento dos organismos vivos. O som faz parte da criação, estamos imersos nos sons da natureza: vento, rumor do mar, trovões, ruídos da chuva. As diversas formas vida emitem seus sons, enriquecendo a sinfonia da natureza. O canto dos pássaros, por exemplo, tem servido de inspiração para músicos e poetas através dos tempos.No ambiente uterino o feto já é capaz de escutar sons a partir da 10ª semana de gestação. Os primeiros sons que ouvimos é o batimento cardíaco de nossa mãe, som ritmado que já nos faz nascer com a noção de ritmo. Não é por acaso que os primeiros instrumentos musicais inventados pela humanidade tenham sido os de percussão, e que até hoje esses instrumentos são utilizados para nos levar a um estado de transe regressivo, ou seja, uma regressão ao útero materno, aos primórdios da existência.
As primeiras verbalizações da criança, os “gu-gu da-dá”, cheias de ritmo, tempo, dinâmicas e interações em forma de brincadeiras, como bater palmas, são a base para o desenvolvimento da criança como ser social. Isso levou o neurocientista, Daniel Levitin, a levantar a hipótese de que a música teve um papel fundamental não só na organização da sociedade humana quanto no desenvolvimento do cérebro humano. No seu livro “This is your Brain in Music” (Esse é seu cérebro musical) – ainda não disponível em português, ele descreve a relação entre os diferentes componentes da música, tais como timbre, ritmo, harmonia, melodia, com a neuroanatomia, psicologia cognitiva, neuroquímica e evolução.
Ele afirma, inclusive, que a música é mais capaz que a linguagem para evocar sentimentos e emoções apontando para a capacidade que a música tem de ultrapassar os filtros criados pela linguagem. Em seu outro livro, “The World in Six Song: How the Musical Brain Create the Human Nature” (O Mundo em Seis Canções: Como o Cérebro Musical Criou a Natureza Humana) ele levanta a polêmica e não menos engenhosa idéia de que a música é um elemento crucial na identidade humana; que a música abriu o caminho para a construção da linguagem e criou condições para o desenvolvimento de projetos cooperativos.
Polêmicas à parte, é certo que a música é um fenômeno central na vida humana em todos os tempos e exerce uma poderosa influência sobre nossas funções vitais tanto físicas quanto emocionais. Há inúmeros estudos que demonstram esse fato, inclusive um estudo com bebês prematuros mantidos em incubadoras que apresentam melhora em seu estado de saúde geral (sinais vitais) ao serem expostos a uma audição de harpa. Esses estudos demonstram que a música tem a propriedade de afetar o nosso sistema nervoso de forma natural e espontânea, ativando determinadas funções vitais de acordo com suas características, inclusive atuando sobre os núcleos do Sistema Límbico (Cérebro Emocional) afetando nossas emoções.
A partir desse entendimento tem se desenvolvido uma nova disciplina chamada “Semântica Musical”, a qual pretende compreender as complexas inter-relações entre as combinações de sons e seus efeitos sobre a psique, em outras palavras, compreender a experiência musical humana. A música constitui-se de uma sintaxe de notas musicais ordenadas em determinasida disposição. É assim que a música se expressa chegando ao nosso sentido auditivo possibilitando um sentimento estético. A sintaxe é a ordem presente na música, o encadeamento de sons que se unem harmoniosa e melodicamente. A música é a arte de combinar sons de maneira agradável ao ouvido através da sensibilidade.
Em vista destas descobertas, outros estudiosos levantaram hipótese sobre a influência dos diferentes estilos musicais sobre nossas funções mentais. É sabido que certos tipos de música são capazes de desencadear sentimentos e emoções diversas, como vitalidade, pode, tranqüilidade, medo, alegria, tristeza, raiva, compaixão, amor, ódio, etc. Dependendo da forma como se combina os diferentes elementos musicais – ritmo, harmonia, melodia, tom, volume – podemos obter diferentes efeitos sobre nossa psique. Os diretores de cinema sabem muito bem disso e utilizam a música como elemento fundamental para dar o clima emocional de suas produções. Quem não sente medo, por exemplo, ao ouvir a trilha sonora de “Psicose” de Alfred Hitchcock ou um certo grau de pânico diante da música do filme “Tubarão”. Já outras músicas nos trazem a sensação de enlevo, paz e felicidade, tais como as trilhas sonoras dos desenhos animados de Walt Disney.

Uma das mais famosas tentativas de atribuir poderes especiais à música está a criação do chamado “Efeito Mozart”, que criou grande polêmica no final da década de 90 e continua até hoje criando adeptos e contestadores. O Efeito Mozart foi o termo cunhado por Alfred Tomatis, do Centro de Neuropsicologia da Univercidade da Califórnia, que realizou um estudo demonstrando que a audição de músicas de Mozart era capaz de acelerar o desenvolvimento cerebral de crianças com menos de três anos.
Outro estudo revelou que um grupo de estudantes do Departamento de Psicologia que ouviu a dez minutos da “Sonata para Dois Pianos em Ré Maior” de Mozart (K448) comparado ao o grupo que não ouviu, conseguiu notas mais altas em 9 a 10 pontos da tabela de QI. Esses estudos alimentaram a também polêmica iniciativa do governador do Estado da Geórgia, Zen Miller, que distribui um CD com músicas de Mozart a cada recém nascido. Posteriormente um outro autor, Don Campbell, publicou um livro intitulado “O Efeito Mozart”, que se tornou best seller (edição brasileira esgotada atualmente), afirmando não apenas as propriedades curativas da música de Mozart com de outros compositores.
Esse livro, popularizou ao conceito do Efeito Mozart, mas criou grandes resistências à pesquisa do tema no meio científico, pelo fato de as propriedades propaladas por Campbell não terem maior embasamento científico; Como consequência o assunto caiu no ostracismo científico até recentemente quando o neurobiólogo norte-americano, Gordon Shaw e seus colaboradores usaram aparelhos de ressonância magnética para mapear as áreas do cérebro que são ativadas pela música – ressonância magnética funcional. Perceberam através desse estudo que Percebeu-se então que, além do córtex auditivo, onde o cérebro processa os sons, a música também ativa partes associadas com a emoção e, com a música de Mozart, o cérebro todo se “acende”.
Independentemente das divergências científicas sobre o assunto, o efeito que a música causa em nosso estado emocional é um fato inegável, que faz parte da experiência empírica de todos nós. O que ainda não está definitivamente claro, é como se pode utilizar as propriedades da música de forma científica, seja para promover a saúde física e mental quanto como fator coadjuvante no tratamento de doenças físicas e mentais. Muitos estudos vem sendo conduzidos sobre esse tema e, em breve, teremos desdobramentos interessantes que irão jogar mais luz sobre esse tema tão interessante quanto polêmico. Isso não impede que uma outra disciplina não-médica, uma técnica de terapia complementar chamada Musicoterapia, vinculada à Arteterapia, continue se desenvolvendo e sendo aplicada em muitos ambientes com resultados muitas vezes animadores.
Musicoterapia, segundo definição da UBAM – União Brasileira de Associações de Musicoterapia, é a utilização da música e de seus elementos constituintes, ritmo, melodia e harmonia, por um musicoterapeuta, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender as necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A Musicoterapia busca desenvolver potenciais ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento. Algumas universidades brasileiras já oferecem cursos de Bacharelado em Musicoterapia.
Outra disciplina que vem apresentando desenvolvimento crescente, e que também se vale da música associada ao movimento, com objetivos semelhantes, é a Biodança, um sistema criado pelo antropólogo e psicólogo Chileno Rolando Toro. A Biodança é ensinada no mundo todo em Escolas de Formação de Facilitadores sob a estrita supervisão da Fundação Biocêntrica Internacional, fundada por Rolando Toro.
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A HISTÓRIA DO VIOLÃO
Sem sombra de dúvidas uma longa história que começou a ser descoberta há quase dois mil anos antes de cristo. Na antiga Babilônia arqueologistas encontraram placas de barro com figuras seminuas tocando instrumentos musicais, muitos deles similares ao violão atual (1900-1800 a.C). Um exame mais detalhado nos mostra que há diferenças significativas no corpo e no braço.O fundo é chato, portanto sem relação com o alaúde, de fundo côncavo. As cordas são pulsadas pela mão direita, mas o número de cordas não é preciso mas em algumas placas pelo menos duas cordas são visíveis. Indícios de instrumentos similares ao violão foram encontrados em cidades como Assíria, Susa e Luristan.
EGITO: O único instrumento de cordas pulsadas era a HARPA de formato côncavo que depois foi acrescentada de um braço com trastes cuidadosamente marcados e cordas feitas de tripa animal. Pouco tempo depois estas características se combinariam e evoluíram para um instrumento ainda mais próximo do violão.
ROMA: Instrumento totalmente de madeira surge (30 a.C-400 d.C) . O tampo que antes era de couro cru (semelhante ao banjo) agora é de madeira e possui cinco buracos. É importante frisar que nas catacumbas egípcias foram encontradas instrumentos com leves curvas características do violão.
O primeiro instrumento de cordas europeu, de origem medieval data de 300 anos depois de cristo, e possuía um corpo arredondado que se interligava com um braço de comprimento considerável. Este tipo de instrumento foi utilizado por muitos anos e foi o antepassado provavelmente da teorba.
Há também a descrição de outro instrumento datado da Dinastia Carolingian que pode ser de origem tanto alemã como francesa. Este instrumento possuía formato retangular e seu corpo era equivalente ao seu braço.
Em ilustrações pode se observar que na “mão ” do instrumento ( de formato arredondado) se encontravam de quatro e as vezes cinco tarraxas de afinação, com um número de cordas equivalente. Este instrumento manteve seu formato e suas definições até o século quatorze.
Paralelamente á este instrumento, outro começou a se desenvolver. Possuía leves curvas nas laterais do corpo tornando-o mais anatômico e confortável. Descrições deste instrumento foram encontradas em catedrais inglesas, espanholas e francesas datadas do fim do século quatorze. Surgia então a guitarra.
É importante frisar que haviam distinções, como a guitarra Latina e a guitarra Morisca. A guitarra Morisca , como o nome indica, tinha origem Moura, devido a colonização da Espanha e da África do Norte.
Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía vários furos ornamentados chamados de Rosetas. Era totalmente remanescente do Alaúde, e dentro deste conceito uma série de outros modelos, com diferentes números de cordas também existiam .
Já a guitarra Latina , tinha as curvas nas laterais do corpo que marcariam o desenho já quase definitivo do instrumento. A guitarra latina ( assim como a Morisca ) gozavam de grande popularidade e gosto na Europa Medieval.
Essa popularidade se devia principalmente a presença dos “Trovadores”, músicos de natureza nômade que com suas performances e constantes viagens enriqueceram a cultura européia e impulsionaram a popularidade e reconhecimento do instrumento.
Até a Idade Média as informações sobre a guitarra eram obtidas de maneira indireta na sua maioria, através de afrescos, pinturas e pequenas anotações da época. A partir do período Barroco, as informações sobre instrumentos em geral e sobre música são muito mais claras e precisas.
Embora não seja bem definida, pois existem segundo musicólogos várias teorias para o sua criação, originalmente apresentam-se duas, citadas por Emílio Pujol na sua conferência de nome “La guitarra y su História” que ocorreu em Paris no dia 9 de Novembro de 1928, onde resolveu que:
A primeira hipótese é de que o violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.
Teria chegado á península Ibérica por volta do século I d.C. com os romanos; este instrumento se assemelhava á “Lira” e, posteriormente foram acontecendo as seguintes transformações: os seus braços dispostos da forma da lira foram se unindo, formando uma caixa de ressonância, a qual foi acrescentado um braço de três cravelhas e três cordas, e a esse braço foram feitas divisões transversais (trastes) para que se pudesse obter de uma mesma corda a ser tocado na posição horizontal, com o que ficam estabelecidas as principais características do violão.
A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas, sob o comando de Tariz.
Os mouros islamizados do Maghreb penetraram na Espanha cerca de ( 711 ) e conseguiram vencer o rei visigodo Rodrigo, na batalha de Guadalete. A conquista da península ( 711-718 ), formou um emirado subordinado ao califado de Bagdá.
O Alaúde Árabe que penetrou na península na época das invasões, foi um instrumento que se adaptou perfeitamente á s atividades culturais da época e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da côrte. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha.
Isso pode-se comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão ( 1221-1284 ), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos convivendo juntos.
O primeiro era chamado de “Guitarra Moura” e era derivado do Alaúde Árabe. Este instrumento possuía três pares de cordas e era tocado com um plectro (espécie de palheta ); possuía um som ruidoso. O outro era chamado de “Guitarra Latina”, derivado da Khetara Grega.
Ele tinha o formato de oito com incrustações laterais, o fundo era plano e possuía quatro pares de cordas. Era tocado com os dedos e seu som era suave, sendo que o primeiro estava nas mãos de um instrumentista árabe e o segundo, de um instrumentista romano.
Isso mostra claramente as origens bem distintas dos instrumentos, uma árabe e a outra grega; que coexistiram nessa época na Espanha. Observa-se, portanto, como a origem e a evolução do Violão estiveram intimamente ligadas á Espanha e a sua história.
Como este instrumento passou a chamar-se “Violão”? Em outros países de língua não portuguesa o nome do Violão é guitarra, como pode se ver em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre), italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra).
Aqui no Brasil especificamente quando se fala em guitarra quer se denominar o instrumento elétrico chamado Guitarra Elétrica. Isso ocorre porque os portugueses possuem um instrumento que se assemelha muito ao Violão e que seria atualmente equivalente á nossa “Viola Caipira”.
A Viola portuguesa possui as mesmas formas e características do Violão, sendo apenas pouco menor, portanto, quando os portugueses se depararam com a guitarra (Espanhol), que era igual a sua viola sendo apenas maior, colocaram o nome do instrumento no aumentativo, ou seja, Viola para Violão.
O VIOLÃO NO BRASIL
A VIOLA, instrumento de dez cordas ou 5 cordas duplas, precursor do violão e popularíssima em Portugal, foi introduzida no Brasil pelos jesuítas portugueses, que a utilizavam na catequese. Já no século XVII, referências são feitas á viola em São Paulo, uma delas colhida por Mário de Andrade: “Em 1688 surge uma certa viola avaliada em dois mil réis, preço enorme para o tempo.
E, caso curioso, esta guitarra pertenceu a um dos mais notáveis bandeirantes do século XVII: Sebastião Paes de Barros.”
Ainda na mesma obra, Mário de Andrade cita Cornélio Pires, para quem a viola é um dos instrumentos que acompanha as danças populares de São Paulo. A confusão entre a viola e violão começa em meados do século XIX, quando a viola é usada com uma afinação própria do violão, isto é, lá, ré, sol, si, mi.
A confusão no uso do termo viola/violão, continua nessa época como atesta Manuel Antônio de Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com terminologia da época do final da colônia, á viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as modinhas.
A viola, hoje, tornou-se a viola-caipira, instrumento típico do interior do país, e o violão, depois de ter sua forma atual estabelecida no final do século XIX, tornou-se um instrumento essencialmente urbano no Brasil. O violão também tornou-se o instrumento favorito para o acompanhamento da voz, como no caso das modinhas, e, na música instrumental, juntamente com a flauta e o cavaquinho, formou a base do conjunto do choro.
Por ser usado basicamente na música popular e pelo povo, o violão adquiriu má fama, instrumento de boêmios, presente entre seresteiros, chorões, tornandos-se sinônimo de vagabundagem. Assim o violão foi considerado durante anos. Os primeiros a cultivar o instrumento de uma maneira séria foram considerados verdadeiros heróis.
O engenheiro Clementino Lisboa foi o primeiro a se apresentar em público tocando violão, especialmente no Clube Mozart, o centro musical da elite carioca fin-de-siècle. Ainda algumas figuras proeminentes da sociedade carioca dedicaram-se ao instrumento na tentativa de reerguê-lo, tal é o caso do desembargador Itabaiana, do escritor Melo Morais e dos professores Ernani Figueiredo e Alfredo Imenes.
Um dos precursores do violão moderno no Brasil foi Joaquim Santos (1873-1935) ou Quincas Laranjeiras, fundador da revista O Violão em 1928, e que nos últimos anos de vida dedicou-se a ensinar o violão pelo método de Tárrega.
Uns anos antes, 1917, Augustin Barrios se apresenta em uma série de recitais no Rio de Janeiro, tocando o instrumento de uma forma nunca vista/ouvida antes. Segue-se a tournée de Josefina Robledo, que tendo permanecido aqui por algum tempo, estabelece os fundamentos da escola de Tárrega.
Dessa época destaca-se a agora reconhecida obra de João Teixeira Guimarães (1883-1947) ou João Pernambuco, sobre quem Villa-Lobos dizia, a respeito de suas obras: “Bach não teria vergonha de assiná-las como suas.”
Atualmente a obra de João Pernambuco é bem conhecida graças ao trabalho de Turíbio Santos e Henrique Pinto.
Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), o Garoto, foi um dos precursores da bossa-nova. Atualmente as excelentes obras de Garoto ganharam vida nova, graças a Paulo Bellinati, que recuperou, editou e gravou boa parte de sua obra.
Mencionamos o samba-exaltação Lamentos do Morro, os choros Tristezas de um violão, Sinal dos Tempos, Jorge do Fusa e Enigma, e a Debussyana, entre tantas outras. Ainda na linha da música popular destacam-se Américo Jacomino (1916-1977), Nicanor Teixeira, e mais recentemente a figura de Egberto Gismonti com suas obras Central Guitare e Variations pour Guitare (1970), ambas de caráter experimental.
Também Paulo Bellinati realiza excelente trabalho como compositor, obras como Jongo, Um Amor de Valsa e Valsa Brilhante já ganharam notoriedade.
O violão no Brasil passou a se desenvolver, principalmente, em dois grandes centros, Rio e São Paulo, de onde vem a maioria dos grandes violonistas brasileiros, que tiveram ou têm sua formação instrumental com os professores destas cidades.
Em São Paulo, o excepcional trabalho desenvolvido pelo violonista uruguaio Isaías Savio (1900-1977), que teve sua formação violonística com Miguel Llobet, resultou em uma das melhores escolas de violonistas da América do Sul.
Depois de residir na Argentina, Savio radicou-se definitivamente no Brasil, primeiro no Rio, depois em São Paulo. Nesta cidade, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho, fundou a Associação Cultural Violonística Brasileira, e em 1947 tornou-se professor de violão do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, como fundador da cadeira de violão, a primeira do país.
Ainda em 1951, participou da fundação da Associação Cultural de Violão de São Paulo. Além desta intensa atividade, Savio se distinguiu pela composição de mais de 100 obras para o instrumento e cerca de 300 transcrições e revisões.
Hoje em dia suas compilações de estudos ainda são usadas em muitas escolas por todo o país.
Entre os discípulos de Savio que mais se destacaram está Antonio Carlos Barbosa-Lima (1944), que aos 13 anos estreou como concertista e aos 14 gravou seu primeiro LP.
Barbosa-Lima é na atualidade um dos mais conceituados violonistas, tanto em concertos, como na edição, transcrição e comissão de novas obras para o instrumento. Basta dizer que a Sonata op. 47 de Alberto Ginastera foi por ele comissionada e a ele dedicada.
Henrique Pinto, também aluno de Savio, é reconhecidamente um dos mais importantes pedagogos do instrumento na atualidade. Além de desenvolver uma grande atividade como editor e revisor de obras para violão, Henrique é o responsável por uma geração dos melhores violonistas brasileiros. Entre estes estão: Angela Muner, Jácomo Bartoloni, Edelton Gloeden, Ewerton Gloeden e Paulo Porto Alegre.
Ainda de São Paulo devemos citar a Manoel São Marcos e sua filha Maria Lívia São Marcos, radicada na Europa, e Pedro Cameron, também compositor de excelentes obras como Repentes, vencedora do 1º Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para piano ou violão – 1978.
No Rio, destaca-se a figura de Antonio Rebelo (1902-1965), que também foi aluno de Savio quando da residência deste no Rio. Rebelo desenvolveu atividades como docente, impulsionando o violão na cena musical.
Entre seus discípulos estão Jodacil Damasceno, Turíbio Santos, Sérgio e Eduardo Abreu. Jodacil Damasceno (1929), além dos estudos com Rebelo, estudou com Oscar Cáceres.
Turíbio Santos (1943), também estudou com estes dois mestres e com Julian Bream e Andrés Segóvia. Santos foi o primeiro brasileiro a vencer, em 1965, o Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F., em Paris. Fez a primeira gravação integral dos doze Estudos de Villa-Lobos e participou da estréia mundial do Sexteto Místico, também de Villa-Lobos.
Turíbio é um dos maiores divulgadores da obra do grande compositor brasileiro e hoje dirige o Museu Villa-Lobos no Rio.
Os irmãos Abreu, Sérgio (1948) e Eduardo (1949), desenvolveram uma das mais brilhantes carreiras de concertistas internacionais. Ambos estudaram com seu avô Antonio Rebelo e com Adolfina Raitzin de Távora.
Foram premiados, em 1967, no Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F.. Realizaram inúmeras gravações na Inglaterra, e se destacaram como um dos melhores duos de violão de todos os tempos.
Atualmente, Sérgio dedica-se á construção de violões. Ainda devemos mencionar outros violonistas cariocas como Léo Soares, Nicolas Barros, Marcelo Kayath, também premiado em Paris, e o brilhante Duo Assad, formado pelos irmãos Sérgio e Odair.
A música brasileira para violão tem se desenvolvido, praticamente, á sombra da excepcional, embora pequena, obra de Villa-Lobos, que continua sendo a mais conhecida nos meios violonísticos nacionais e internacionais. Alguns compositores tentaram reprisar o sucesso dos 12 estudos.
Este é o caso de Francisco Mignone (1897-1986), que com sua série de 12 Estudos (1970), dedicados e gravados por Barbosa-Lima, não obteve o sucesso musical almejado.
Já o mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca (1943), compôs Seven Brazilian Etudes (1972), também dedicados a Barbosa-Lima, nos quais demonstra um nacionalismo e lirismo da mais pura escola nacionalista.
O compositor paulista Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), uma das figuras mais proeminentes da música brasileira escreveu pouco, mas bem, para violão. O Ponteio (1944), dedicada e estreada por Abel Carlevaro, a Valsa-Choro e os três pequenos Estudos, apresentam-se com uma linguagem mais livre da influência da obra violonística de Villa-Lobos.
Mais original quanto a sua linguagem musical é a obra de Radamés Gnatalli (1906-1988).
A forte ligação de Gnatalli á música popular brasileira é claramente visível em várias de suas obras que misturam a música urbana carioca a uma refinada técnica e musicalidade.
Das suas obras para violão, destacam-se os vários concertos para violão e suíte Retratos para dois violões, Sonata para violoncelo e violão e a Sonatina para violão e cravo, além da inclusão do violão em várias obras para grupo instrumental de caráter regionalista.
Edino Krieger (1928) compôs uma das mais importantes obras para o repertório dos últimos tempos. A Ritmata (1975), dedicada a Turíbio Santos, explora novos efeitos instrumentais e associa uma linguagem atonal a procedimentos técnicos utilizados por Villa-Lobos.
A obra de Almeida Prado (1943) Livro para seis cordas (1974) apresenta uma concepção musical originalíssima livre de qualquer influência violonística tradicional e que delineia bem o estilo deste compositor; esta obra ainda apresenta certas semelhanças com as Cartas Celestes (1974) para piano quanto á sua concepção sonora.
Marlos Nobre (1939) tem na série Momentos a sua obra mais importante para violão. Escrita a pedido de Turíbio Santos e projetada para 12 números, os primeiros quatro foram escritos entre 1974 e 1982.
Ainda de Nobre destaca-se a Homenagem a Villa-Lobos e Prólogo e Toccata op. 65. Para dois violões, Marlos Nobre recriou 3 Ciclos Nordestinos dos originais para piano, ótimas obras miniaturas que utilizam motivos do folclore nordestino.
Ricardo Tacuchian (1939) escreveu Lúdica I (1981), dedicada a Turíbio Santos, em que apresenta uma linguagem contemporânea com toques de nacionalismo e efeitos sonoros os mais diversos.
A sua Lúdica II (1984), escrita em homenagem a Hans J. Koellreutter, é uma obra mais tradicional quanto á sua concepção sonora. Jorge Antunes (1942) escreveu Sighs (1976), na qual o autos requer uma afinação especial para o segundo movimento, uma invenção em torno da nota si.
Lina Pires de Campos escreveu o excelente Ponteio e Toccatina (1978), obra premiada no 1º Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para Piano ou Violão – 1978.
Deste mesmo evento surgiram novas obras, como o já mencionado repentes de Pedro Cameron, a Suíte Quadrada de Nestor de Holanda Cavalcanti e o ótima Verdades de Márcio Cortes.
Ainda cabe aqui mencionar a obra do boliviano, radicado e ligado a Curitiba e ao Brasil durante anos, Jaime Zenamon (1953), dono de uma excelente e prolífica produção para o instrumento que tem sido extremamente bem aceita nos meios violonísticos internacionais.
Entre suas obras destacam-se Reflexões 7, Demian, The Black Widow, Iguaçu para violão e orquestra, Reflexões 6 para violoncelo e violão, e a Sonatina Andina para dois violões.
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BLUES AS RAÍZES NEGRAS NA CULTURA
O Blues nasceu como a voz dos escravos dos campos de algodão do sul dos Estados Unidos. Eles cantavam durante os trabalhos nas plantações para aliviar a dureza do trabalho e também como distração.Comparado ao banzo africano, ou seja, o sentimento de nostalgia mortal dos negros da África, quando cativos ou ausentes do seu país, pode ser considerado o modo mais viável para que os ex-escravos pudessem gritar seus sentimentos e fazer disso um modo de resistência, visto que, mesmo libertos, sofreram da mesma marginalidade social.
Enquanto os escravos negros realizavam seus trabalhos cantando e buscando alívio para suas emoções, os senhores brancos notavam um ponto prático positivo das work-songs(canções de trabalho). Para os fazendeiros, essas canções ajudavam a imprimir um ritmo ao trabalho no campo e deixavam os escravos mais alegres, de modo que conforto os acalmava e os fazia produzir mais.
A partir da década de 1860, os spirituals – canções religiosas cantadas pelos negros africanos desde sua chegada à América – sofreram uma mutação até então fundamental para a formação de novos estilos de música como o gospel: além de apelar para Deus, os escravos começaram a curar suas dores de amor através da música. Nas igrejas os negros tentavam passar a dura realidade e faziam cânticos que muito lembravam as work-songs, daí deu a origem ao estilo de música gospel. Esse estilo, a princípio foi criado com a ideia de catequizar o negro.
Após a escravidão, os negros migravam para as cidades do norte a fim de se livrar da pobreza e do preconceito. Buscavam um futuro diferente daquele que, no sul, parecia reservado a todos os negros: miséria, discriminação e marginalidade.
No final do século XIX, a alta taxa de natalidade provocada pela emancipação dos escravos proporcionou outros tipos de trabalho aos negros. Muitos deixaram o campo e partiram para a periferia das grandes cidades do sul, como Chicago, Memphis e a região do Delta do rio Mississipi, nos estados de Arkansas, Tennessee, Alabama, Luisiana e Mississipi, para trabalhar nas primeiras metalúrgicas e refinarias do país ou em canteiros de obras.O Blues é considerado não só um lamento (um jeito de expressar através da música seus sentimentos e desabafar),mas também servindo de protesto para osandarilhos das estradas, já que muitos eram descendentes de escravos e até mesmo escravos recém-libertos.
Hoje pode-se ver nas ruas, praças, e até mesmo em bares alguns cantores de Blues pondo o seu tradicionalismo (cantando como os antigos músicos de Blues cantavam) nas ruas, indo de esquina a esquina expressando-se com seu talento e improviso, usando não só a guitarra elétrica e o violão dos tempos modernos, mas também com a gaita e suas vozes.
Criado no século passado, esse gênero musical tomou sua forma final somente a partir de 1900. As primeiras gravações datam dos anos de 1910. Mas o Blues esperaria um pouco mais para florescer graças ao talento de Bessie Smith, Big Bill Broonzy, Muddy Waters, Otis Spann, Bo Diddley, B.B. King, Lowell Fulson, John Lee Hooker, Howlin, Wolf, Sonny Boy Williamson, Memphis Slim e Buddy Guy.
A transgressão não estava somente na conotação amorosa e sexual das letras do Blues. O formato musical, o estilo, a expressão inserida nas letras e na melodia também marcou uma ruptura. Com o fim de guerra civil americana e a consequente libertação dos escravos, os negros se sentiram mais livres e em alguns casos se tornaram agricultores de suas próprias terras. O que antes era entoado em coro como work-songdeu lugar a um cultivador solitário, guiando sua mula, puxando seu arado e improvisando cantos.
Normalmente os songsters, ou cantadores, passavam de vila em vila cantando e improvisando suas canções e trazendo nelas problemas da lei, uma traição amorosa, experiências marcantes vividas com sofrimento sendo alguns cegos, assim seu principal meio de expressão e de chamar atenção das pessoas era propriamente o Blues, fazendo-as se sentirem comovidas com o sofrimento e a necessidade da pessoa cega e ajudando-a com esmolas. Porém com a época do aparecimento do proletariado começou a sair a figura de songster. Inicialmente a preferência de instrumentos musicais para a música era banjo e violino. Posteriormente, estes instrumentos foram substituídos por uma guitarra leve, prática e barata, muito mais completa que o violino e muito mais prática que o banjo.
Mesmo assim, o Blues somente em 1910 começou a ser gravado em estúdios musicais tendo como intuito passar à sociedade tanto o seu sofrimento – do próprio cantador – quanto o da sociedade em geral,assim tentando levar as pessoas à pensarem, refletirem e prestarem a atenção na tão perturbada vida americana.
Enquanto depois da liberdade da escravidão americana, os negros se acostumando com a vida de liberdade sofriam frequentemente com preconceitos(tais como o racismo) e desconsiderações no mercado de trabalho. Para um de seus consolos alguns negros libertos buscavam a fé como refúgio e conforto, tornando alguns a serem pastores.
E foi assim que em algum lugar do século XX do agricultor solitário compondo e improvisando suas cantigas,do cantor pré-conceituado e vítima de racismos e dos pastores inflamando seus fiéis seguidores com cânticos de louvores surgiu o Blues. Este já teve grandes mestres como B.B. King, Albert King, Stevie Ray Vaughan, Chuck Berry, etc. É impossível mencionar todos, mas existem vários Bluesmen que participaram da história do blues desde suas origens:
Big Bill Broonzy (1893-1958) – Um dos primeiros artistas do blues clássico, foi o bluesman de maior sucesso nos anos 30.
Sonny Boy Williamson (1899-1965) – Adotou o nome com a morte do primeiro Sonny Boy, e só emplacou por conta de seu talento na harmônica.
WillieDixon – Compositor, cantor, baixista e guitarrista, foi talvez a figura mais importante na chamada era clássica do blues urbano de Chicago.Otis Spann (1930-70) – Pianista que, juntamente com Waters e LittleWalter, foi um dos criadores do blues de Chicago do pós-guerra.
Muddy Waters (1915-83) – O maior artista do gênero entre a era clássica de Robert Johnson e a de B.B. King. Mestre da slideguitar (uma forma de tocar guitarra, em que se utiliza, atualmente, um pequeno tubo ôco chamado Bottleneck, de metal, originalmente o gargalo de uma garrafa, para alterar o tom em que se toca, deslizando esse tubo pelas cordas da guitarra).Manteve a crueza do blues rural mesmo quando adaptou a guitarra elétrica.
Memphis Slim – Pianista que migrou do estilo R&B para o folk-blues com muito sucesso.Lowell Fulson – Figura de conexão entre o blues clássico e o R&B, guitarrista que alinha tradição a novos estilos.
John Lee Hooker – Um dos grandes intérpretes da onda dos anos 60,este guitarrista faz um blues bem tradicional com sua interpretação econômica e sarcástica.
Howlin’ Wolf (1910-76) – O principal rival de Waters nos anos 50, seu jeito de gritar o blues fez sua exclusividade e tornava suas performances inesquecíveis.
Buddy Guy – Showman da guitarra revitalizou o gênero nos anos 60.
Bo Diddley – Precursor da batida do rock, esse guitarrista faz um rhythm’n’blues cheio de swing e animação.
Bessie Smith (1894-1937) – A maior de todas as cantoras de blues, chamada a “Imperatriz do Blues”, por suas interpretações sinceras e cheias de emoção. Sendo ela que gravou pela primeira vez um disco blues. -

MUSICOTERAPIA
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDA/H, catalogado sob CID-10) é um transtorno neurobiológico de origem genética e suas características são distração, impulsividade e hiperatividade. A criança/adolescente em idade escolar com TDA/H é aquela que, além do normal para a idade, tumultua o ambiente, tem dificuldades em obedecer, tem problemas de auto-estima e é solitária.O seu rendimento escolar é baixo mesmo sendo inteligente, pois não consegue “parar” para aprender. A música, por meio de técnicas da musicoterapia, tem sido usada como auxiliar nesses transtornos, por prescindir de palavras. A presente pesquisa realizou atividades musicais com 6 alunos portadores de TDA/H durante 6 meses, procurando levá-los a uma nova tomada de consciência por meio do fazer musical, com foco em: precisão rítmica, treino de melodias em grupo de modo a estimular a integração entre os alunos, atenção à diversidade de timbres dos instrumentos, audição orientada para musicas variadas.
Os encontros musicais serviam como terapia alternativa àquelas tradicionais para hiperativos e, além de sensibilizá-los musicalmente, procurou-se fazê-los perceber que a disciplina conseguida poderia ser estendida a outras situações da vida principalmente na escola, melhorando o seu rendimento escolar.
INTRODUÇÃO
Um dos desafios da vida escolar, tanto para quem ensina como para quem aprende, é a chamada hiperatividade: alunos que não conseguem ficar quietos e tumultuam o ambiente, prejudicando a sua aprendizagem e a da turma. A partir da vivência com alunos hiperativos, percebeu-se a possibilidade da utilização da música com fins terapêuticos, centrada no auxílio à aprendizagem.
As técnicas musicoterápicas utilizadas combinam o agir-fazer musical com a terapia, pois tal como é definido pela literatura, o campo de atuação da musicoterapia envolve a combinação dinâmica de muitas disciplinas destas duas áreas do conhecimento, que devem misturar-se para chegar-se a um objetivo profissional (BRUSCIA, 2000). Tem-se, de um lado, o fazer musical consciente e competente, com a devida noção do poder da música sobre os indivíduos, e por outro, técnicas de terapia.1 – A hiperatividade em Crianças
Os estudos apontam a hiperatividade como um transtorno neurobiológico de origem genética. Atualmente é catalogado na medicina sob o CID-10, com a denominação de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDA/H). É mais comum entre crianças e adolescentes do sexo masculino, e os seus sintomas podem estender-se até à vida adulta, porém mais brandamente. As características principais são: impulsividade e desatenção. Há pessoas que apresentam apenas a desatenção (Transtorno do Déficit de Atenção: TDA) e outras, cerca de 50%, demonstram também agressividade, comportamento mentiroso e oposição. Uma pessoa com TDA/H influencia o ambiente em que vive, geralmente negativamente: na família é sempre o responsável por situações embaraçosas; na escola é inicialmente bem aceito por ser agitado e brincalhão, porém, como também é competitivo e por não saber compartilhar, vai aos poucos perdendo as amizades (PHELAN, 2005). Algumas das consequências das citadas características é a baixa tolerância à frustração e a tendência ao isolamento, o que faz das pessoas com TDA/H seres humanos com baixa auto-estima. A Música Como Recurso para a Aprendizagem do aluno Hiperativo.
No entanto, é importante ressaltar que uma criança considerada inadequada para trabalhos minuciosos, para estudos em grupo e outras atividades que exijam concentração, pode se mostrar ótima companheira de jogos, pois num local entediante, sem brinquedos, ela dá sempre um jeito de inventar mil brincadeiras (já que não consegue ficar parada). Esta mesma capacidade inventiva pode manifestar-se em modos diferentes de resolver questões matemáticas (que nem sempre estarão corretas), ou sugestões originais para algum problema, visto que é impulsiva e geralmente falante. (SILVA, 2003). Isso tudo revela, sem dúvida, um alto índice de inteligência, grande capacidade criativa e potenciais que só esperam um modo ou forma para desenvolver-se.
O diagnóstico e tratamento para este transtorno devem ser feitos por uma equipa multidisciplinar que envolve a família, a escola, psicólogos, médicos e terapeutas. Atualmente, combina-se o uso de medicação (psicoestimulantes, que paradoxalmente agem aumentando a atividade cerebral, mas criando condições para que o cérebro do hiperativo mantenha um controle sobre a impulsividade, vigilância e atenção) com terapias comportamentais, artes terapias e a musicoterapia. Partindo-se da verificação de que o aluno com TDA/H possui importante capacidade criativa e espontaneidade nas suas ações e que tais características são de grande valia no meio artístico, planeamos e desenvolvemos vivências musicais direcionadas à interação entre os participantes, à observação e avaliação de seus comportamentos, estimulando a sua participação e vibrando com os seus progressos, a fim de elevar a sua autoestima.
Tendo por base estas informações, atividades musicoterápicas foram desenvolvidas em ambiente escolar com alunos que apresentam problemas de aprendizagem, alguns portadores de TDA/H, e outros apenas com TDA, como se passa a relatar.2 – Atividades Musicoterápicas
Foram selecionados 6 meninos com idades entre 8 e 11 anos, estudantes de um colégio particular de Belém-PA, Brasil. A seleção ocorreu por meio de avaliação com os orientadores educacionais e através dos pais, que deram a anuência ao trabalho, assim como a direção do Colégio. Foi feita uma entrevista com os pais, que na ocasião preencheram uma ficha de anamnese sobre seus filhos. Durante o desenvolvimento do trabalho de atividades musicais A Música Como Recurso para a Aprendizagem do Aluno Hiperativo com fins terapêuticos a comunicação entre as pesquisadoras, pais, professores e orientadores educacionais foi constante.
No próprio colégio onde os alunos estudam, mas em dias e horários diferentes dos das aulas, as pesquisadoras dispuseram de uma sala com almofadas, aparelho de som, instrumentos musicais (violão, teclado e percussão variadas), material de desenho e pintura. Formaram-se dois grupos com três alunos cada, trabalhando-se por uma hora com cada grupo, uma vez por semana. As atividades musicais foram realizadas visando a melhorar a atenção e a concentração dos alunos e promover a sua socialização.
De início percebeu-se a aptidão do grupo para batidas e chocalhos, apesar de terem à disposição instrumentos melódicos e orientação para extrair os sons destes instrumentos. Assim, foram realizados vários jogos com instrumentos de percussão onde se procurava despertar sincronia, pulsação, interatividade e leitura de partituras alternativas. As combinações sonoras levaram à formação de parcerias entre instrumentos diferentes como forma de estimular a interação entre o grupo: chocalhos e tambores de diferentes timbres deveriam se comunicar entre si.
Buscava-se a compreensão de que, tal como os instrumentos musicais, as pessoas também devem saber se comunicar. Foi promovida a escuta atenta e direcionada de trechos de músicas selecionadas, a fim de sensibilizá-los musicalmente. Em cada aula procurou-se focar um ponto, porém com atividades variadas de curta duração (10 a 15 minutos) respeitando a pouca tolerância que o portador de TDA/H tem para se concentrar.
A avaliação sobre estas atividades foi feita durante todo o processo em que os pais, professores e orientadores eram instados a manifestar-se sobre o desempenho e comportamento, além da observação das pesquisadoras feita com base nos trabalhos desenvolvidos por eles.
3 – Resultados
Após o período de 6 meses, verificou-se uma melhoria na auto-estima das crianças, que mostraram a sua alegria em participar nas atividades musicais. O facto de conseguirem seguir comandos e obedecer a regras foi um fator que lhes deu mais confiança em si mesmas, o que se refletiu em outros campos. E foi neste contexto que pudemos observar que:
a) se o aluno considera a atividade interessante, sua atenção é total; A Música Como Recurso para a Aprendizagem do Aluno Hiperativo;
b) a música vivenciada como prática de conjunto propicia a interação e a sociabilidade;
c) é possível fazer a relação entre uma individualidade timbristica e as diferenças entre as pessoas;
d) o trabalho com sons exige alta concentração, obtida com a escuta e a percepção musical de forma lúdica e agradável. Enfim, esta relação de intimidade com a música no manuseio dos instrumentos proporciona a idéia de liberdade, disciplina e organização, tão necessárias à aprendizagem na sala de aula, porém, às vezes, tão ausentes, principalmente tratando-se de alunos hiperativos.Conclusão
Ao trabalhar com atividades musicoterápicas com essas crianças, verificámos o grande contributo destas dinâmicas para o desenvolvimento escolar: na medida em que o aluno se interessa pelas atividades ele fica entusiasmado, começa a seguir comandos, e a cada acerto torna-se mais motivado, e assim, como num espiral ascendente a sua auto-estima vai-se fortificando.
Os 6 alunos tinham em no seu histórico escolar a marca das notas baixas, e em alguns casos a aprovação mediante critérios diferenciados, já que não conseguiam fazer provas como as demais crianças.Após o trabalho musical – com exceção de uma das crianças cuja família se mudou para outra cidade, tendo que interromper o trabalho – apenas um aluno ficou reprovado; 1 passou para o ano seguinte ainda por avaliação diferenciada e os demais foram avaliados normalmente e passaram de ano. Os pais reiteraram progressos no seu convívio social com a família e amigos.
Além disso, percebeu-se que o tratamento para este tipo de transtorno não está apenas em remédios, mas pode contar com o auxílio essencial de terapias alternativas e de formas não convencionais de ensino para a busca de melhores resultados escolares. Outras crianças juntaram-se ao grupo inicial no segundo semestre e, apesar de não fazerem parte do grupo de estudo, o trabalho realizado com elas serviu para confirmar os resultados satisfatórios alcançados com o primeiro grupo. A Música Como Recurso para a Aprendizagem do Aluno Hiperativo.
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16 FATOS CURIOSOS SOBRE O CORPO
1 – Impressão da língua
Não saia mostrando a língua por aí se quiser esconder sua identidade. Similar à impressão digital, todo mundo tem uma impressão da língua única e exclusiva.2 – Perda de pele e pelos
Seu animal de estimação não é o único na casa com problema de queda de pelos. Os humanos perdem 600 mil partículas de pele por hora. Isso resulta em cerca de 680 g por ano, por isso uma pessoa comum terá perdido cerca de 47 kg de pele até os 70 anos de idade.3 – Contagem de ossos
Um adulto tem menos ossos que um bebê. Começamos a vida com 350 ossos, mas como eles se fundem durante o crescimento, terminamos com apenas 206 quando adultos.4 – Novo estômago
Você sabia que seu estômago ganha um revestimento novo a cada três ou quatro dias? Do contrário, os ácidos fortes que seu estômago usa para digerir a comida também o fariam digerir-se.5 – Memória de cheiro
Seu nariz pode não ser tão sensível quanto o de um cachorro, mas ele é capaz de lembrar-se de 50 mil cheiros diferentes.6 – Intestinos longos
O intestino delgado é cerca de quatro vezes maior que a altura de um adulto médio. Se ele não desse voltas e mais voltas, seu comprimento de 5,5 m a 7 m não caberia dentro da cavidade abdominal, tornando as coisas meio bagunçadas para nós.7 – Bactérias
Isso realmente vai fazer sua pele arrepiar: cada 6,4 cm2 de pele no corpo humano tem cerca de 32 milhões de bactérias, mas felizmente, a grande maioria delas não oferece risco algum.8 – Fonte do odor do corpo
A fonte de pés com chulé, como a do cecê, é o suor. E as pessoas transpiram muito em seus pés. Um par de pés tem 500 mil glândulas sudoríparas e pode produzir mais de 470 ml de suor por dia.9 – Velocidade do espirro
O ar do espirro humano pode viajar a uma velocidade de 160 km/h ou mais – outra boa razão para você cobrir seu nariz e boca quando espirrar, ou desviar a cabeça quando ouvir um vindo em sua direção.10 – Distância do sangue
O sangue tem uma longa estrada para percorrer: estendidos de ponta a ponta, há cerca de 96,5 mil km de vasos sanguíneos no corpo humano. E o trabalhador árduo que é o coração bombeia cerca de 7.500 litros de sangue através dessas veias todos os dias.11 – Quantidade de saliva
Você pode não querer nadar em sua saliva, mas se você guardasse toda ela, poderia. Durante sua vida, uma pessoa média produz cerca de 23.650 litros de saliva – o suficiente para encher duas piscinas.12 – Altura do ronco
Aos 60 anos de idade, 60% dos homens e 40% das mulheres vão roncar. Mas o som de um ronco pode parecer ensurdecedor. Embora o ronco beire os 60 decibéis (o nível de ruído de uma fala normal), ele pode atingir mais de 80 decibéis. Oitenta decibéis é tão alto quanto o som de uma britadeira quebrando o concreto. Os níveis de ruído acima de 85 decibéis são considerados perigosos ao ouvido humano.13 – Cor e quantidade de cabelo
Louras podem ou não se divertir mais, mas elas definitivamente têm mais cabelo. A color dos cabelos ajuda a determinar quão denso o cabelo da cabeça é, e as louras (apenas as naturais, claro), lideram a lista. A cabeça humana média tem 100 mil folículos capilares, cada um dos quais é capaz de produzir 20 fios de cabelos durante a vida de uma pessoa. As louras têm cerca de 146 mil folículos. As morenas tendem a ter cerca de 110 mil folículos, enquanto aquelas com cabelos castanhos têm exatos 100 mil folículos. As ruivas têm a cabeleira menos densa, com cerca de 86 mil folículos14 – Crescimento das unhas
Se você corta as unhas das mãos com mais frequência que a dos pés, isso é natural. As unhas que ficam mais expostas e são mais usadas geralmente crescem mais rápido. As unhas dos dedos das mãos crescem mais rápido na mão que você escreve e nos dedos mais longos. Em média, unhas crescem cerca de 2,5 mm por mês.15 – Peso da cabeça
Não é de se espantar que os bebês têm dificuldade para sustentar suas cabeças: a cabeça humana tem 1/4 do nosso comprimento total ao nascimento, mas apenas 1/8 quando chegamos à fase adulta.16 – Necessidade de sono
Se você disser que está morrendo por uma boa noite de sono, pode estar sendo literal. Dá até para ficar sem comer por semanas sem sucumbir, mas 11 dias é o máximo que se chega sem dormir. Depois de 11 dias, você dormirá – para sempre! -

O que é FIB – Felicidade Interna Bruta
O indicador FIB, Felicidade Interna Bruta, vem como uma alternativa complementar a outras medidas de riqueza de uma comunidade que vai além do desempenho econômico traduzido hoje no indicador PIB, Produto Interno Bruto.

O FIB inclui atividades não monetarizadas, como o uso equilibrado do tempo, cuidados com a família, esgotamento de recursos naturais e bem estar humano. Com enfoque qualitativo, esse indicador gera discussões públicas, pró-atividade e protagonismo por parte da população.
O FIB no mundo
A utilização de indicadores de bem-estar vem, nos últimos anos, ganhando muita relevância em todo o mundo, e estão sendo implantados não somente no Butão, mas em outros países do mundo, tais como U.K., Tailândia, Canadá, e Austrâlia. No Brasil foram aplicadas nas cidades de Campinas, Angatuba, e Itapetininga no estado de São Paulo, e em Bento Gonçalves, RS e no núcleo rural Rajadinha, Brasília, DF.
FIB provê uma abordagem integral para medir o desenvolvimento, que incorpora fatores sociais, ambientais e econômicos, bem como outros contribuintes chave para o bem estar, tais como saúde, cultura e governança. É baseado na premissa de que o objetivo principal de uma sociedade não deveria ser o crescimento econômico, mas a integração do desenvolvimento material com o psicológico, cultural e o espiritual – sempre em harmonia com a Terra.


