Tag: conservação

  • O “Inominável” Presidente do Brasil é denunciado no tribunal de Haia

    O “Inominável” Presidente do Brasil é denunciado no tribunal de Haia

    Cacique Raoni denuncia o “Inominavel” Presidente do Brasil no Tribunal de Haia por crimes ambientais.

    Os caciques Raoni Metuktire e Almir Suruí abriram ontem (22) uma denúncia contra o ser que não deve ser citado, apenas em casos excepcionais, presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Tribunal Penal Internacional (TPI), citando crimes ambientais, em um contexto de crimes contra a humanidade.
    A representação feita pelas duas lideranças indígenas contou com ajuda do advogado francês William Bourdon, famoso por defender causas internacionais de direitos humanos e mais recentemente casos de “whistleblowers” como Edward Snowden, Julian Assange e ativistas africanos.

    Esta é a quinta denúncia contra o “inominável” no TPI. O próximo passo será uma análise preliminar pela Procuradoria da corte para decidir se autoriza a investigação do caso.
    Segundo o advogado Bourdon, em documento divulgado a Ecoa, o caso pode ajudar no reconhecimento do ecocídio entre os crimes internacionais julgados pelo TPI, que tem competência para analisar crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade. Ecocídio é definido como dano sério e duradouro ao meio ambiente, na medida em que causa danos significativos à vida humana e aos recursos naturais.

    “Os crimes pelos quais Bolsonaro é acusado provavelmente serão qualificados como crimes contra a humanidade. No entanto, esses crimes contra a humanidade foram perpetrados em um contexto mais amplo de crime ambiental”, disse Bourdon. “No contexto da superexploração dos recursos naturais da floresta amazônica, são inúmeros os exemplos de ecocídio.”
    O advogado acrescentou que, em setembro de 2016, a Procuradoria do TPI anunciou publicamente que uma de suas prioridades na seleção dos casos seria o combate aos crimes ambientais. “Isto reforça nossa crença que os crimes denunciados podem ser crimes contra a humanidade”, acredita.
    A denúncia de Raoni e Almir Suruí cita recordes de desmatamento desde o início do governo Bolsonaro, recorde também de assassinatos de lideranças indígenas em 2019 e descreve o desmantelamento de agências responsáveis pela proteção ambiental.

    “A terra vai se rebelar”, diz Raoni

    Numa viagem organizada pela ONG Darwin-Climax-Coalitions, que apresentou Raoni a Bourdon dois anos atrás, jornalistas estrangeiros ouviram o cacique caiapó e outros líderes indígenas na sua aldeia na Terra Indígena Capoto-Jarina (MT), na semana passada.

    Num áudio disponibilizado pela ONG, Raoni disse, de acordo com seu tradutor oficial: “As barragens que estão construídas nos rios, eu repudio, não gosto. Também o desmatamento que estão fazendo, não gosto. Queria que as florestas continuassem existindo para minimizar a temperatura. Vocês estão vendo que está muito quente agora? Quando a árvore fica em pé, faz sombra e fica frio.”

    “Tive visões, e uma pessoa me falou: ‘Raoni, estão desmatando e acabando com toda a floresta e os animais. Os espíritos dos peixes e dos animais estão muito bravos’. Não sei… Acho que a terra vai se rebelar contra os humanos. Os animais falaram comigo, e eu estou contando a vocês. As florestas precisam ficar em pé. Mas muitas pessoas são loucas e doidas e continuam desmatando.”
    O cacique Megaron Txucarramãe, sobrinho de Raoni e considerado por muitos seu sucessor, disse que, desde que Bolsonaro tomou poder, passou a atacar seu tio.

    “Meu tio quer viver em paz. E os índios querem viver do jeito deles, do jeito que eles são”, disse Megaron, numa gravação disponibilizada pela ONG. “Temos dois artigos na Constituição […] que nos garantem viver na terra indígena do nosso jeito, caçar, pescar, fazer roça, viver nossa cultura, costume, ritual. Ele quer acabar com nós, mas nós não aceitamos.”

    “A Funai não é mais defensora do índio. O presidente da Funai do Bolsonaro é a favor de ruralista, que quer acabar com terra, plantar soja, criar boi […] Ao redor da aldeia, se você voar um pouco, vai ver tudo desmatado. É só soja e boi.”

    Outras denúncias

    Entre as outras denúncias contra Bolsonaro no TPI, três dizem respeito ao combate à pandemia, e a quarta aborda direitos das populações indígenas.
    Em dezembro, o escritório da Procuradoria do TPI informou à Comissão Arns e ao Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu) que a corte estava analisando a representação das duas entidades, protocolada em novembro de 2019. Na denúncia, Bolsonaro é acusado por crimes contra a humanidade e incitação do genocídio de povos indígenas.
    As outras três foram feitas pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) e a Rede Sindical Brasileira UNISaúde, uma coalizão de mais de um milhão de trabalhadores da saúde.
    Com sede em Haia, na Holanda, o TPI foi estabelecido em 1998 e é composto por cerca de 100 países, incluindo o Brasil. A corte recebe mais de 500 denúncias por ano, mas apenas cerca de 10 viram investigações e uma parte ainda menor é aceita pelo tribunal para ir a julgamento.
    Até hoje, a corte realizou 28 julgamentos. Os juízes do TPI já emitiram 35 mandados de prisão, e 17 pessoas foram detidas no centro de detenção da corte. Treze seguem foragidas, de acordo com o site oficial, enquanto as outras morreram. Quatro pessoas foram julgadas e condenadas pela corte internacional. Em 2019, o julgamento de Bosco Ntaganda considerou o ex-líder rebelde do Congo culpado por crimes de guerra e o condenou a 30 anos de prisão, maior sentença já dada pelo tribunal. O caso, no entanto, ainda cabe recurso.

    Fernanda Ezabella
    Colaboração para Ecoa, de São Paulo
    23/01/2021 08h00

    fonte: ECOA – Por um mundo melhor

  • ALERTA – Votação para liberação do plantio de cana na Amazônia

    ALERTA – Votação para liberação do plantio de cana na Amazônia

    Liberação de cana na Amazônia joga contra as florestas e o etanol brasileiro

    Senado deve votar, nesta terça-feira, projeto de lei que autoriza o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, proibido há oito anos.

    PL está na pauta de votação do Senado desta terça (27/03/2017). Confira a íntegra da carta:

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  • Como smartphones reciclados e o aprendizado de máquina ajudam os Tembé a proteger a própria terra natal

    Como smartphones reciclados e o aprendizado de máquina ajudam os Tembé a proteger a própria terra natal

    Uma tribo no estado brasileiro do Pará está descobrindo maneiras de usar smartphones antigos e o aprendizado de máquina para combater o desmatamento.

    Como smartphones reciclados e o aprendizado de máquina ajudam os Tembé a proteger a própria terra natal

    Um smartphone Android é conectado a um adaptador de energia solar e a um microfone externo. Esses dispositivos, apelidados de Guardiões, podem captar os sons de atividades de exploração ilegal de madeira à distância de até 1 km.

    Os Guardiões são escondidos no topo das árvores para melhorar o serviço da rede celular e o acesso à energia solar. Eles ouvem todos os sons da floresta 24 horas por dia.

     

    O modelo do TensorFlow da Rainforest Connection usa o aprendizado de máquina para analisar o áudio gravado pelos Guardiões e aprende a identificar os sons de motosserras e caminhões das madeireiras.

     

     

    Minutos após a identificação de um ruído, um alerta em tempo real é enviado aos guardas Tembé, uma força de segurança selecionada entre os membros da tribo que pode intervir ou denunciar a atividade de extração madeireira às autoridades.

     

    A Rainforest Connection está disponibilizando o mesmo sistema de monitoramento acústico para outros parceiros no combate ao desmatamento em cinco países, como Peru, Equador e Romênia.

    Hoje, o cacique Naldo e a tribo vistoriam a própria terra, sobem em árvores para fazer a instalação e a manutenção dos dispositivos Guardiões e respondem aos alertas de exploração madeireira que recebem. Armados com essa nova tecnologia, os Tembé têm a chance de proteger não só a floresta onde moram, mas o próprio modo de vida.

    Veja a campanha completa no Google 

    Fonte: Google

     

  • Não podemos mais aceitar rios urbanos fétidos e contaminados !

    Não podemos mais aceitar rios urbanos fétidos e contaminados !

    No momento em que está sendo realizado o 8º Forum Mundial das Águas , e a Lei das Águas do Brasil completa 21 anos, algumas questões continuam abertas:

    Por exemplo, nos estados da Mata Atlântica , apenas seis rios apresentam qualidade de água boa.

    Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão

    O retrato da qualidade da água, elaborado a partir do levantamento que a SOS Mata Atlântica realizou de março de 2016 a fevereiro de 2017, mostra a dura realidade que o País precisa encarar para garantir água, em qualidade e quantidade, à sociedade.

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  • Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a Humanidade

    Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a Humanidade

    Estes são os objetivos para uma humanidade sustentável até 2030, determinados pela ONU.

    São fruto do trabalho conjunto de Governos e Cidadãos de todo o mundo para criar um modelo global de governança com a finalidade de acabar com a pobreza, proteger o ambiente e promover a prosperidade e o bem-estar de todos até 2030. (mais…)

  • DENÚNCIA – Governo libera reserva na Amazônia para exploração

    DENÚNCIA – Governo libera reserva na Amazônia para exploração

    Em decreto, Temer extingue a chamada Reserva Nacional de Cobre e Associados, localizada entre o Amapá e o Pará. Após mais de 30 anos fechada à mineração, área rica em ouro poderá ser explorada por mineradoras. (mais…)

  • COLETA SELETIVA

    COLETA SELETIVA

    Muitas pessoas dotadas de consciência ambiental deixam de contribuir para o aproveitamento pós-consumo de material reciclável simplesmente porque não sabem como agir nesse sentido. Na maioria das cidades do país, coleta seletiva de lixo ainda é uma proposta utópica, longe da prática, e os cidadãos, nesse contexto, terminam por estacionar no terreno das boas intenções.

    A população ganhou um instrumento de apoio para quem procura transcender a inoperância do poder público, demanda suprida por intermédio de uma ação da iniciativa privada.

    A Tetra Pak acaba de lançar uma ferramenta preciosa para facilitar a busca por pontos de coleta s, com suporte do Google Maps, aponta cooperativas, eletiva e reciclagem de resíduos. O portal Rota da Reciclagem (www.rotadareciclagem.com.br) pontos de entrega voluntária e comércios ligados à cadeia de reciclagem em todo o Brasil.

    Embora o instrumento de busca priorize postos de coleta de embalagens longa vida (caixas de leite, sucos, molhos de tomate e outros alimentos), ele acaba atendendo a demanda de todo o ciclo de reaproveitamento do “lixo”, ao mostrar estabelecimentos que, em geral, também lidam com outros materiais – latas de cerveja, papelão etc.

    “O principal ponto é a conscientização do cidadão comum de que é preciso já criar este hábito para a conservação do planeta. Não há mais aquela desculpa de não saber onde entregar suas embalagens longa vida e demais materiais recicláveis, pois existe agora um buscador específico que aponta estes locais próximos ao endereço consultado”, disse a AmbienteBrasil Fernando von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak.

    Segundo ele, nas primeiras duas semanas do portal, houve mais de 10 mil consultas no site. “É um resultado incrível e animador, pois retrata o interesse do público em colaborar com a coleta seletiva das embalagens longa vida e material reciclável”, diz ele. “Deixando a modéstia de lado, a Rota da Reciclagem será referência para quem pretende divulgar a reciclagem em todo o Brasil. Nossa meta é de ter cinco mil visitantes únicos por dia”, completa.

    O leitor é convidado no site a informar se existem pontos de coleta, voluntária ou comercial, não listados.

    De todas as embalagens Tetra Pak comercializadas no país, o Brasil recicla 25,5%, ou seja, uma em cada quatro. Em 2007, passaram por esse processo, no mercado brasileiro, cerca de 50 mil toneladas, montante que, ainda assim, alça o país à terceira colocação no ranking mundial, perdendo apenas para Alemanha e Espanha. “Há ainda um potencial enorme de crescimento”, diz Fernando.

    Outro objetivo do portal é esclarecer ao cidadão que não é necessário ter em casa cinco recipientes para a prática da coleta seletiva (papel, vidro, plástico, orgânicos e metal), mas apenas dois recipientes (úmido e seco), pois a separação do lixo é feita na cooperativa coletora dos resíduos. “Com isso, a coleta seletiva fica mais fácil e aumentará entre a população”, acredita ele.

    A Tetra Pak assumiu este compromisso bem antes da “moda” pegar, demonstrando um caráter vanguardista. E, seguindo esta premissa, a empresa desenvolve soluções inovadoras como, por exemplo, o sistema plasma, que separa o alumínio do plástico das embalagens e renova o alumínio em forma de lingote e parafina como matéria-prima para a produção de peças plásticas.

    Outra novidade é a aplicação do Sinal Verde, um selo na lateral das embalagens da empresa, que tem o objetivo de promover a conscientização do público consumidor sobre questões importantes, como consumo de materiais renováveis, a coleta seletiva do lixo e a reciclagem. Cada selo é composto pela caricatura de uma embalagem animada da Tetra Pak e uma mensagem de apelo ambiental.

     

     

  • BELO MONTE, ANÚNCIO DE UMA GUERRA

    BELO MONTE, ANÚNCIO DE UMA GUERRA

    [vc_row][vc_column][vc_column_text css_animation=”fadeInUp”]Belo Monte é uma usina hidrelétrica que foi construída no coração da Amazônia, na Volta Grande do rio Xingu na cidade de Altamira, Pará. Um verdadeiro desastre do ponto de vista ambiental, econômico e social

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  • BASES TEÓRICAS E BEM-ESTAR

    BASES TEÓRICAS E BEM-ESTAR

    A concepção de saúde inclui bem-estar como um conceito chave. Em decorrência, encontram-se na literatura diferentes proposições teóricas para bem-estar.Um componente largamente reconhecido como principal integrante de uma vida saudável é a felicidade (Diener, Scollon & Lucas, 2003).

    Embora o estilo de vida moderno

    …não estimule as pessoas a avaliar seus momentos de felicidade ou de completa realização pessoal, elas são diariamente incitadas a planejar o seu dia-a-dia para vencer os desafios da vida moderna como, por exemplo, conseguir e manter um emprego, proteger suas vidas da violência urbana, equilibrar as finanças, esquivar-se de hábitos ou estilos de vida que comprometem a sua saúde e, ao mesmo tempo, praticar ações que promovem a sua integridade física, emocional e social.

    Pesquisadores espalhados por diversos países estão empenhados em descobrir o quanto as pessoas se consideram felizes ou em que medida são capazes de realizar plenamente suas potencialidades. Esses estudiosos, embora utilizem duas perspectivas distintas, investigam um tema complexo denominado bem-estar.A atenção dispensada ao tema não é recente. Desde a Grécia antiga, filósofos como Aristóteles já tentavam decifrar o enigma da existência feliz. Enquanto filósofos ainda debatem a essência do estado de felicidade, pesquisadores empenharam-se, nas últimas três décadas, para construir conhecimento e trazer evidências científicas sobre bem-estar. Desses desafios estão participando diversos estudiosos que conseguiram, após décadas de investigações, instalar o conceito de bem-estar no campo científico da psicologia e transformá-lo em um dos temas mais enfaticamente discutidos e aplicados para compreender os fatores psicológicos que integram uma vida saudável.
    As concepções científicas mais proeminentes da atualidade sobre bem-estar no campo psicológico podem, segundo Ryan e Deci (2001), ser organizadas em duas perspectivas:
    uma que aborda o estado subjetivo de felicidade (bem-estar hedônico), e se denomina bem-estar subjetivo, e outra que investiga o potencial humano (bem-estar eudemônico) e trata de bem-estar psicológico. Na visão desses autores, essas duas tradições de estudo refletem visões filosóficas distintas sobre felicidade: enquanto a primeira (hedonismo) adota uma visão de bem-estar como prazer ou felicidade, a segunda (eudemonismo) apoia-se na noção de que bem estar consiste no pleno funcionamento das potencialidades de uma pessoa, ou seja, em sua capacidade de pensar, usar o raciocínio e o bom senso.
    Este artigo tem por objetivos apresentar as duas abordagens tradicionais sobre bem-estar – subjetivo e psicológico – e introduzir uma concepção teórica mais estruturada sobre bem-estar no ambiente de trabalho.

    Bem-Estar Subjetivo

    Bem-estar subjetivo (BES) constitui um campo de estudos que procura compreender as avaliações que as pessoas fazem de suas vidas (Diener, Suh & Oishi, 1997). Esse campo teve um crescimento acelerado na última década, revelando como seus principais tópicos de pesquisa satisfação e felicidade (Diener & cols., 2003). Tais avaliações devem ser cognitivas (satisfações globais com a vida e com outros domínios específicos como com o casamento e o trabalho) e devem incluir também uma análise pessoal sobre a freqüência com que se experimentam emoções positivas e negativas. Para que seja relatado um nível de BES adequado, é necessário que o indivíduo reconheça manter em nível elevado sua satisfação com a vida, alta freqüência de experiências emocionais positivas e baixas freqüências de experiências emocionais negativas. Ainda segundo Diener e cols. (1997), nesse campo de conhecimento não se procura estudar estados psicológicos negativos ou patológicos, tais como depressão, ansiedade e estresse, mas diferenciar os níveis de bem-estar que as pessoas conseguem alcançar em suas vidas. Essas concepções reafirmam que BES compreende um tema aderente aos princípios defendidos pelos atuais propagadores (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000) da psicologia positiva. O conceito de BES apareceu ao final dos anos 1950, quando se buscavam indicadores de qualidade de vida para monitorar mudanças sociais e implantação de políticas sociais (Land, 1975). Como marcos da literatura sobre o tema durante a década de 1960, podem ser apontados os livros de Andrews e Withey (1976) e Campbell, Converge e Rodgers (1976), por preconizarem que, embora as pessoas vivam em ambientes objetivamente definidos, é ao mundo subjetivamente definido que elas respondem. Nessa perspectiva, BES tornou-se um importante indicador de qualidade de vida.
    Outras influentes obras sobre o assunto foram três trabalhos (Bradburn, 1969; Cantril, 1967; Gurin, Veroff & Feld 1960) que enfatizaram satisfação com a vida e felicidade como elementos integrantes do conceito de qualidade de vida. Os dois componentes que integram a visão contemporânea de BES – satisfação com a vida e afetos positivos e negativos – tiveram sua gênese nos trabalhos seminais de Campbell e cols. (1976) e de Bradburn (1969). A primeira revisão sobre BES foi realizada por Wilson em 1967, num estudo intitulado “Correlatos de Felicidade Declarada”. Embora naquela época os dados sobre o assunto fossem limitados, Wilson (1967, p. 294) pôde concluir que entre pessoas felizes incluíam-se as que eram “[…] jovens, com boa educação, bons salários, extrovertidas, otimistas, despreocupadas, com religiosidade, casadas, elevada autoestima, moral no trabalho, aspirações modestas, de ambos os gêneros e que detinham diversificados níveis de inteligência”. Atualmente, o interesse de pesquisadores não se limita mais à descrição dos atributos de pessoas felizes, nem tampouco a identificar correlações entre características demográficas e níveis de BES. O esforço atual dos pesquisadores está orientado pela busca de compreensão do processo que sustenta a felicidade (Diener, Suh, Lucas & Smith, 1999). Atualmente, BES é concebido por Diener e Lucas (2000) como um conceito que requer auto-avaliação, ou seja, ele só pode ser observado e relatado pelo próprio indivíduo e não por indicadores externos escolhidos e definidos por terceiros.

    Consoante essa visão, não é considerado adequado avaliar BES por meio de indicadores externos ao indivíduo, mesmo que tenham como base fatores estatisticamente construídos, tais como controle de doenças, queda da mortalidade infantil, redução dos índices de criminalidade e violência, queda de taxas de desemprego ou de analfabetismo, bem como outros indicadores aplicados para descrever avanços em políticas sociais e que projetam a qualidade de vida de extratos sociais, comunidades ou de nações.
    Para acessar o BES, é necessário considerar que cada pessoa avalia sua própria vida aplicando concepções subjetivas e, nesse processo, apoia-se em suas próprias expectativas, valores, emoções e experiências prévias. Essas concepções subjetivas, segundo Diener e Lucas (2000), estão organizadasem pensamentos e sentimentos sobre a existência individual.
    Parece existir, portanto, uma representação mental (cognitiva) sobre a vida pessoal, organizada e armazenada subjetivamente, sobre a qual pesquisadores de BES procuram obter informações quando solicitam às pessoas relatos sobre ela.

    Deve-se ressaltar que a avaliação feita pelo próprio indivíduo sobre seu BES inclui, entre outros aspectos, componentes positivos que não envolvem, necessariamente, elementos de prosperidade econômica (Diener & cols., 1999).
    No Brasil, já existem estudos focalizando o bem-estar subjetivo. Os autores têm se dedicado a construir e validar medidas de bem-estar subjetivo (Albuquerque & Troccoli, 2004; Siqueira, Martins e Moura, 1999), a investigar seus antecedentes (Freire, 2001) e suas relações com sentimentos de solidão e interações sociais (Capitanini, 2000), bem como a analisar a influência de bem-estar subjetivo sobre qualidade de vida (Prebianchi, 2003).
    Existe um entendimento por parte de diversos estudiosos (Diener & cols., 1997; Diener & cols., 1999; Diener & Lucas, 2000) de que BES se constitui em um amplo fenômeno e deve ser considerado como uma área de interesse científi co que engloba dois conceitos específicos: julgamentos globais de satisfação com a vida, ou com domínios específicos dela, e experiências emocionais positivas e negativas (Diener & cols., 1999). Nesse sentido, o conceito de BES articula duas perspectivas em psicologia: uma que se assenta nas teorias sobre estados emocionais, emoções, afetos e sentimentos (afetos positivos e afetos negativos) e outra que se sustenta nos domínios da cognição e se operacionaliza por avaliações de satisfação (com a vida em geral, com aspectos específicos da vida como o trabalho).

    A dimensão emocional de BES: afetos positivos e negativos

    A composição emocional do conceito BES inclui um balanço entre duas dimensões emocionais: emoções positivase emoções negativas. Para que o balanço represente uma dimensão de BES, é necessário resultar em uma relação positiva entre as emoções vividas, qual seja, a vivência de mais emoções positivas do que negativas no decorrer da vida. Esta dimensão de BES guarda forte relação com a visão hedônica de felicidade, na medida em que dá ênfase aos aspectos afetivos da vida (Keyes, Shmotkin & Ryff, 2002).

    Quando se estudam os afetos positivos e negativos, não se trata de identificar a presença contínua de sensações positivas em toda a vida, mas, sim, detectar se, em sua grande maioria,as experiências vividas foram entremeadas muito mais por emoções prazerosas do que por sofrimentos. Segundo alguns pesquisadores (Andrews & Robinson, 1991; Diener & Diener, 1996; Thomas & Diener, 1990), as pessoas costumam relatar maior constância de emoções positivas do que negativas em suas vidas. Por outro lado, estudos têm revelado que pessoas que tendem a viver intensas emoções positivas são as que também tendem a relatar fortes experiências emocionais negativas (Diener & Lucas, 2000). Thomas e Diener (1990) relataram que a memorização de experiências emocionais não é precisa. Tais resultados de pesquisa levaram Diener e Lucas (2000) a sugerir aos pesquisadores cautela para não considerarem os relatos sobre experiências emocionais como fiéis às situações realmente vividas.

    Por que as experiências emocionais são importantes para as avaliações que uma pessoa faz do seu BES? Segundo Diener e Lucas (2000), as análises sobre bem-estar podem estar muito mais relacionadas à freqüência com que se experimentam emoções positivas do que à intensidade dessas emoções.

    Explicam os dois autores que, ao se levar em conta na avaliação do BES mais a freqüência do que a intensidade de emoções positivas, as pessoas estão considerando, provavelmente, serem as emoções positivas intensas muito raras e também porque estas são, muitas vezes, acompanhadas por alguns custos para o indivíduo que as experimenta. Existem evidências em estudos sobre afetos (Diener & Diener, 1996) e satisfação com a vida (Andrews, 1991), revelando que as pessoas tendem a relatar mais vivências de afetos positivos do que negativos e a revelar satisfações com a vida em níveis acima do nível médio das medidas aplicadas, independentemente da idade, do nível sócio-econômico ou etnia dos grupos pesquisados.

    O debate sobre os componentes emocionais do BES teve suas primeiras formulações no trabalho seminal de Bradburn (1969). Este pesquisador defendia a idéia de que os afetos positivos e negativos não eram duas polaridades de um mesmo contínuo, mas formavam dois contínuos distintos de afetividade, capazes de apresentar correlações particulares com conjuntos específicos de traços de personalidade. Bradburn propôs uma estrutura bidimensional para os afetos: afetos positivos e afetos negativos.

    Segundo Diener e Emmons (1985), os trabalhos de Bradburn (1969) e Bradburn e Caplovitz (1965) não só introduziram o debate acerca da defi nição de felicidade nos domínios da psicologia como também apontaram uma forma de mensurá-la por duas dimensões relativamente independentes uma da outra.

    Na visão de Bradburn e Caplovitz (1965), felicidade ou bem-estar subjetivo seria um construto composto por dois conjuntos de sentimentos separados: afetos positivos (AP) e afetos negativos (AN). Para avaliá-los, esses estudiosos usavam 10 itens agrupados em duas escalas, sendo cinco para avaliar AP (Positive Affect Scale, ou PAS) e outros cinco para aferir AN (Negative Affect Scale, ou NAS).

    Numa série de estudos desenvolvidos por esses pesquisadores, foram observadas correlações fracas entre os itens das duas escalas, altas correlações entre os itens de cada escala e correlações diferenciadas de cada escala com diversas outras variáveis. Esses resultados levaram Bradburn e colaboradores a reafi rmar a relativa independência entre AP e AN e a apontá-los como duas dimensões na estrutura dos afetos.

    Ainda nos anos 1960, Ostrom (1969) defendia a noção de BES ser uma atitude, apoiando-se na noção largamente difundida naquela época de que as atitudes eram compostas por elementos cognitivos e afetivos. Consoante esse entendimento, BES como uma atitude teria componentes cognitivos ou intelectuais, bem como envolveria aspectos emocionais. As discussões sobre quais componentes afetivos integrariam BES provocaram a indicação de um variado leque de conceitos psicológicos, sendo especialmente apontados para sua composição traços como ansiedade e depressão para representar afetos negativos.

    Na composição de afetos positivos, a auto-estima foi apontada como um conceito psicológico que representava saúde mental, porque incluía uma auto-avaliação em que o próprio indivíduo se reconhece como tendo valor e sendo dotado de características positivas e também negativas. Além do senso pessoal de auto-estima,outros conceitos também foram arrolados como integrantes da dimensão positiva de BES, tais como auto-aceitação, auto-imagem e auto-respeito. Posteriormente, outros pesquisadores (Diener & Emmons,1985; Watson, Clark &Tellegen, 1988) apresentaram evidências sobre a existência das duas dimensões na estrutura dos afetos apregoadas por Bradburn (1969). Desde então, instalou-se a proposta de se considerar BES como um construto psicológico integrado por experiências emocionais positivas e negativas e a se denominar tais experiências de afetos positivos (positive affects) e afetos negativos (negative affects).

    A estrutura bidimensional dos afetos proposta por Bradburn (1969) levou diversos estudiosos a elaborar e validar medidas para aferi-la. Em 1988, Watson e cols. validaram a Lista de Afetos Positivos e Negativos (Positive Affect and Negative Affect Schedule – PANAS), composta de duas escalas com 10 itens cada, que se mostraram, segundo seus autores, consistentes, válidas e efi cientes para medir as duas dimensões de afetividade. De acordo com Watson e cols. (1988), AP representa a extensão na qual uma pessoa se sente entusiasta, ativa e alerta. Um nível alto de AP constitui um estado de alta energia, plena concentração e engajamento prazeroso, enquanto baixo AP é caracterizado por tristeza e letargia. Afeto negativo (AN) é uma dimensão geral de engajamento sem prazer, incluindo, em seu nível mais alto, sensações negativas diversas, tais como raiva, desprezo, culpa, medo e nervosismo. O nível mais baixo de AN inclui calma, serenidade e sossego.

    A escala de AP integrante da PANAS inclui 10 palavras que descrevem sentimentos e emoções positivas (interessado, forte, entusiasmado, orgulhoso, ativo, inspirado, determinado,atento, animado e estimulado), enquanto a escala de AN compõe-se de outras 10 palavras que expressam a dimensão negativa da afetividade (angustiado, descontrolado, culpado, assustado, hostil, irritado, envergonhado, nervoso, inquieto e amedrontado). Nos anos 1980, os estudos em que foram utilizadas as medidas de estrutura dos afetos aplicaram predominantemente a PANAS. Naquela época, ainda não se apregoava com a ênfase e clareza que se vê hoje a inclusão dos afetos positivose negativos como dimensões do BES. Dava-se maior ênfase a eles como traços afetivos que se aproximavam muito de determinados traços de personalidade. Enquanto AP era visto como um correlato de dimensões positivas da personalidade como extroversão, AN tornava-se um correspondente de neuroticismo.

    Os estudos que utilizavam a PANAS procuravam relacionar o conceito genérico de bem-estar a diferentes 204 Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2008, Vol. 24 n. 2, pp. 201-209 M. M. M. Siqueira & V. A. R. Padovam indicadores de doenças mentais ou psicopatologias, tais como depressão, ansiedade e estresse. No Brasil, já existe uma medida de afetos positivos e negativos. Trata-se da Escala de Ânimo Positivo e Negativo (EAPN), desenvolvida e validada por Siqueira e cols. (1999).

    A EAPN é uma medida composta por 14 afetos, que se distribuem em duas sub-escalas: a que mede afetos positivos por meio de seis itens (feliz, alegre, animado, bem, satisfeito e contente) e a que avalia afetos negativos por intermédio de oito itens (irritado, desmotivado, angustiado, deprimido, chateado, nervoso, triste e desanimado). Segundo as autoras da medida, os afetos positivos constituem uma sub-escala com índice de precisão de 0,87, enquanto os afetos negativos compõem uma sub-escala com precisão de 0,88. As respostas são dadas numa escala de cinco pontos (1=nada; 2=pouco; 3=mais ou menos; 4=muito; 5=extremamente) que mede a intensidade com que as pessoas vivenciam os 14 afetos.

    Outra medida brasileira da dimensão emocional BES está incluída na Escala de Bem-Estar Subjetivo (EBES) construída e validada por Albuquerque e Tróccoli (2004). A EBES inclui 21 itens de afetos positivos e 26 de afetos negativos, que constituem, respectivamente, os fatores 1 e 2, ambos com índices de precisão de 0,95. O terceiro fator avalia, mediante 15 itens, a dimensão cognitiva de BES, satisfação-insatisfação com a vida, cuja precisão é de 0,90. A inserção de afetos positivos e negativos na composição emocional de BES se deu, com maior ênfase, nos anos 1970 e 1980, quando diversos autores (Andrews & Withey, 1976; Campbell & cols., 1976; Diener, 1984; Emmons, 1986) incluíram os afetos positivos e negativos, ao lado de satisfação com a vida (componente cognitivo), como integrantes de BES.

     A dimensão cognitiva de BES: satisfação com a vida 

    Satisfação com a vida é o julgamento que o indivíduo faz sobre sua vida (Keyes & cols., 2002) e que refl ete o quanto esse indivíduo se percebe distante ou próximo a suas aspirações (Campbell & cols., 1976). Trata-se, segundo Neugarten, Havighurst e Tobin (1961), de um estado psicológico que guarda estreita relação com bem-estar mais do que avaliações objetivas da qualidade de vida pessoal. Neugarten e cols., afirmam, ainda, que uma pessoa com alta qualidade de vida poderia relatar insatisfações, enquanto uma pessoa com baixa qualidade de vida poderia até revelar satisfações com a vida. O conceito é ainda considerado como uma dimensão subjetiva de qualidade de vida, ao lado de felicidade e bem-estar. Na abordagem objetiva de qualidade de vida, entende-se que saúde, ambiente físico, recursos, moradia e outros indicadores observáveis e quantificáveis contemplam o espectro da qualidade de vida que uma pessoa detém. Por outro lado, a perspectiva subjetiva de qualidade de vida, incluindo-se nela satisfação com a vida, é defendida como uma possibilidade de se levar em conta, em avaliações individuais, diferenças culturais na percepção do padrão de vida.

    Nesse sentido, aceita-se como relevante que mesmo quando certos grupos compartilham a mesma cultura, observam-se variações entre os indivíduos quanto a suas crenças, valores, objetivos e necessidades. Sem compreender os valores e crenças de uma população e como estes são manifestados individualmente, a avaliação de qualquer tema sobre a vida pessoal seria arbitrária. Parece, portanto, que satisfação com a vida teve suas origens nas concepções de qualidade de vida, tendo sido um conceito apropriado e redefinido por estudiosos das ciências comportamentais para compor um dos elementos que integram a definição de BES.

    As tentativas para integrar satisfação com a vida ao conceito de BES são relativamente antigas. A primeira vez que se aproximou o conceito ao de bem-estar foi em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos no ano de 1957, coordenada por Gurin e publicada em 1960 (Gurin & cols., 1960), um survey populacional em que se aferiu níveis de satisfação com a vida, felicidade e moral.

    Nesse estudo, entretanto, satisfação com a vida era ainda considerada um componente de qualidade de vida, assim como também eram os conceitos de felicidade e moral (Keyes & cols., 2002). Nos anos 1980, diversos pesquisadores (George & Bearon, 1980; Stones & Kozma, 1980; Stull, 1987) já reconheciam satisfação com a vida como dimensão cognitiva de BES. Reconhecer tal natureza tornou-se importante não só porque era possível distinguir satisfação com a vida do componente emocional de BES, afetos positivos/negativos, como também porque possibilitava compreender como se dava a estruturação dos dois componentes de BES entre amostras com características demográficas distintas.

    Como conseqüência desse reconhecimento, pôde-se identificar, por exemplo, que pessoas idosas eram mais satisfeitas com suas vidas do que pessoas jovens, mas estas relatavam menos afetos positivos do que aquelas (Andrews & Robinson, 1991; Campbell, 1981). Ademais, o reconhecimento de satisfação com a vida como componente cognitivo de BES propiciou aos estudiosos em psicologia contar com elaborações teóricas mais consistentes, que lhes permitem investigar bem-estar como um construto formatado dentro dos domínios da psicologia e proceder a investigações usando medidas específicas de cada um dos componentes de BES, bem como avaliar relações entre os seus componentes cognitivo (satisfação com a vida) e emocional (afetos positivos e negativos).

    Uma primeira medida de satisfação com a vida foi desenvolvida por Neugarten e colaboradores em 1961. A medida continha duas versões, A e B, construídas para avaliar sentimentos gerais de bem-estar que permitissem identificar envelhecimento bem-sucedido. A versão A contém um checklist de 20 frases, sendo 12 positivas e oito negativas (ex.: Eu tenho tido mais sorte na vida do que a maioria das pessoas) com as quais o respondente concorda ou discorda. A versão B inclui 12 questões abertas sobre as quais é atribuído um escore após análise do conteúdo das respostas (ex.: Qual é a coisa mais importante de sua vida no momento?).

    Uma medida de satisfação com a vida, denominada Escala de Satisfação Geral com a Vida – ESGV, foi desenvolvida e validada por pesquisadores no Brasil (Siqueira, Gomide & Freire, 1996). A ESGV é uma escala unidimensional que contém 31 frases, cobrindo o mesmo número de aspectos, tais como amigos, aparência física e nível de instrução, e permite avaliar o quanto cada indivíduo está satisfeito ou insatisfeito com cada um deles por uma escala de respostas de cinco pontos (1=muito insatisfeito, 2=insatisfeito, 3=nem satisfeito nem insatisfeito, 4=satisfeito, 5=muito satisfeito). A precisão da escala é de 0,70. O largo leque de aspectos integrantes da ESGV permite ao pesquisador ter um panorama geral do nível em que indivíduos e grupos se sentem satisfeitos mediante uma avaliação global de sua vida. Portanto, a ESGV não permite avaliar satisfações em domínios especificos da vida.

    Na próxima seção, serão apresentadas as origens e as dimensões de outra perspectiva de estudos em psicologia sobre bem-estar, qual seja, aquela em que os pesquisadores se basearam no funcionamento psicológico positivo para erigir o conceito de bem-estar psicológico, também referido por Ryan e Deci (2001) como bem-estar eudemônico.

    Bem-Estar Psicológico

    As proposições acerca do conceito de bem-estar psicológico (BEP) apareceram como críticas à fragilidade das formulações que sustentavam BES e aos estudos psicológicos que enfatizaram a infelicidade e o sofrimento e negligenciaram as causas e conseqüências do funcionamento positivo.

    Os trabalhos de Ryff (1989) e, mais tarde, Ryff e Keyes (1995) são dois marcos na literatura sobre o tema. Segundo esses autores, as formulações teóricas em que se apoiam o campo de estudos de BES são frágeis por diversas razões.
    Como primeiro argumento, apontam o fato de que o clássico estudo de Bradburn (1969) que sugeriu a existência de duas dimensões na estruturação dos afetos (positivos e negativos) são resultantes do efeito de serendipidade, visto que Bradburn, na época, buscava identifi car como certas mudanças sociais de nível macro (mudanças em níveis educacionais, padrões de emprego, urbanização ou tensões políticas) afetavam o padrão de vida dos cidadãos e este o seu senso de bem-estar, dando-se atenção mínima para compreensão de bem-estar.

    De modo similar, satisfação com a vida, postulada como componente cognitivo de BES, surge como tal após deslocamentos do conceito que emergiu no campo sociológico, sem que o mesmo tenha assento teórico consistente em psicologia.
    Como segundo argumento para sustentar as proposições de BEP, os autores (Ryff, 1989; Ryff & Keyes, 1995) afirmam que dentro do campo de teorização psicológica existem diversas teorias que permitem construir concepções sólidas sobre o funcionamento psíquico, enfatizando-se os seus aspectos positivos.

    Deste corpo teórico, basicamente desenvolvido nos anos 1950 e 1960, seria possível retirar suportes conceituais para conceber o processo aplicado na resolução de desafios que se apresentam durante a vida (Keyes & cols., 2002) e que constituem o entendimento central de BEP.

    Enquanto BES tradicionalmente se sustenta em avaliações de satisfações com a vida e num balanço entre afetos positivos e negativos que revelam felicidade, as concepções teóricas de BEP são fortemente construídas sobre formulações psicológicas acerca do desenvolvimento humano e dimensionada sem capacidades para enfrentar os desafios da vida.

    Segundo uma síntese apresentada por Ryff (1989), após análise e revisão da literatura, a estrutura de uma abordagem acerca do funcionamento psicológico positivo apóia-se em diversas teorias clássicas existentes em psicologia que se assentam em uma abordagem clínica, ressaltando-se, entre outras, as que tratam particularmente dos fenômenos da individuação (Jung, 1933), auto-realização (Maslow, 1968), maturidade (Allport, 1961) e completo funcionamento ( Rodgers, 1961). Também foram utilizadas, nesse mesmo intento, visões teóricas sobre desenvolvimento humano (Erickson, 1959; Neugarten, 1973), incluindo-se nesse domínio o uso das formulações sobre estágios de desenvolvimento, bem como as descrições de mudanças na personalidade nas fases adulta e de velhice.

    Ao lado de todas essas vertentes, também foram utilizadas as proposições relativas à saúde mental (Jahoda, 1958), aplicadas para justifi car o conceito de bem-estar como ausência de doença e fortalecer o significado de saúde psicológica. Tomando como referenciais todas essas concepções teóricas e, especialmente, as que permitiam delas abstrair visões distintas do funcionamento psicológico positivo, Ryff (1989) elaborou uma proposta integradora ao formular um modelo de seis componentes de BEP, reorganizado e reformulado posteriormente por Ryff e Keyes (1995), cujas defi nições são apresentadas a seguir:

    Auto-aceitação: Definida como o aspecto central da saúde mental, trata-se de uma característica que revela elevado nível de autoconhecimento, ótimo funcionamento e maturidade. Atitudes positivas sobre si mesmo emergem como uma das principais características do funcionamento psicológico positivo.
    Relacionamento positivo com outras pessoas: Descrito como fortes sentimentos de empatia e afeição por todos os seres humanos, capacidade de amar fortemente, manter amizade e identificação com o outro.
    Autonomia: São seus indicadores o locus interno de avaliação e o uso de padrões internos de auto-avaliação, resistência à aculturação e independência acerca de aprovações externas.
    Domínio do ambiente: Capacidade do indivíduo para escolher ou criar ambientes adequados às suas características psíquicas, de participação acentuada em seu meio e manipulação e controle de ambientes complexos.
    Propósito de vida: Manutenção de objetivos, intenções e de senso de direção perante a vida, mantendo o sentimento de que a vida tem um significado.
    Crescimento pessoal: Necessidade de constante crescimento e aprimoramento pessoais, abertura a novas experiências, vencendo desafi os que se apresentam em diferentes fases da vida.

    Por meio de um estudo com amostra nacional de 3.032 americanos com idade entre 25 e 74 anos, Keyes e cols. (2002) procuraram apresentar evidências empíricas sobre as relações entre BES e BEP. Análises fatoriais confirmaram que os dois conceitos, embora mantivessem correlações entre si, poderiam ser considerados distintos e serem mantidas suas identidades conforme consta na literatura. Os resultados do estudo também revelaram que um estado ótimo de bem-estar, definido pelas autoras como alto BES e alto BEP, aumentava com a idade, com o nível educacional, com fortes traços disposicionais, tais como extroversão e conscienciosidade, mas decrescia com o neuroticismo, considerado este último um componente negativo da personalidade.

    Ao observar entre os participantes adultos de sua amostra quais eram as características de pessoas que apresentavam BES superior a BEP ou o inverso, verificou-se que entre eles estavam os mais jovens, que galgaram níveis educacionais mais elevados e que mostravam, como traço de personalidade, maior abertura a experiências.

    Bem-Estar no Trabalho

    Ainda não existem na literatura concepções claras sobre o conceito de bem-estar no trabalho. Quando tratam do assunto, os pesquisadores escolhem conceitos diversos para representá-lo, quer seja um fator positivo como satisfação com o trabalho (Amaral & Siqueira, 2004) quer seja conceitos negativos como burnout (Maslach, Schaufeli & Leiter, 2001) ou estresse (Byrne, 1994). Ademais, bem-estar e saúde são abordados de forma interdependente, especialmente quando os pesquisadores apontam fatores que possam comprometer ambos, tais como perigos do ambiente de trabalho, fatores de personalidade e estresse ocupacional (Danna & Griffi n, 1999) ou, ainda, segurança no trabalho, horas trabalhadas, controle do trabalho e estilo gerencial (Sparks, Fargher & Cooper, 2001).

    Para os propósitos deste artigo, bem-estar no trabalho é concebido como um conceito integrado por três componentes:
    satisfação no trabalho, envolvimento com o trabalho e comprometimento organizacional afetivo. Esses três conceitos, já consolidados no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho, representam vínculos positivos com o trabalho (satisfação e envolvimento) e com a organização (comprometimento afetivo) conforme relatam Siqueira e Gomide Jr. (2004).

    Foi tomada como referência teórica para as formulações acerca do conceito de bem-estar no trabalho as proposições de Diener e cols. (2003) sobre a estruturação do conceito de bem-estar subjetivo, apresentada pelos autores como um modelo hierárquico de felicidade. Nesse modelo, os autores defendem que bem-estar subjetivo reflete uma avaliação geral da vida e que pesquisadores interessados em investigá-lo deveriam avaliar diversos componentes de níveis inferiores na hierarquia. No topo da hierarquia, quatro grandes componentes representam bem-estar subjetivo: afetos positivos, afetos negativos, satisfação geral com a vida e satisfação com domínios específicos. Essa estrutura de quatro componentes inclui, na realidade, duas grandes dimensões psicológicas: emoções e cognições. Representando as emoções estão afetos positivos e negativos e representando as cognições estão as avaliações geral e específicas sobre a vida.

    Com inspiração nesse modelo, sugere-se que bem-estar no trabalho possa ser entendido como um construto psicológico multidimensional, integrado por vínculos afetivos positivos com o trabalho (satisfação e envolvimento) e com a organização (comprometimento organizacional afetivo). A estrutura proposta para o conceito de bem-estar no trabalho aglutina três conceitos com conotações positivas, na medida em que abarca ligações prazerosas no contexto de trabalho, como demonstrado a seguir pelas definições contidas na literatura:
    Satisfação no trabalho: “[…] um estado emocional positivo ou de prazer, resultante de um trabalho ou de experiências de trabalho.” (Locke, 1976, p. 1.300).

    Envolvimento com o trabalho: “[…] grau em que o desempenho de uma pessoa no trabalho afeta sua auto-estima” (Lodahl & Kejner, 1965, p. 25).
    Comprometimento organizacional afetivo: “[…] um estado no qual um indivíduo se identifi ca com uma organização particular e com seus objetivos, desejando manter-se afiliado a ela com vista a realizar tais objetivos” (Mowday, Steers & Porter, 1979, p. 225).

    As três definições acima representam as concepções seminais dos três conceitos. Entretanto, para integrar o conceito de bem-estar no trabalho, considera-se necessário avançar sobre essas concepções.

    Mais recentemente, satisfação no trabalho, embora persistam controvérsias quanto à sua natureza cognitiva ou afetiva, tem sido apontada como um vínculo afetivo positivo com o trabalho, e têm sido definidas como aspectos específicos deste vínculo as satisfações que se obtêm nos relacionamentos com as chefias e com os colegas de trabalho, as satisfações advindas do salário pago pela empresa, das oportunidades de promoção ofertadas pela política de gestão da empresa e, finalmente, das satisfações com as tarefas realizadas. Portanto, o conceito de satisfação evoluiu para uma concepção multidimensional, que envolve avaliações prazerosas sobre cinco domínios específi cos no ambiente de trabalho (Siqueira & Gomide Jr, 2004).

    Envolvimento com o trabalho, após mais de quatro décadas de sua concepção original proposta por Lodhal e Kejner (1965), permite compreendê-lo mais contemporaneamente como um estado de fluxo (Csikszentmihalyi, 1997/1999).
    Para compreensão dessa abordagem, faz-se necessário entender o que signifi ca estado de fl uxo. Segundo Csikszentmihalyi (1997/1999), o estado de fluxo ocorre em momentos em que o que sentimos, desejamos e pensamos se harmonizam. Esses momentos […] costumam ocorrer quando alguém encara metas que exigem respostas apropriadas. É fácil entrar em fluxo em jogos de xadrez, tênis ou pôquer, porque eles possuem metas e regras para a ação que tornam possível ao jogador agir sem questionar o que deve ser feito e como fazê-lo.

    Ainda segundo o autor, atividades ou experiências de fluxo ocorrem quando há concentração em metas, há feedback imediato e quando altos desafios são respondidos por altas habilidades individuais. Nessas condições, a energia de um indivíduo estaria concentrada na experiência: desaparecem pensamentos e sentimentos contraditórios, esvai-se a noção de tempo e as horas parecem passar como minutos. Para avaliar se alguém é capaz de experimentar um estado de fluxo, o autor propõe que se responda à seguinte questão:

    “Você se envolve em algo tão profundamente que nada mais parece importar, a ponto de perder a noção do tempo?” (Csikszentmihalyi, 1997/1999,).
    Na visão de Csikszentmihalyi (1997/1999), o trabalho também produz fluxo. Isso ocorre quando as atividades de trabalho incluem desafi os que exigem habilidades especiais e as metas estabelecidas e o feedback são claros e imediatos. Nessas condições, o trabalho se assemelha a atividades que produzem fluxo, desencadeando no indivíduo maior envolvimento e transformando a atividade em uma experiência positiva. Assim, poderiam florescer sensações muitos semelhantes às que se experimentam quando alguém pratica seu esporte favorito ou desempenha uma atividade artística.

    Nesse sentido, o envolvimento com o trabalho seria um conceito muito próximo à noção de fluxo.
    O terceiro componente apontado neste artigo como integrante do conceito de bem-estar no trabalho é o comprometimento organizacional afetivo. Ele representa a concepção de ligação positiva do empregado com um empregador, de elevada identificação com os objetivos da organização Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, 2008, Vol. 24 n. 2, pp. 201-209 207 Bem-Estar Subjetivo, Psicológico e no Trabalho (Borges-Andrade, 1994; Mowday & cols., 1979) e de reconhecimento sobre o quanto estar ligado àquela organização pode repercutir positivamente na vida do indivíduo .

    A ligação afetiva com uma organização pode incluir experiências emocionais positivas, que se traduzem em sentimentos positivos como entusiasmo, orgulho, contentamento, confiança, apego e dedicação (Siqueira, 1995). Com essa concepção, o comprometimento afetivo traz para o conceito de bem-estar no trabalho uma visão de que as relações estabelecidas pelo indivíduo com a organização que o emprega estão assentadas em uma interação que lhe propicia vivências positivas e prazerosas.

    Caso essa situação não se confirme, entende-se que poderiam ser experimentadas sensações negativas ou de desprazer por trabalhar em uma organização. Nesse caso, seria observada ausência do compromisso afetivo e possível desencadeamento de experiências negativas no dia-a-dia do trabalhador.

    Para que se possa observar entre trabalhadores um nível elevado de bem-estar no trabalho, seria necessário que eles relatassem estar satisfeitos com o trabalho, reconhecessem envolvimento com as tarefas que realizam e, finalmente, revelassem que mantêm compromisso afetivo com a organização empregadora.

     

     

  • COMO CUIDAR DOS SEUS PÉS

    COMO CUIDAR DOS SEUS PÉS

    Pode ser que você não pense com muita freqüência nos seus pés – bem no final de suas pernas – mas eles são parte essencial de quase tudo que você faz. Seja para andar, correr, exercitar-se ou apenas ficar em pé, ter pés confortáveis e bem cuidados (em vez de doloridos) torna a experiência muito mais prazerosa.

    Hei! Lembra-se de nós? Bem aqui embaixo? Cuide de seus pés para evitar dores que possam se transformar em problemas crônicos. Veja mais imagens da saúde dos pés (em inglês).

    E isso não é apenas uma questão de se sentir bem. Quando seus pés não recebem a atenção de que precisam, podem se desenvolver problemas crônicos que possivelmente o incomodarão durante anos. Em muitos casos, há alguns alongamentos e exercícios simples que podem ajudar a manter seus pés em forma. Esse artigo apresentará algumas idéias, além de orientações valiosas que o tornarão um especialista em comprar calçados – capaz de sempre escolher sapatos confortáveis e que lhe dêem sustentação (no tamanho certo).

    Entretanto, existem algumas situações em que não se recomenda que você cuide de seus pés por conta própria. Quando ocorre alguma lesão séria ou uma emergência, você deve procurar um podólogo – ou mesmo um pronto-socorro. As pessoas que têm problemas constantes de circulação ou diabetes,  também devem se consultar com um médico para resolver quaisquer problemas relacionados aos pés. Aqui vai o porquê: problemas de circulação geralmente estão associados a pés de pessoas de idade, mas o fato é que qualquer pessoa pode ter esse tipo de problema. Quando não há sangue suficiente circulando nos pés, você pode sentir formigamento, dormência, cãibra e descoloração da pele e das unhas.

    Circunstâncias do dia-a-dia podem limitar o fluxo de sangue: quando os pés ficam gelados ao ar livre ou em água fria; quando os sapatos, meias ou roupas íntimas estão muito apertadas; mesmo quando você fica sentado por muito tempo com as pernas cruzadas. Fumar (em inglês) diminui a circulação do corpo todo, assim como beber muito café ou refrigerante cafeinado (tanto a nicotina quanto a cafeína comprimem os vasos sanguíneos). E se você estiver sob muita pressão, seus nervos podem comprimir seus vasos sanguíneos pequenos, diminuindo sua capacidade de conduzir o sangue. Alguns noivos nervosos realmente ficam com os “pés gelados”!

    Outras pessoas têm problemas de saúde contínuos, como a diabetes, que faz a circulação ficar mais lenta. Além disso, para a maioria de nós, um corte ou uma bolha no pé até incomoda, mas é um problema relativamente insignificante. Para um diabético, essas “pequenas” feridas podem ter sérias conseqüências. Os pés de um diabético têm duas desvantagens comuns que podem levar a problemas sérios e específicos.

    Além da circulação reduzida, uma perda da sensibilidade nos pés, chamada neuropatia, pode fazer com que o diabético não sinta pequenas dores que normalmente indicam que nos cortamos ou machucamos. Como resultado, os problemas menores podem passar despercebidos e não serem tratados, e se desenvolver uma infecção.

    Por esse motivo, saber como cuidar de seus pés é importantíssimo.

    Uma das melhores maneiras de evitar problemas nos pés é o cuidado preventivo.

     

     

  • O QUE PROVOCA O ENVELHECIMENTO

    O QUE PROVOCA O ENVELHECIMENTO

    Há poucas diferenças físicas entre um grupo de alunos da primeira série. Porém, se você der uma olhada no mesmo grupo 65 anos depois, as diferenças físicas são em número muito maior do que as semelhanças. Alguns serão símbolos da saúde, ao passo que outros estarão lutando com um ou mais problemas crônicos. Uns estarão vigorosos; outros, letárgicos.

    Os genes e o ambiente são apenas alguns dos fatores que podem afetar ou causar o envelhecimento.

    À medida que envelhecemos, vamos ficando cada vez menos fisicamente parecidos com nossos semelhantes. Isso acontece em razão da soma de nossas experiências de vida. Aos seis anos, ainda não aconteceu muita coisa a nossos corpos a ponto de nos deixar radicalmente diferentes dos outros.

    Na meia-idade e na terceira idade, já tivemos décadas para desenvolver e manter hábitos que causam grandes impactos sobre nossa saúde, tanto positiva quanto negativamente.

    Mãos velhas

    Muita gente se preocupa com o envelhecimento do rosto e esquece das mãos. Saiba o que causa o envelhecimento das mãos e os tratamentos específicos.O ambiente também afeta nossa saúde, incluindo o local onde trabalhamos e vivemos e o quanto nos expomos a doenças contagiosas. O ato de envelhecer é universal, mas cada um de nós passa por isso de maneiras diferentes.

    Quando estamos velhos?

    O envelhecimento pode até ser inevitável, mas o ritmo em que ele acontece não é. O motivo e a maneira como nossos corpos envelhecem ainda estão envoltos em bastante mistério, embora estejamos aprendendo mais a cada ano que passa. Os cientistas, no entanto, acreditam que a idade cronológica tem pouco a ver com a idade biológica, ou seja, o número de velas em seu bolo de aniversário só funciona como um marcador de tempo e, na verdade, diz muito pouco sobre sua saúde.

    Natureza ou criação?

    As complexidades do envelhecimento dificultam a descoberta do motivo exato pelo qual uma pessoa envelhece bem, enquanto outra parece e age como se fosse mais velha do que realmente é. Boa saúde e resistência são passados de geração para geração como olhos azuis e cabelos loiros?

    Ou será que são produto do ambiente, incluindo os alimentos que comemos, a exposição a compostos químicos perigosos ou doenças contagiosas ou a falta de exercícios regulares? Certamente todos têm sua importância, mas ainda não sabemos qual exerce mais influência.Os genes são muito bons em prever a saúde e a longevidade, ou doenças e morte, mas são apenas uma parte da história toda. Se seus pais e avós chegaram bem aos 90 anos, são boas as chances de que você também consiga, contanto que não abuse de seu corpo no meio do caminho (cientistas dizem que toda a genética pára de exercer influência quando chegamos aos 80, pois a partir daí o histórico familiar não afeta a longevidade, ou afeta pouquíssimo).

    Caso seu pai tenha morrido jovem com um ataque do coração ou sua mãe tenha tido câncer, você pode estar geneticamente predisposto a ter essas doenças. Os cientistas do Projeto Genoma Humano continuam a descobrir mais e mais determinantes genéticos para doenças crônicas e fatais.Embora os genes determinem, parcialmente, quem irá desenvolver problemas crônicos que aceleram o processo de envelhecimento, como câncer e doenças cardíacas, não há dúvidas de que um estilo de vida saudável é sua melhor arma contra seus genes, ou mesmo a chave de ouro, caso já tenha genes bons.Um homem cujos pais e irmãos tenham morrido de ataque cardíaco durante os 40 e 50 anos de idade pode escapar do mesmo destino ao se exercitar regularmente e manter seus níveis de colesterol e peso corporal sob controle.

    Por outro lado, um homem sem nenhuma predisposição genética para doenças do coração pode criar problemas cardíacos se comer alimentos gordurosos e que obstruem as artérias ou levar um estilo de vida totalmente sedentário.Estilos de vida saudáveis atrasam várias das mudanças trazidas pela idade e nunca é tarde demais para pegar a estrada da saúde. Ingerir alimentos nutritivos ajuda muito a garantir a boa saúde; por exemplo, obter quantidade suficiente de cálcio e vitamina D em qualquer idade irá retardar o início e a progressão da osteoporose, uma doença óssea que causa dor, fraturas, hospitalização e até morte para os mais velhos.Caso seja um fumante e decida parar, em qualquer momento de sua vida, já terá diminuídas as chances de ter um ataque cardíaco. Praticar exercícios ou tornar-se mais ativo fisicamente aumenta o funcionamento pulmonar e diminui o risco de um ataque cardíaco, independentemente de sua idade.

    Como envelhecemos?

    As células, unidade mais básica do corpo, estão no cerne de qualquer discussão sobre o envelhecimento. Temos trilhões de células e elas se dividem em diferentes tecidos que compõem órgãos, como seu cérebro, coração e pele.Algumas células, como as que revestem o trato gastrointestinal, reproduzem-se continuamente, ao passo que outras, como as células no interior das artérias, ficam dormentes e se replicam em resposta a ferimentos.

    Há outras, contudo, incluindo as células cardíacas, nervosas e musculares, que não podem se reproduzir. Algumas dessas células que não se reproduzem possuem curtos períodos de vida e devem ser substituídas continuamente por outras células (células vermelhas e brancas do sangue são bons exemplos disso).Outras, como as células nervosas e cardíacas, vivem por anos ou até décadas. Ao longo do tempo, a morte celular ocorre em um ritmo mais rápido do que a produção celular, o que nos deixa com menos células. Como resultado, ficamos com uma capacidade menor de reparar o desgaste do corpo e com nosso sistema imunológico comprometido.

    Acabamos ficando mais suscetíveis a infecções e menos eficientes na tarefa de procurar e destruir células mutantes que poderiam causar tumores. Na verdade, vários adultos mais velhos sucumbem a problemas a que teriam resistido quando eram mais jovens.Embora a morte celular seja a base necessária para a compreensão do processo de envelhecimento, não é o único fator. Esse processo é extremamente complicado e costuma ser difícil distingüir entre as alterações que são resultado do tempo e as que derivam de condições médicas mais comuns, incluindo pressão alta e doenças cardíacas.O envelhecimento é o declínio inevitável da resistência do corpo levando à diminuição das capacidades, tanto mentais quanto físicas.

    Algumas alterações da idade afetam a todos nós. Um exemplo é a diminuição da qualidade da visão: consideramos normal a necessidade de óculos para compensar a perda de visão, principalmente porque esse problema afeta todo mundo que viver muito tempo.Por outro lado, a catarata, formações no cristalino do olho que nublam nossa visão, pode ser prevenida e não é considerada parte do processo de envelhecimento, apesar de surgir predominante em pessoas mais velhas. Para complicar ainda mais, os órgãos envelhecem em velocidades diferentes, o que explica o motivo de alguém de 50 anos conseguir ouvir tão bem quanto alguém 20 anos mais novo, mas, ao mesmo tempo, ter artrite e pressão alta.Há várias teorias sobre as causas do envelhecimento. Algumas dizem que o envelhecimento está pré-programado em nossas células, ao passo que outras afirmam que o envelhecimento é o principal resultado dos danos sofridos por nossas células.

    Que som é esse?

    De acordo com a teoria, é seu relógio biológico, movendo-se a um ritmo pré-determinado. Essa mesma teoria diz que o DNA, o material genético das células, tem a data de morte marcada desde o dia em que você nasce. Embora essa teoria pareça fatalista na superfície, lembre-se de que biologia não tem nada a ver com destino. Não dá para mudar seus genes, mas é possível diminuir o ritmo do tempo com boa alimentação e atividade física regular.

    Seu corpo produz hormônios que ajudam a regular inúmeras funções, incluindo crescimento, comportamento, reprodução e sistema imunológico. Na juventude, a produção hormonal é alta, mas, conforme se vai envelhecendo, os níveis hormonais caem diminuindo a capacidade do corpo de se reparar e se manter funcionando perfeitamente.

    O trabalho das células produz dejetos. Ao longo do tempo, as células acabam produzindo mais dejetos do que conseguem eliminar, o que pode afetar sua própria capacidade de funcionamento e lentamente levar à morte. A lipofuscina, ou pigmento do envelhecimento, é um dos dejetos encontrados principalmente em células nervosas e nos músculos cardíacos. A lipofuscina, que liga gordura a proteínas nas células, vai se acumulando com o tempo e pode interferir no funcionamento celular.

    O colágeno da proteína está no centro dessa teoria. O colágeno, algo como a cola do corpo, é uma das proteínas mais comuns na composição da pele, ossos, ligamentos e tendões. Na juventude, ele é flexível, mas conforme envelhecemos vai se tornando mais rígido e encolhe. É por isso que sua pele fica menos elástica do que antes.

    Deixando a estética de lado, ligações cruzadas podem bloquear o transporte de nutrientes para as células e obstruir a remoção de dejetos. Os radicais livres são saqueadores que circulam por seu corpo, prontos a atacar células saudáveis, sendo produzidos como parte das milhões de reações químicas realizadas por seu corpo para sustentar a vida.

    Além disso, seu corpo também produz radicais livres em resposta a toxinas do ambiente, como quantidade excessiva de exposição desprotegida à luz do sol e à fumaça do cigarro. Os radicais livres oxidam suas células (assim como o metal, que enferruja). Como são moléculas desequilibradas e voláteis, sacrificam as células saudáveis para ficarem mais estáveis.

    Ao fazer isso, os radicais livres destroem ou alteram o DNA, o diagrama genético da célula, e afetam várias outras funções celulares. Os radicais livres podem matar as células como resultado de seus ataques ou criar células mutantes que levam a outros problemas crônicos, incluindo câncer e doenças cardíacas. Felizmente, o corpo tem um sofisticado sistema de defesa contra os radicais livres. Infelizmente, porém, essas defesas perdem eficácia com o tempo e os danos celulares se tornam maiores.

    Essa teoria também poderia ser chamada de Teoria Use e Perca. A idéia é de que o uso e o excesso de uso dos órgãos os deixa cada vez mais perto da destruição. Acredita-se que a alimentação ruim, o excesso de álcool e o fumo aceleram o desgaste natural do corpo. Com a idade, o corpo perde sua capacidade de se reparar.

    Como ocorre o desgaste?

    Os radicais livres, que causam os danos celulares, podem ser os culpados. Assim como a ideia do desgaste, essa teoria diz que você nasce com uma certa quantidade de energia. Se viver em ritmo “rápido”, vai morrer jovem, já que usou suas reservas de energia mais rapidamente. Já as “pessoas relaxadas”, que sofrem menos estresse e levam a vida com mais tranqüilidade, conseguiriam viver mais se essa teoria se mostrar correta.

    A defesa mais importante contra germes e toxinas é um sistema imunológico forte. São as células brancas que englobam e destroem possíveis pestes, como as bactérias e os vírus. Além disso, elas ainda fabricam anticorpos, os “soldados” que patrulham a corrente sanguínea, atacando e desarmando qualquer substância que não reconheçam como parte do corpo.

    O problema é que o sistema imunológico perde sua eficiência com o tempo, fazendo com que menos anticorpos sejam produzidos e aumentando seu risco de contrair infecções. E mais: o corpo pode começar a produzir anticorpos que destroem seu próprio tecido, as chamadas doenças auto-imunes, como lúpus e artrite reumatoide.

     

     

  • 16 FATOS CURIOSOS SOBRE O CORPO

    16 FATOS CURIOSOS SOBRE O CORPO

    1 – Impressão da língua
    Não saia mostrando a língua por aí se quiser esconder sua identidade. Similar à impressão digital, todo mundo tem uma impressão da língua única e exclusiva.

    2 – Perda de pele e pelos
    Seu animal de estimação não é o único na casa com problema de queda de pelos. Os humanos perdem 600 mil partículas de pele por hora. Isso resulta em cerca de 680 g por ano, por isso uma pessoa comum terá perdido cerca de 47 kg de pele até os 70 anos de idade.

    3 – Contagem de ossos
    Um adulto tem menos ossos que um bebê. Começamos a vida com 350 ossos, mas como eles se fundem durante o crescimento, terminamos com apenas 206 quando adultos.

    4 – Novo estômago
    Você sabia que seu estômago ganha um revestimento novo a cada três ou quatro dias? Do contrário, os ácidos fortes que seu estômago usa para digerir a comida também o fariam digerir-se.

    5 – Memória de cheiro
    Seu nariz pode não ser tão sensível quanto o de um cachorro, mas ele é capaz de lembrar-se de 50 mil cheiros diferentes.

    6 – Intestinos longos
    O intestino delgado é cerca de quatro vezes maior que a altura de um adulto médio. Se ele não desse voltas e mais voltas, seu comprimento de 5,5 m a 7 m não caberia dentro da cavidade abdominal, tornando as coisas meio bagunçadas para nós.

    7 – Bactérias
    Isso realmente vai fazer sua pele arrepiar: cada 6,4 cm2 de pele no corpo humano tem cerca de 32 milhões de bactérias, mas felizmente, a grande maioria delas não oferece risco algum.

    8 – Fonte do odor do corpo
    A fonte de pés com chulé, como a do cecê, é o suor. E as pessoas transpiram muito em seus pés. Um par de pés tem 500 mil glândulas sudoríparas e pode produzir mais de 470 ml de suor por dia.

    9 – Velocidade do espirro
    O ar do espirro humano pode viajar a uma velocidade de 160 km/h ou mais – outra boa razão para você cobrir seu nariz e boca quando espirrar, ou desviar a cabeça quando ouvir um vindo em sua direção.

    10 – Distância do sangue
    O sangue tem uma longa estrada para percorrer: estendidos de ponta a ponta, há cerca de 96,5 mil km de vasos sanguíneos no corpo humano. E o trabalhador árduo que é o coração bombeia cerca de 7.500 litros de sangue através dessas veias todos os dias.

    11 – Quantidade de saliva
    Você pode não querer nadar em sua saliva, mas se você guardasse toda ela, poderia. Durante sua vida, uma pessoa média produz cerca de 23.650 litros de saliva – o suficiente para encher duas piscinas.

    12 – Altura do ronco
    Aos 60 anos de idade, 60% dos homens e 40% das mulheres vão roncar. Mas o som de um ronco pode parecer ensurdecedor. Embora o ronco beire os 60 decibéis (o nível de ruído de uma fala normal), ele pode atingir mais de 80 decibéis. Oitenta decibéis é tão alto quanto o som de uma britadeira quebrando o concreto. Os níveis de ruído acima de 85 decibéis são considerados perigosos ao ouvido humano.

    13 – Cor e quantidade de cabelo
    Louras podem ou não se divertir mais, mas elas definitivamente têm mais cabelo. A color dos cabelos ajuda a determinar quão denso o cabelo da cabeça é, e as louras (apenas as naturais, claro), lideram a lista. A cabeça humana média tem 100 mil folículos capilares, cada um dos quais é capaz de produzir 20 fios de cabelos durante a vida de uma pessoa. As louras têm cerca de 146 mil folículos. As morenas tendem a ter cerca de 110 mil folículos, enquanto aquelas com cabelos castanhos têm exatos 100 mil folículos. As ruivas têm a cabeleira menos densa, com cerca de 86 mil folículos

    14 – Crescimento das unhas
    Se você corta as unhas das mãos com mais frequência que a dos pés, isso é natural. As unhas que ficam mais expostas e são mais usadas geralmente crescem mais rápido. As unhas dos dedos das mãos crescem mais rápido na mão que você escreve e nos dedos mais longos. Em média, unhas crescem cerca de 2,5 mm por mês.

    15 – Peso da cabeça
    Não é de se espantar que os bebês têm dificuldade para sustentar suas cabeças: a cabeça humana tem 1/4 do nosso comprimento total ao nascimento, mas apenas 1/8 quando chegamos à fase adulta.

    16 – Necessidade de sono
    Se você disser que está morrendo por uma boa noite de sono, pode estar sendo literal. Dá até para ficar sem comer por semanas sem sucumbir, mas 11 dias é o máximo que se chega sem dormir. Depois de 11 dias, você dormirá – para sempre!

     

     

  • SISTEMAS DO CORPO HUMANO

    SISTEMAS DO CORPO HUMANO

    O corpo humano é dividido em sistemas e o instrumentador cirúrgico deve ter conhecimento básico sobre estes sistemas para que possa atuar em qualquer tipo de cirurgia. Este sistema é representado pela pele e seus anexos. A pele é o responsável pelo revestimento do corpo.

    Sua função é proteger o corpo contra a entrada ou saída exagerada de líquidos, manterem a temperatura interna estável, defender o organismo das agressões ambientais, sejam essas, de ordem química, física ou biológica, além de desempenhar um grande papel sensitivo e contribuir na produção da vitamina D.

    É composta pela derme, epiderme e tecido subcutâneo. Abaixo descreveremos os detalhes de cada camada e seus anexos. São eles:

    Epiderme: Formada por cinco camadas de células sobrepostas, não possui irrigação sanguíneas nem terminações nervosas! É ela que dá resistência à pele, pois possui grande quantidade de queratina. A epiderme que confere a pela a elasticidade e a flexibilidade.

    Derme: Encontra-se logo abaixo da epiderme, é irrigada por vasos sanguíneos e aloja as terminações nervosas, o que confere a sensibilidade à pele como um todo. Nesta camada também se localizam os vasos linfáticos, as glândulas sebáceas e as sudoríparas.

    Subcutâneo: é uma camada de tecido conjuntivo frouxo localizado abaixo da derme, a camada profunda da pele, unindo-a de maneira pouco firme aos órgãos adjacentes

    A pele possui os seus anexos, são eles:
    Pelos; Cabelos; Unhas;

    Glândulas sebáceas: São responsáveis pela lubrificação da pele e possui poder bactericida. Formam-se junto à raiz dos pelos, havendo geralmente várias glândulas para cada pelo.

    Glândulas sudoríparas: Existentes em toda a extensão do corpo, porém concentrando-se em algumas áreas específicas, como por exemplo, na região das axilas, produzindo o suor.

    Esse sistema é formado pelos ossos, cartilagens e articulações. Sua função é dar sustentação ao corpo, proteger os órgãos internos localizados em cavidades por ele limitados, como por exemplo, a caixa torácica e o crânio.

    É um elemento fundamental para a inserção dos musculoesqueléticos, alguns deles possuem em seu interior tecido hematopoiético. São de forma variada e no adulto são em número de 206.

    Podemos destacar os seguintes tipos de ossos:
    Longos: No comprimento predomina sobre a largura e espessura. Podemos citar como exemplo os ossos dos membros superiores;

    Curtos: São os que se equivalem nas três dimensões. São exemplos, rótula, ossos do carpo e vértebra.

    Planos: Comprimento e largura predominam sobre a espessura. Podemos citar como exemplos os ossos de crânio;

    Pneumáticas: Apresentam ar em seu interior e são bastante leves. Como exemplo, temos os ossos do maxilar.

    Temos ainda outras estruturas que estão relacionadas com o sistema esquelético. São elas:

    Esqueleto cefálico: É formado por uma parte superior, o crânio e uma parte inferior, a face. Os ossos do crânio formam uma caixa resistente protegendo o cérebro. Os ossos da face por sua vez protegem os órgãos do sentido como a visão, olfato e gustação.

    Articulação: É a união de dois ou mais ossos.

    Coluna vertebral: Possui 33 vértebras em sua extensão, dispostas nas regiões cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea.

    Costelas: São formadas por doze pares de ossos alongados que delimitam a cavidade torácica. Sua função é de proteção do órgão e dar sustentação do corpo.

    Esterno: É o osso achatado ímpar e ocupa a parte anterior do tórax.

    Membros superiores: São formados pela cintura escapular, braço, antebraço e mão.

    Membros inferiores: São formados pela cintura pélvica, coxa, perna e pé.

     

     

  • CONSTITUIÇÃO DO CORPO HUMANO

    CONSTITUIÇÃO DO CORPO HUMANO

    O corpo humano é constituído por células e substâncias intracelulares líquidas. São eles:

    Célula: É a menor unidade formadora dos tecidos do corpo humano. Ela é microscópica e constitui-se de uma membrana externa, citoplasma e um núcleo. Essas estruturas são imersas no citoplasma que é líquido. No núcleo encontra-se o material genético da célula.

    Tecido: É um grupo de células que possuem a mesma função e estrutura interna. O corpo humano é formado por tecidos nos quais podemos dividi-los.

    Tecido epitelial: É formado por células justapostas e reveste o organismo externamente e internamente, ou seja, a pele e as mucosas. Os tecidos epiteliais são divididos em germinativos, glandulares e de absorção.

    Tecido conjuntivo: É formado por células separadas com muita substância intercelular, na qual se encontram fibras elásticas e conjuntivas. Sua função é de proteger os órgãos de armazenar gorduras.

    Tecido adiposo: É o tecido que contém energia em forma de gordura, localizado logo abaixo da pele.

    Tecido cartilaginoso: Este tecido é formado por células afastadas entre as quais fica uma substância intercelular rígida, porém flexível. É o que forma a cartilagem encontrada na traqueia, na orelha, nos tendões, septo nasal e nas extremidades ósseas.

    Tecido ósseo: É formado por células chamadas de osteócitos, com muitas substâncias intercelulares formada por sais de cálcio deixando-a rígida, formando assim, os ossos do corpo humano.

    Tecido hematopoiético: É o tecido encontrado em determinados pontos dos organismos que é responsável pela produção de elementos do sangue

    Tecido muscular: É o tecido que forma os músculos do corpo humano. Possui células que têm a propriedade de se contrair e se alongar chamados de fibras musculares. O tecido muscular pode ainda ser subdividido conforme veremos abaixo.

    Musculatura lisa: Não apresentam estrias e são responsáveis pela de contração involuntária.

    Musculatura estriada: As células possuem estrias transversais e são responsáveis pela contração voluntária. Apresentam-se na cor vermelha. O tecido muscular cardíaco é estriado, mas sua contração é involuntária.

    Tecido nervoso: É formado por células nervosas chamadas neurônio. Sua função é transmitir os estímulos através de suas células.

     

     

  • MANUAL DA RECICLAGEM

    MANUAL DA RECICLAGEM

    Os especialistas derrubam alguns dos mitos mais difundidos sobre a reciclagem e dão dicas básicas para quem quer começar a separar o lixo.

    VALE A PENA FAZER
    Separar o lixo seco de todos os restos orgânicos: um copo sujo de cafezinho pode inutilizar quilos de papel limpo- e reciclável. Lavar as embalagens para retirar os resíduos dos alimentos e dos produtos de higiene e limpeza.

    NÃO VALE A PENA FAZER

    Separar o lixo seco por tipo de material. As empresas e cooperativas farão uma nova triagem- estando o lixo organizado ou não. Amassar latas e garrafas PET ou desmontar as embalagens longa-vida, são medidas que não encurtam em nada o processo de reciclagem.

    lampadaO LIXO ESPECIAL

    Lâmpadas
    O que fazer: separar as fluorescentes num lixo à parte. Misturados aos outros restos, os cacos costumam ferir os catadores. Já as lâmpadas incandescentes não são recicladas, uma vez que, segundo mostram as pesquisas, não causam impacto negativo no meio ambiente – elas devem ser depositadas, portanto, no lixo comum.

    bateriaBaterias
    O que fazer: reciclam-se só as de telefones sem fio, filmadoras e celulares – as outras, assim como as pilhas domésticas, têm alta concentração de metais pesados e por essa razão são tidas como prejudiciais ao meio ambiente. Deposite as pilhas domésticas em um posto de coleta e para reciclar as baterias, faça um lixo separado: como as baterias são frágeis, podem romper-se e contaminar o restante dos detritos.

    Cacos de vidros planos e de espelhos
    O que fazer: embalar em jornal e colocar num lixo separado. Seguirão para vidraçarias – e não para as tradicionais fábricas que reciclam vidro.

    OS ESTRAGOS DO ÓLEO DE COZINHAoleo
    O óleo de cozinha é um dos alimentos mais nocivos ao meio ambiente. Jogado no ralo da pia, ele termina contaminando rios e mares. Eis o número:
    1 LITRO de óleo de cozinha polui 1 MILHÃO DE LITROS de água.

    Como reciclar: colocar o óleo em garrafas PET bem vedadas e entregá-las a uma das várias organizações especializadas nesse tipo de reciclagem (ver no site www.cempre.org.br).

    Destinos do óleo usado: fábricas de sabão e produção de biodiesel.

     

     

  • HABITAÇÃO E BIOCONSTRUÇÃO

    HABITAÇÃO E BIOCONSTRUÇÃO

    bioconstrucaoEdificações – Habitações sustentáveis

    A permacultura trata das questões ligadas a abrigo, casa, estruturas de apoio, etc., da mesma maneira como outros fatores ou necessidades, sempre buscando maior eficiência.

    Para uma construção seguindo os padrões da permacultura, buscamos analisar as energias que entram no local e como estas poderão ser direcionadas a tornar mais eficientes nossas casas, galpões, oficinas, depósitos, armazéns e toda e qualquer edificação de que necessitarmos. Nossas edificações precisam de muitos serviços que podem ser aperfeiçoados com as influências naturais. A topografia, o clima, insolação, chuvas, ventos, vegetação local e qualquer outro fator natural devem ser levados em consideração.

    Estes aspectos determinam as larguras de nossas paredes, altura de pé direito, tipos de piso e altura destes em relação ao chão. Para uma edificação por menor que seja sua área a ser construída, existem alguns fatores a serem considerados. Também devemos observar as finalidades de cada edificação, pensando inclusive e principalmente quanto a auto-suficiência energética. Também devemos observar fatores sociais na hora de edificar, muitos trabalhos podem e devem ser desenvolvidos sob forma de mutirão para reduzir custos, passar conhecimentos e trocar experiências e mais ainda, sociabilizar grupos através de trabalhos coletivos.

    Na atualidade muitas são as residências que estão se tornando local de trabalho, isso devido ao desenvolvimento tecnológico e facilidades de comunicação, também como crescente mercado de serviços. Muitas pessoas e até família inteiras trabalham e residem na mesma estrutura física, ou seja, passam maior tempo nestes locais, dessa forma esse tempo deve ser o melhor possível, quanto conforto térmico e acústico, umidade do ar que respira-se em seus interiores. Os tipos de iluminação mais adequados e a tais locais e a atividades desenvolvidas. A forma de abastecimento de água, energia elétrica, energia térmica ou mecânica são importantes para o bom funcionamento da habitação.
    A interação da casa com jardins, sanitários compostáveis, banheiros para banho de verão, horta, acessos e outros elementos externos devem ser muito bem pensados. Podemos também anexar estruturas como estufas para melhor climatizar o ambiente e facilitar o trabalho de produção de mudas, estando esta mais próxima. Varandas feitas com trepadeiras e outras plantas podem substituir telhados convencionais. Áreas de serviços podem ter banheiros de verão ladeados por plantas aquáticas ou círculos de bananas, estas vão receber as águas cinza e poderão apoiar outras estruturas como horta ou estufa – nosso abrigo deve ter o maior número possível de conexões quanto a ciclagem de efluentes. Devemos posicionar nossas estruturas de maneira a aproveitar luz natural, brisas de verão, umidade, energia solar, etc. é importante lembrar que cada região tem suas características particulares e, estas devem ser levadas em consideração, não podemos utilizar determinada técnica, método ou matérias, simplesmente por temos visito isso em outra região e acharmos interessante ou esteticamente bonita.
    Muitas são as casa ou abrigos que foram construídas de forma convencional e sem levar em consideração tais fatores, neste caso pode-se fazer um planejamento para que algumas adaptações sejam realizadas de acordo com as necessidades de utilização a fim de aumentar a eficiência energética, melhorar conforto térmico e acústico, facilitar acessos entre outras. Devemos sempre respeitar aspectos inerentes a toda e qualquer obra, alguns “puxadinhos” acabam por comprometer a segurança estruturas.

    Ecoconstrução – conhecimento tradicional para construção do novo
    Há milhares de anos a humanidade construiu em terra crua. Esta, tão abundante em todos os continentes, sempre foi um dos principais materiais utilizados nas construções das primeiras habitações desde a Antiguidade. No Egito ou Mesopotâmia isso já ocorria de forma intensa. Na Europa as civilizações Romanas, na Ásia os Muçulmanos ou os Monges na China utilizavam a terra crua como matéria prima para erguer seus aglomerados habitacionais, assim surgindo os primeiros povoados. Com tal material as mais diversas civilizações antigas ergueram cidades inteiras – umas das primeiras que se tem registro histórico é Jericó, construída há séculos. Até hoje ainda existe continuidade na utilização deste material em construções nos diversos continentes ou regiões do planeta.

    Algumas técnicas

    Taipa de pilão
    A terra é compactada dentro de formas laterais de acordo com as medidas desejadas. Tal técnica já foi utilizada há séculos em inúmeras civilizações, comunidades e sociedades antigas, algumas até hoje mantém este tipo de construção, seja por ausência de poder econômico ou de material e até mesmo pela tradição de determinados povos que conseguiram manter sua cultura em alguns aspectos.
    Super adobe
    É uma técnica mais recente e propicia a construção de paredes portantes ou divisórias, estas ficam com espessura variando entre 45 cm e 60 cm, dependendo dos materiais utilizados, da função e do tipo de revestimento. Em virtude da utilização da terra o super adobe oferece melhor conforto térmico em relação a uso de materiais convencionais, além de maior economia.
    Tijolos de adobe
    Palavra Árabe ou Berbere – assimilada em espanhol e português, depois repassada as Américas onde foi adaptada para o inglês. Designa Tijolo de Terra Crua preparados em moldes e secos ao sol ou sombra, de preferência na sombra. Após ser produzido é utilizado de maneira clássica para erguer paredes, abóbadas ou cúpulas.
    Fardos de palha
    Material encontrado na natureza ou cultivado (como arroz, trigo, centeio, etc.). A palha depois de separada do grão pode ser devolvida ao meio natural na forma de composto ou canteiros instantâneos e ainda como cobertura morta para manter a umidade do solo. Também pode ser empregada na construção civil para construção de habitações humanas sob forma de fardos como se fossem tijolos gigantes.
    Ferrocimento
    A técnica do ferrocimento não é tão antiga como as algumas citadas neste trabalho, porém não menos importantes. Até hoje alguns veleiros antigo em atividade têm parte de sua estrutura nesta técnica. Consiste de uma armação de vergalhão em ferro, com malhas variadas revestidas de uma tela mais fina que pode ser de plástico ou de arame de aço, rebocada com argamassa a base de cimento e areia. É de fácil construção e pode ser construída em regime de mutirão e de rápida aprendizagem. Podem ser construídos reservatórios com formas ovais ou onduladas desde que não contenham cantos. A proporção deve ser de 2 / 1 nas paredes e 3 / 1 na base e tampa em caso de reservatórios.
    Telhado vivo
    Quando pensamos em coberturas e telhados nas mais diversas regiões do mundo, logo nos vem na cabeça as famosas telhas de argila queimada nos mais variados modelos e tamanhos. Também aquelas de amianto e cimento comuns em algumas regiões devido ao custo bem menor em relação às de barro e ainda, por não exigirem estruturas mais fortes de madeira ou ferro como as de barro. É possível pensar em todos estes fatores e reduzir custos da obra com um tipo de cobertura “viva” são os chamados Tetos Verdes ou de Grama ou ainda, Telhado Vivo.
    Rebocos naturais
    O reboco é a penúltima fase de uma parede, porém em alguns casos ele não é necessário – “paredes a vista”. Devem ser muito bem feitos para que possam ficar agradavelmente visíveis aos habitantes. Rebocos têm normalmente entre 0,5 cm e 2 cm, porém em alguns casos chegam a espessuras bem maiores. Quanto mais espesso for o revestimento, maior é a chance de rachaduras, e mais tempo de mão de obra. Existem inúmeros materiais que podem ser utilizados em rebocos naturais e na mais variadas misturas. Areia, argila, esterco, serragem, lodo de açude ou lagoa, leite, cactos, cal entre outros. Em cada tipo de técnica de para paredes, podem variar tanto os materiais como a espessura, textura, finalidade e modo de aplicação dos rebocos.
    Pinturas
    Em algumas culturas tradicionais as cores vivas são amplamente utilizadas, símbolos são desenhados. É possível tornar a habitação uma verdadeira vitrine de experimentos desde que bem executados. Ao preparar pinturas com cal deve-se observar as proporções para que a mistura fique fluída, normalmente aplica-se mais de uma demão a fim de conseguir uma melhor textura e tons de coloração, pinturas muito grossas costumam soltar com o tempo para isso temos que cuidar controlar para não haver excesso de material sólido.

     

  • REUTILIZAÇÃO DA ÁGUA

    REUTILIZAÇÃO DA ÁGUA

    reutilizacao-de-aguaAproximadamente 97,50 % das águas estão distribuídas nos mares e oceanos, ou seja, está salgada, o que a torna imprópria para o consumo. Existem as grandes Geleiras no mundo, além disto, muitos países se encontram em regiões onde o inverno “congela quase tudo”, desta forma sabe-se que 2,24 % de toda a água do planeta estão indisponíveis sob forma de gelo.

    Tal realidade natural limita um pouco mais o acesso a tal elemento. Finalmente chegamos ao resultado final, para atender as necessidades básicas da vida humana na terra, sobram aproximadamente 0,30 % de toda água, os rios, lagos, lagoas, aquíferos, lençóis freáticos compõem este pequeno percentual.

    É necessário planejar adequadamente o uso da água, em qualquer propriedade, seja qual for seu tamanho. Em muitas regiões já temos pessoas bebendo águas contaminadas, na várzea (Amazônia) é um fato comum, pois existem banheiros onde os dejetos são lançados direto nos rios, e logo abaixo é comum ver outras colhendo água para fazer comida, beber e tomar banho. O Brasil  tem abundância em água, assim como  os países que possuem grandes reservas de petróleo, temos também uma Lei que trata das questões relacionadas.

    Legislação do Brasil que trata da água – Lei 9433 / 97 – Lei de Recursos Hídricos – “A Água é um Bem Público, Limitado e Dotado de Valor Econômico”, é o que estabelece a Lei de Recurso Hídricos Brasileira – Lei das Águas, esta trata do seguinte:

    Permacultura e água

    Ao planejarmos nossos sistemas independentes da escala ou funções, devemos buscar estimular e manter a cultura de manejar de forma melhor tal recurso, implantando sistemas naturais de tratamento de efluentes como círculos de bananeiras e tanques com plantas aquáticas que tem capacidade limpar a água que utilizamos. Separamos as águas em: cinzas e negras, a primeira diz respeito a água que vem do banho, lavagem de roupa, limpeza da casa, etc.

    A segunda trata da água proveniente do sanitários, e mesmo neste caso, podemos adotar um sanitário compostável que permite a transformação de nossos dejetos em composto para posterior utilização na agricultura por exemplo. Adotamos práticas de redução de detergentes, sodas, produtos de limpeza como cloro ativado. A Permacultura trabalha para uma constante redução no consumo deste tão importante recurso, aperfeiçoamento de seus usos e ainda, torná-lo possível de ser reutilizado e reciclado. É importante identificarmos todas as fontes e aproveitar de forma mais adequada estas, muito importante proteger nascentes e sempre monitorá-las.

    A captação e armazenamento também é uma das formas de melhor utilizar a água que está no sistema sob forma de chuva, esta poderá ser captada e armazenada, a umidade do solo pode ser mantida por mais tempo com cobertura morta nas áreas de plantio. Canais de irrigação e infiltração podem ser construídos para reabastecer o lençol freático, além de promover a irrigação. Tais técnicas devem sempre respeitar as características do terreno.

    Objetivamos criar uma cultura permanente o cuidado com a água, e para isso discutimos tal assunto sob vários pontos de vistas e tentando envolver o maior número de pessoas e segmentos. A água quando bem utilizada também altera as temperaturas locais em escalas de microclimas – pequenos lagos, açudes e tanques artificiais podem ser implantados estrategicamente para atuar como reguladores.

    Seguindo princípios básicos de criação de pontos de utilização das energias que entram em um sistema, poderemos nos valer do método “Yeomans” de modificação do terreno. Tal modelo aumenta a eficiência das águas que passam pelo sítio, melhorando, assim, a qualidade do solo e a fertilidade assim como do sistema como um todo.

    Para os trabalhos com captação de água de chuva, devemos saber os índices pluviométricos da região, é possível medir isso fazendo um monitoramento climático simples ou podemos conseguir dados nos órgãos ligados ao setor de meteorologia, atualmente na internet e meios de comunicação já facilitam para algumas informações.

    Se temos 1mm de chuva em 1m² de telhado, logo temos 1 litro de água, que pode ser coletada e armazenada. É importante termos claro que existem perdas através de evaporação, pois, logo que caem as primeiras “águas”, porém não justifica o motivo de deixar de captar o restante. Outro fato que deve ser observado que as primeiras águas “lavam” o telhado – depois de vários dias ou até semanas sem receber chuvas, o telhado está com partículas de materiais, folhas, poeira, fezes de pássaros, etc. para resolver tal problema, existe uma “válvula de separação” que vai receber estas águas.

    Construir canais ou drenos de divergência para abastecer sistemas de irrigação ou reservatórios são medidas importantes e apoiam os sistemas em geral. Podem ser executados interligando açudes lagos ou tanques, assim os excessos das chuvas irão de um para outro. As estruturas ligas ao transporte, armazenamento ou consumo de água devem ser pensadas de acordo com os índices pluviométricos de cada região, bem como as mais diversas finalidades.

    Nas proximidades destes elementos podem e devem ser plantadas árvores ou arbustos. A capacidade de absorção de um canal será influenciada de acordo com as plantas em suas laterais – mais plantas + mais raízes + mais húmus = melhor absorção e mesmo em locais que não possam ser plantados imediatamente, com o tempo a vida neste se manifestará. Da mesma forma com na agricultura podemos utilizar as linhas chaves para construir sistemas de manejo de água – estes elementos (canais de irrigação, infiltração, drenos, etc) estarão ligados e seguindo as curvas de nível para abasteçam açudes, tanques, barragem, etc. Devemos pensar formas de conseguir maiores e melhores eficiências hidráulicas em nossos projetos.

     

     

  • TECNOLOGIAS PARA ENERGIA RENOVÁVEL

    TECNOLOGIAS PARA ENERGIA RENOVÁVEL

    energia-solarEnergia solar é designação dada a qualquer tipo de captação de energia proveniente do sol, esta pode ser luminosa ou térmica é captada e transformada em uma outra forma para utilização em nossos sistemas. Tais utilidades podem ser desde aquecimento de água ou e ambientes energia elétrica através de células fotovoltaicas.

    Biomassa – Em se tratando de geração de energia a biomassa abrange derivados de organismos vivos que são utilizados como combustíveis ou na produção destes. Neste caso estamos excluindo os combustíveis fosseis (embora sejam derivados de origem vegetal ou animal), pois, são altamente poluentes e necessitam de muito tempo para serem geradas.

    A biomassa pode e deve ser considerada como fonte de energia renovável pois podemos plantar ou criar nossas fontes primárias – biocombustíveis a partir de óleos vegetais – por exemplo. A energia da biomassa é a partir de processos de como a combustão de material orgânico produzida e acumulada em um ecossistema, parte dessa é utilizada pelo próprio ecossistema em sua manutenção, porém mesmo assim tem baixo custo, é renovável, permite o reaproveitamento de resíduos, é menos poluente que outras formas. A queima de biomassa provoca a liberação de dióxido de carbono na atmosfera, este por sua ves havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustível, o balanço de emissões de CO2 é nulo.

    biodigestor minBiodigestores são ótimos exemplos de sistemas para produção de combustível (biogás) e ainda, fertilizantes biológicos para lavouras. É um exemplo de utilização da biomassa. Hoje no Brasil programas de eletrificação rural estão levando energia elétrica para varias regiões onde até pouco tempo não existia tal recurso. Isto porém poderia ter seus custos financeiros e ambientais reduzidos caso fossem estimulados a utilização de micro-centrais por biodigestores. Nosso pais têm as condições climáticas favoráveis para explorar a imensa energia derivada dos dejetos animais e restos de cultura e substituir o gás de bujão e o combustível líquido (querosene, gasolina, óleo diesel), com isso teríamos mais recursos para homem urbano aliviando significativa parcela de importação de derivados do petróleo. No Brasil os estudos com biogás foram iniciados de maneira mais intensa na década de 1970, entretanto, os resultados alcançados já apresentam ótimas tecnologias e pode nos torna aptos a desenvolver programas alternativos com esse tipo de fonte energética.

    energia-eolicaEnergia eólica tem sido aproveitada a muito tempo em civilizações antigas para mover embarcações, estas eram impulsionados por velas. Muitos também eram os moinhos de vento que tinham suas engrenagens movidas pela ação do vento sobre suas pás. Esta energia era transformada em energia mecânica para moer grãos ou bombear água, em muitos casos durante a execução de obras eram utilizados para drenar canais.
    Atualmente esta fonte de energia natural é considerada uma das mais promissoras, justamente pelo fato de ser renovável – permanente. Estas fontes podem abastecer turbinas eólicas ligadas a redes elétricas ou podem atuar de forma isolada em locais de difícil acesso ou em que não ajam outra fontes. No Brasil já temos algumas iniciativas para geração de energia elétrica com tal recurso, porém ainda é muito pouco utilizado o rico potencial que aqui existe. Este tipo de energia também é utilizado para irrigação.

     

     

  • INTEGRAÇÃO DE PLANTAS E ANIMAIS

    INTEGRAÇÃO DE PLANTAS E ANIMAIS

    Em um sistema permacultural animais executam funções de muita importância, algumas chegam a ser vitais como: reciclagens de nutrientes, trabalho mecânico, gerar ricas fontes de proteína, fornecer de matérias primas para biodigestores, composteiras, minhocários e até para construção (eco-construção).

    Os animais podem ser colocados em consórcio com sistemas de plantas. Em pomares, colocamos frangos a fim de comer as ervas daninhas e restos de frutas consumidas por pássaros, além de adubarem o solo. Além destes, outros como ovelhas ou porcos, podem ser introduzidos depois de certa idade das árvores e de acordo com as espécies. Para tal existem cuidados especiais com a cascas das árvores para não serem danificadas. Caso isso ocorra os animais devem ser retirados.

    Currais ou pocilgas podem ser conectados a esterqueiras e/ou biodigestores a fim de produzir biofertilizantes e gás metano para abastecer outros elementos com este tipo de energia. Coelhos, codornas, patos, frangos, perus, marrecos, gansos, abelhas, galinhas de angola (ótimas para capina em hortas, pois não comem a hortaliças). Pombos são excelentes produtores de esterco rico em fosfato, isso pode auxiliar solos pobres quanto a este nutriente. De uma forma geral animais são capazes de realizar interações benéficas e simbióticas com outros elementos. Estas interações podem ser competitivas nos resta tirar os proveitos auxiliando as interações, manejando o sistema de forma sustentável. Peixes nas mais variadas espécies podem ser produzidos em consorcio com porcos, marrecos. Hortas mandalas podem ter no centro marrecos para controlar insetos e ainda fertilizar a água de um lago, está será utilizada na irrigação dos canteiros, assim muitas são as formas de utilizar animais no sitio, fazenda ou chácara, até mesmo em cidade pequenas poderemos ter animais nos quintais.

     

  • PADRÕES NATURAIS

    PADRÕES NATURAIS

    padroes-naturaisHistórico dos padrões

    Para planejarmos e praticarmos intervenções positivas em qualquer local que seja precisamos ler e compreender os padrões naturais, tal exercício de aprendizagem e

    Sensibilidade, nos tornará melhores observadores dos sistemas complexos da natureza.

    Os sistemas complexos não podem ser explicados por meio de fórmulas científicas ou simplesmente com mapas, computadores ou ferramentas e equipamentos industrializados. Os desafios que os dias atuais impõem as nossas vidas não são lineares como sugerem inúmeros padrões tecnológicos e mecanicistas.

    Precisamos adotar práticas que nos recoloquem em contato e entendimento com o meio natural o qual estamos inseridos, novas abordagens precisam ser utilizadas em todo e qualquer planejamento e para isso uma observação da natureza faz-se necessária.
    A permacultura tem como foco norteador fundamental a observação atenta da natureza e sua linguagem, as informações geradas são aplicadas nos projetos e transferidas para o cotidiano. Para tal é necessário novas maneiras de pensar e ver as coisas e suas relações. Para aqueles que perderam a conexão com o planeta valorizando apenas conhecimentos científicos e tecnológicos a partir das descobertas e invenções humanas.

     A observação da natureza

    Um exemplo sobre padrões é o fato de nossa pele ter seus poros abertos quando estamos expostos ao sol, tal fato faz com que suemos. Isso não se dá apenas devido apenas ao calor ou a luz do sol, mas sim pelo nosso sistema de auto regulação da temperatura interna, agindo para manter em equilíbrio as temperaturas do nosso corpo.

    É sábio de nossa parte compreender que se um sistema com plantas e animais criado por nos não responde positivamente aos nossos anseios, devemos deixar que os elementos naturais dêem suas respostas. Estaremos aprendendo mais um pouco sobre os padrões de organização da natureza e suas conexões estes sistemas vivos são complexos porem não complicados ou simplistas, por outro lado são muitas as intervenções e ações antrópicas realizadas pelo homem que desconsideram os fenômenos naturais e suas conexões. O uso da linguagem dos padrões economiza palavras e ainda facilita o trabalho, permitindo a consolidação do projeto permacultural por meio apenas da comparação entre necessidades e funções de cada elemento com a realidade circundante. A linguagem dos padrões nos dá informações básicas para descobrir, pensar, criar e praticar muitas vezes estabelecendo relações entre comportamento, forma, função e necessidade. Seguem alguns exemplos.

    Árvore como padrão – machado

    A árvore serve como ótimo exemplo para analisar e entender os padrões da natureza, se cortarmos esta em linha vertical podemos observar a semelhança a um machado (tipo de padrão), antigo, este por sua vez representava o símbolo da mulher em muitas tribos européias, e  também a fertilidade.
    Ao mesmo tempo podemos notar que os galhos se parecem com marcas de líquen em uma pedra e ainda com um corte transversal no tronco ela nos mostra padrões de um alvo, este por sua vez traduz o tempo (idade da planta) sob forma das estações do ano, sendo este padrão também encontrado em conchas e escamas de peixes.
    O encaixe ou união de varias dessas formas esta presente na coluna dos seres vertebrados, dão ideia de resistência, união, força coletiva e ao mesmo tempo flexibilidade.

    Dendrítico

    Olhando uma árvore de frente a copa e seu sistema de raízes, podemos ver impressões parecidas as de um pulmão ou sistema circulatório, este também chamado de padrão Dendrítico, também se parece com a forma de uma bacia hidrográfica. Os galhos das árvores geralmente possui uma divisão entre 5 e 8 vezes, com uma media de 3 divisões de cada galho, e este é normalmente 2 vezes mais longo que o seguinte. O ângulo entre cada galho esta entre 36 e 38 graus. Esta forma esta presente em raios, cristais minerais, vasos sanguíneos entre outros. Representa resistência e união e estão presentes também nas bacias hidrográficas, sistemas respiratórios e circulatórios e trovões.

    Teias

    Um padrão presente nas teias de aranhas tecedeiras, que podem ser copiados – estas tecem suas teias com fios retos inicialmente, estes têm um ponto de encontro central. Na seqüência elas tecem espirais ao redor dos primeiros fios. Tais órbitas vão se ampliando a partir do centro. Tais movimentos e modelos são utilizados por artesões que constroem cestos, chapéus e outros utensílios em fibras vegetais.

    Anéis

    Representados no formato das cebolas no corte transversal em um galho (mais um padrão presente nas árvores). Se fizermos um corte em um braço, por exemplo, poderemos ver anéis presentes e em tamanhos variados.

    Ondas

    Realizando cortes verticais em anéis, veremos ondas – estas por sua vês estão nas marés, formação de dunas, na mais simples movimentação da superfície de lago ou lagoa, ou mesmo em um pingo caindo em um copo com água. A natureza nos mostra seus padrões de inúmeras maneiras e nos mais variados meios.

    Espiral

    Espirais estão galáxia, nos furacões, DNA, vórtice, concha de caracol e se repetem por inúmeros elementos. Nos segmentos de uma espiral de margarida, por exemplo, podemos visualizar as mesmas proporções de crescimento, estas se repetem pelas demais espirais. Este padrão muda sua direção de acordo com os hemisférios norte ou sul. Tal fato pode ser observado ao esvaziar um tanque ou pia com água.

    Estruturas hexagonais

    Estas formas nos dão ideia de união, força, resistência, coletividade – estão presentes na escamas dos peixes, colmeia de abelhas e outros insetos, no couro de animais muitos animais e casco de tartaruga. Estão impressos também no tecido epitelial – este tem função protetora entre outras. Nos cristais também podemos encontrar tais padrões, estes materiais apresentam alta resistência.

     

  • PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    principios-da-permaculturaLocalização relativa e conexão entre os elementos

    Quanto à localização, cada elemento deve estar localizado próximo um do outro de acordo com a relação existente entre os mesmos, para que estes possam estar

    O essencial no planejamento ou desenho é a conexão dos elementos de como estes estão ligados entre si, ao contrário dos modelos convencionais de produção agrícola ou planejamento de comunidades urbanas ou rurais e elaboração de projetos.

    Para que cada elemento funcione de forma eficiente deve-se localizá-lo no lugar onde possa auxiliar outros e também ser beneficiado com produtos dos demais.
    Uma árvore pode alimentar uma galinha e ao mesmo tempo servir como abrigo, um açude deve estar acima da casa para que esta possa ser abastecida de água por gravidade, evitando assim o consumo de energia pela utilização de uma bomba, este mesmo açude pode servir como espelho de água levando luz para dentro de ambientes. Árvores podem servir como quebra ventos, porém sem sombrear a casa durante o inverno. Ao planejarmos devemos considerar a relação direta entres os elementos, para tanto precisamos ver características, necessidades e produtos. Algumas questões servem como base para o planejamento:

    • Que uso têm os produtos de certo elemento para as necessidades de outros;
    • Quais são as necessidades deste que serão supridas pelos outros;
    • De que forma este é incompatível com aquele;
    • De que forma este beneficia outras partes do sistema.

     Elementos e funções

    No projeto cada elemento deve ter o maior número de funções possíveis, por exemplo, um tanque serve para armazenar água, criar peixes e plantas aquáticas, refletir luz, controle contra incêndios, irrigação entre outras. As plantas também podem ser dispostas de maneira a atender várias funções, para isso devemos escolher espécies funcionais sempre que possível. Quebra-ventos podem ser constituídos por árvores que forneçam forragem, açucares néctar e pólen para abelhas, fixação de nitrogênio entre outros produtos e/u funções, outras pioneiras podem preparar o solo para as mais sensíveis e de crescimento mais lento. Uma estufa bem posicionada perto da casa pode climatizar-la por termosifonamento fazendo com que o ambiente fique aquecido durante o inverno e resfriado no verão juntamente com dutos de ventilação ligados ao lago já citado, este por sua vês irá umedecer ar do ambiente interno em época mais secas. A água proveniente do lavatório pode ser utilizada no sanitário, fazendo com esta tenha dupla função. Um fogão pode servir para cozinhar e aquecer água para banho, com um sistema de serpentina simples, porém funcional. Os estercos de suínos e bovinos, restos de alimentos e plantas aquáticas do açude podem ser utilizados como fonte de energia pela produção de biogás, bem como biofertilizantes para a lavoura entre outros exemplos.

    Importância das funções e os elementos

    Funções de relevante importância devem ser executadas por um maior número de elementos possíveis, assim como necessidades básicas como água, alimento e energia devem ser supridas por mais de uma fonte. Uma fazenda ou chácara deveria ter pastagens anuais e perenes para que o gado tenha diversidade e alternativas de alimentos. Em uma casa é bom que ter duas fontes de aquecimento de água (fogão a lenha e aquecedor solar). Sistemas de abastecimento de água por desnível podem gerar energia com micro-centrais.

    Planejamento energético e eficiente

    Para um planejamento energético eficiente também chamado de “econômico eficiente”, é necessário posicionar plantas, áreas para animais e estruturas de acordo com zona e setores, levando em consideração relevo, fatores climáticos, localização geográfica (nascer e por do sol, norte e sul) e demais elementos naturais do local. Existe porém exceções para fatores de mercado, acesso, ecossistemas alagáveis, banhados e condições de solos rochosos entre outros.

    Recursos biológicos

    No sistema permacultural os animais e plantas, são utilizados de maneira a aperfeiçoar o trabalho da fazenda ou sítio, tais sistemas biológicos fazem com que haja uma redução no consumo de energia quando localizados e utilizados de forma mais eficiente. Fornecem combustíveis, fertilizantes, serviço de aração do solo e ainda são controladores naturais de insetos evitando pesticidas e adubos sintéticos. Também fazem o controle de ervas invasoras, realizam ciclagem de nutrientes e corrigem o solo controlando exclusive problemas de erosão. Para acumulo de recursos biológicos em um sitio, deve haver cuidados especiais, pois se constituem em um investimento de longo prazo. Podemos utilizar esterco verde e plantas leguminosas no lugar de fertilizantes nitrogenados, ácidos ou solúveis. Animais substituem cortadores de grama reduzindo o consumo de energia (elétrica mecânica ou humana). As galinhas e porcos podem preparar o solo para receber as sementes, além de arar a terra já fertilizam com esterco.

    Ser permacultor não significa abrir mão de toda tecnologia existente, mas sim utilizar este de forma mais adequada e sustentável, conciliando a tecnologias, conhecimentos e modos ancestrais de respeito a terra. Nos sistemas permaculturais são aceitos equipamentos e ferramentas convencionais nos estágios iniciais de preparação do sitio a fim de acelerar os processos em locais muito degradados, porém sempre buscando a criação de sistemas biológicos sustentáveis.

     Ciclos energéticos

    Os ciclos energéticos no modelo convencional existente necessitam de grandes quantidades de energia para funcionarem, mesmo assim são deficientes, pois estão centrados no setor de transporte armazenagem e comércio, além disto, visa o acumulo de riqueza e para tal sofre manipulação a fim de garantir maior lucratividade financeira. Para conseguir “eficiência” e atender a demanda, são necessários grandes gastos com equipamentos e produtos sintéticos que só degradam cada vez mais o solo e o meio ambiente com um todo. Um bom projeto utiliza-se de energias naturais que entram no sistema com aquelas geradas no local garantindo um completo ciclo energético.
    A interação entre os mais diversos elementos aumenta a energia disponível no local, na permacultura não se busca apenas reciclar, mas também captar, armazenar e utilizar tudo que estiver disponível no ambiente.

    Sistemas intensivos em pequena escala

    Sistemas intensivos em pequena escala consistem na utilização de pequenas áreas da melhor forma possível no que diz respeito a funcionalidade e eficiência. Se não necessitamos mexer em um determinado espaço de terra o melhor que temos a fazer é deixá-lo em equilíbrio natural, pois estaremos evitando um desperdício de energia, tempo e trabalho, tal procedimento evita poluição e degradação, pois, se começarmos produzir trabalho desnecessário, estaremos gerando poluição. Buscamos a cooperação entre visinhos, amigos e trabalho em regime mutirão, e utilização dos recursos locais, assim como a distribuição de excedentes nas proximidades reduzindo os custos.
    É comum vermos terrenos urbanos cobertos com concretos e jardins artificiais enquanto no meio natural uma devastação desordenada para produzir alimentos que poderiam estar sendo plantados em terrenos nas cidades (permacultura urbana), ao mesmo tempo em que teríamos determinados alimentos no local, também seriam trabalhadas questões como microclima.

    Diversidade

    Um ambiente degradado é caracterizado principalmente pela redução de biodiversidade, haja vista que esta o mantém em equilíbrio. Neste aspecto incentivar a diversidade é fundamental na permacultura, pois teremos maiores chances de produzir diferentes variedades de alimentos, além de ter várias maneiras para recuperar o solo. Quanto a energias também teremos outras fontes. Na América latina existem experiências de pomares juntos com jardins na volta das casas em sistemas compactos e diversos com o consórcio de diferentes plantas com variedades de funções. Se tivermos apenas uma fonte proteica, por exemplo, e esta falhar teremos que buscar tal produto fora de nosso local, e isso com já foi comentado aumenta os custos e impactos negativos.

    Bordas – funções e efeitos

    Para entender melhor sobre padrões e bordas e suas relações com permacultura precisamos saber um pouco sobre ecologia e o que se discute em tal ciência. É muito importante o estudo desta que trata dos ecossistemas que podem ser definidos de forma resumida como, grupos de organismos e suas relações entre si e o meio. A interação dos elementos em um ambiente é básica e de suma importância para manter os ciclos de energias e dar continuidade à involução das empecíeis e evolução da vida. Neste caso entendemos que os seres humanos são partes integrantes do meio e não superior aos outros elementos que compõem paisagem.
    Ao projetarmos um local devemos levar em consideração os limites ou fronteiras existentes entre os meios ou elementos – a interfase entre o ar e a água, a linha da costa entre a terra e o mar, a área entre a floresta e o campo, a área entre os níveis que congelam e que não o congelam durante uma geada, são alguns exemplos do que chamamos de BORDAS. As bordas existem em qualquer local, onde espécies, climas, solos, limites naturais ou artificiais se encontrem e interajam ou propiciem alguma interação entre outros elementos.
    O efeito de borda propicia a diversidade no local, pois terá características de dois ecossistemas, com isso temos diferentes fontes de energia. Sendo assim, onde não existam bordas é possível criar-las com a localização dos elementos de forma a incentivar a diversidade e aumento de produtividade. Se há falta de água no local podemos construir açudes e tanques ou cacimbas. Em áreas muito planas construímos barreiras, canais, montes, ribanceiras, taipas, barrancos, pequenas ilhas dentro de lagos ou represas, por todo o terreno é possível criar elementos que sejam positivos para o ambiente, com isso estamos incentivando a formação de ecossistemas complexos e diversos.
    Por outro ponto de vista devemos projetar bordas conforme os padrões da natureza já que isso possibilita o melhor aproveitamento destas.

     

  • ÉTICA E PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    ÉTICA E PRINCÍPIOS DA PERMACULTURA

    etica-na-permaculturaÉtica da Permacultura

    A permacultura adota um padrão ético específico buscando a sustentabilidade que passa obrigatoriamente por um repensar quanto aos hábitos e atitudes, bem como valores de

    A ética está focada em três pontos importantes:

    O cuidado com a terra

    O cuidado com a terra perpassa pelo respeito e a todas as estruturas vivas ou não, aos elementos que compõem nosso planeta, a atmosfera, os minerais, sistemas biológicos ou físico-químicos.

    Devemos valorizar tudo que nos cerca e ainda, nos incluirmos como elementos do sistema e não como organismo superior. Adotamos medidas que utilizem de forma benéfica os recursos necessários a nossa existência, protegendo e reabilitando o que está degradado buscando sempre a conservação e manutenção do todo para que os sistemas sejam permanentes. Caso não cuidemos da terra, estamos simplesmente destruindo nossa própria existência e a oportunidade das futuras gerações gozarem de tudo que estamos vivenciando.

    Cuidar das pessoas

    Está ligado diretamente ao cuidado com a terra, já que os seres humanos, pois somos componentes do sistema. A manutenção das necessidades básicas como alimento, abrigo, energia, educação, trabalho, lazer entre tantas outras que estamos habituados, é um ponto primordial na permacultura. Nossa espécie exerce muita influência no meio, pois podemos causar impactos consideráveis sejam eles negativos ou positivos, uma forma de garantir impactos benéficos é ter nossas necessidades básicas também garantidas com isso reduziremos o consumo dos recursos naturais não renováveis. Somos uma espécie que tem funções estratégicas, porém podem resultar em tragédias quando estamos em desequilíbrio com nos mesmos.

    Distribuição dos excedentes

    A permacultura trata de forma diferenciada os resultados excedentes da produção seja de alimento, energia ou serviços ou mesmo dinheiro. Sempre que projetamos um sistema de forma sustentável ele proverá as necessidades básicas, com isso a produtividade tende a aumentar. Adotamos uma ética que vise a distribuição destes buscando criar modelos comerciais alternativos que atendam seus princípios éticos.
    No modelo atual e convencional o acumulo de riquezas a custo da miséria de outros indivíduos leva a uma desestruturação da sociedade e dos assentamentos humanos bem como a degradação ambiental e insustentabilidade dos sistemas produtivos.