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Comunicação Compassiva
A CNV nos orienta a rever a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros e a nós mesmos, focando nossa consciência no que estamos observando, sentindo, valorizando (necessitando) e pedindo. -

TV E VIOLÊNCIA: UM CASAMENTO PERFEITO
NR: Nos dias atuais, a televisão, com pouquíssimas exceções. vem se tornando cada dia mais, um vetor de disseminação da ignorância, massificação e violência.Seja em filmes, novelas, noticiarios, o que é exbido na programação televisiva na maioria das vezes descamba para este lado. E quem sofre o maior impacto, são as crianças, que desde cedo são condicionadas pela TV.Leiam abaixo, artigo do prof. Valdemar Setzer sobre o tema.

As forças que estão por detrás da tecnologia são infinitamente inteligentes, mas falta-lhes algo fundamental: o bom senso. Ainda bem, pois com isso sempre acabam exagerando, de modo que muitas pessoas passam a perceber por experiência própria que o uso indevido e indiscriminado de máquinas prejudica o ser humano. Este é o caso da poluição e é o caso da TV.
Em particular, está havendo uma reação muito grande contra o excesso de violência (em quantidade e em qualidade) na TV. Neste artigo, vamos mostrar que infelizmente não é possível acabar com a violência na TV, pois ela é conseqüência da natureza do próprio aparelho.
Jerry Mander, em seu livro Four Arguments for the Elimination of Television (New York: Morrow 1978) faz uma simpática assertiva: a TV não transmite violência por preferência dos telespectadores, mas por que é o conteúdo que mais se adapta à natureza do aparelho e ao estado de consciência do telespectador. Vamos entender essa afirmação.
A primeira natureza do aparelho de TV que nos importa aqui é o fato sua da imagem ser irreal e muito grosseira. A irrealidade, ou ‘virtualidade’, faz com que as pessoas subestimem a influência do aparelho. De fato, provavelmente quase todos os pais protegem suas crianças, para que essas não vivenciem situações emocionalmente fortes (como por exemplo a morte de um parente, a visão de uma pessoa acidentada deitada na rua toda ensangüentada, etc.). Trancam a porta de casa, erguem altos muros ao redor da mesma, passam a morar em prédios ou condomínios no intuito de melhor proteger seus filhos. No entanto, permitem a penetração, no lar, de toda sorte de violência (entre outras imagens e palavras inconvenientes para as crianças) ao ligar a TV. Há vários anos constatou-se que nos EUA mais da metade de todas as crianças ou jovens tinham um aparelho de TV em seu quarto, isto é, em geral sem absolutamente qualquer controle do que assistem. Pelo contrário, a mentalidade educacional deturpada de hoje em dia leva os pais a achar que não devem coibir nada, pois qualquer controle talvez crie traumas. Eles não percebem que as crianças precisam sentir-se guiadas e controladas (com amor), e que a falta disso gera graves problemas psicológicos.
A grosseria da imagem pode ser constatada observando-se os programas. Nas novelas, em geral é focalizado apenas o rosto dos atores, pois se o corpo inteiro fosse focalizado, não se perceberia a expressão facial; os olhos, nariz e boca tornar-se-iam pequenas manchas. Com isso, não se notariam as emoções que os atores devem transmitir. Se uma árvore aparece inteira na tela, não se consegue distinguir suas folhas. Compare-se com nossa fantástica acuidade visual, que permite ver com nitidez todos esses efeitos no mundo real, em meio a um campo de visão de quase 180 graus (abra-se os braços e veja-se até onde se consegue ver as mãos). E por falar no mundo real, se queremos ver um objeto com mais nitidez aproximamo-nos dele. No caso da TV essa aproximação não ajuda em nada, pelo contrário, apenas prejudica a visão, pois passa-se a ver, no caso de TV colorida, os pontos da máscara de cor vermelha, verde e azul escuro, a partir dos quais se tem a impressão das várias cores meio fantasmagóricas que compõem as imagens. No caso de TV branco e preta, viam-se as linhas formadas pela varredura do feixe eletrônico que, batendo na tela fosforizada, fá-la emitir luz no local do choque. Podemos, assim, já colocar aqui um dos efeitos perniciosos da TV: ela deseduca o sentido da visão, pois acostuma-se a não procurar maior acuidade, por exemplo aproximando-se mais do objeto que se quer examinar. Isso para adultos é ruim, mas para crianças, que justamente estão desenvolvendo seus sentidos, é altamente prejudicial.
Essa varredura do feixe faz com que a imagem se forme atomisticamente, compondo 30 quadros completos por segundo, sendo 60 para as linhas impares, varridas primeiramente, e 60 para as linhas pares, varridas logo em seguida. Essa alternância visa diminuir o efeito de piscar da imagem. A nossa retina retém imagens por cerca de 1/10 de segundo, de modo que com um período menor temos a impressão de continuidade, por exemplo do movimento de uma pessoa. Mas se se olhar com o lado dos olhos, perceber-se-á o piscar da imagem. O piscar, mesmo se não percebido conscientemente, é detectado pelo nosso cérebro e o afeto. Este é um terceiro fator da natureza do aparelho, que será muito importante nas considerações a seguir.
Do ponto de vista do telespectador, pode-se constatar que das atividades interiores pensar, sentir (de sentimentos) e querer (volição que leva a ações, desde a concentração do pensamento em certos assuntos escolhidos como a movimentação dos membros), apenas a segunda está realmente em atividade. De fato, a imobilidade física leva o telespectador a não exercer nenhuma ação. Nem a de concentrar os pensamentos, pois estes estão abafados, já que normalmente a TV induz um estado semi-hipnótico. Esse efeito, que é óbvio quando se observa uma pessoa assistindo um programa (ela fica em geral com cara de bobo, principalmente as crianças, que têm rosto mais maleável), foi constatado cientificamente infelizmente por poucas pesquisas de efeitos neuro-fisiológicos da TV. H.E.Krugman (‘Brain Wave Measurements of Media Involvement’, Journal of Advertising Research, 11:1, Feb. 1971, pp. 3-9), usando o movimento dos olhos e eletro-encefalograma, mostrou que a TV induz rapidamente (cerca de ½ minuto) um estado semi-hipnótico ou de sonolência, de desatenção. Descrevendo-se a um psicólogo a situação de um telespectador, sem mencionar que está assistindo TV, isto é, que está sentado estaticamente, uma luz pisca 30 vezes por segundo à sua frente, o som vem de um ponto fixo, e o ambiente está em penumbra, esse psicólogo imediatamente reconhecerá uma sessão de hipnotismo.
Comparemos com a leitura. Quando uma pessoa lê, ela é forçada a prestar atenção no que está lendo, pois caso contrário perde o fio da meada. Quando se lê um romance, é necessário imaginar os personagens, o ambiente em que a ação se passa, etc.; quando se lê algo filosófico ou científico, é necessário associar conceitos constantemente. Em ambos os casos, o pensamento está muito ativo. Mas na TV, as imagens já vêm prontas; por outro lado, é impossível acompanhá-las conscientemente, pensando-se no que elas significam, associando-se idéias ou lembranças a elas, etc., pois, como justificaremos adiante, elas necessariamente sucedem-se com muita rapidez. Com isso, não se consegue nem prestar atenção durante um tempo razoável, nem criticar calmamente o que está sendo transmitido e compará-lo com nosso conhecimento prévio como o permite um livro – na velocidade individual de cada leitor. Quando o primeiro governo socialista assumiu na França, tentou fazer da TV um veículo educativo – para começar, acabando com os ‘enlatados’ americanos. A reação foi violenta: os telespectadores classificaram as transmissões como “chatas” e alguns disseram que a TV não era um veículo de transmissão de cultura – havia outros melhores para isso. Assim, se alguma emissora quiser transmitir um programa que exija concentração mental e raciocínio, os telespectadores em sua grande maioria vão mudar de canal.
Em palestras em que abordamos o problema da TV, costumamos recomendar aos participantes: “Se os senhores quiserem desenvolver seu pensamento, leiam. Se querem prejudicar seu pensamento, abafando-o cada vez mais, vejam TV.” O famoso psicólogo Bruno Bettelheim escreveu (‘Parents vs. Television’, Redbook, Nov. 1963): “A TV aprisiona a fantasia, não a liberta. Um bom livro incentiva o pensamento e liberta-o simultaneamente”. Jane Healey, em seu livro contra a TV Endangered Minds – Why Our Children Don’t Think (New York: Simon & Schuster, 1990), menciona prejuízos que os neurônios sofrem ao ser excitados indevidamente pela avalanche de imagens da TV.
É fácil verificar pessoalmente como o telespectador em geral não acompanha conscientemente o que está sendo transmitido. Basta repetir uma experiência relatada por F. Emery e M. Emery em seu livro A Choice of Futures – to Enlighten or to Inform? (Leiden: H.E.Stenfert Kroese, 1976), na qual telefonou-se para pessoas da cidade de San Francisco perguntando que notícias haviam acabado de assistir no jornal nacional americano. Pois metade das pessoas não se lembrava de uma única notícia sequer! Sugerimos repetir essa experiência sem naturalmente contar aos outros que ela será feita. Em particular, o estado de desatenção leva à conclusão de que a TV não tem quase efeito informativo e muito menos educativo. Marie Winn dedicou seu livro The Plug-in Drug (New York: Viking, 1979) a provar esses pontos, desmascarando por exemplo o mito de que o programa Vila Sésamo (‘Sesame Street’) tinha efeitos educativos. A falta de efeito educativo é constatada por M.A.Erausquin et alli, em seu livro Os Teledependentes (São Paulo: Summus Editorial, 1980), dizendo “Cada vez mais parece mais provado que a televisão em si é incapaz de ensinar praticamente nada.” Não é difícil entender o porquê dessas características: a aquisição de informação deve ser um processo individual, lento e consciente. Por outro lado, educação requer, além de lentidão, interação e não-passividade, inexistentes na TV, e tem que ser necessariamente altamente contextual em relação a quem está sendo educado ou se educando. De fato, os pais sempre escolheram os livros que iriam comprar para suas crianças, verificando se são adequados à idade, maturidade, educação, etc. Uma professora dá uma aula levando em conta o que deu na aula anterior, o que foi dado na semana, mês ou ano passado, a particular situação dos alunos reais que tem em frente de si, etc. Nada disso se passa com a TV (e nem com o ensino com computador ou com a Internet!), um veículo de comunicação de massa, não tendo portanto nada de individual e contextual. É por isso que programas educacionais pela TV nunca deram os resultados esperados: alguém conhece alguma estatística de quantas pessoas aprenderam o que com os nossos programas educativos? Se um programa é seguido de uma aula com professor-gente que reveja e aprofunde o assunto transmitido, obviamente o efeito será da aula, e não do que foi observado com o aparelho. Cremos que do ponto de vista educacional a TV só tem lugar como reprodutor de vídeo, em brevíssima ilustração (alguns minutos), talvez depois da 6a série – desde que a professora discuta logo em seguida o que foi visto, repita o vídeo, discuta-o novamente, etc.
Talvez fosse interessante citar aqui um outro casamento perfeito com a TV. Como Jerry Mander chamou a atenção em seu livro, nunca se gastou tanto em propaganda quanto depois do advento da TV, e é nela que as grandes empresas investem mais na tentativa bem sucedida de fazer as pessoas comprarem a sua marca, o que não precisam ou o que é mais caro. Se a propaganda pela TV não tivesse sucesso, alguém acharia que essas grandes empresas gastariam centenas de milhões de dólares nessa atividade? Esse sucesso é justamente devido ao fato de os telespectadores estarem normalmente em estado semi-hipnótico, gravando toda a propaganda em seu subconsciente. Mais tarde, em um super-mercado, que justamente é feito para se poder ver e pegar todos os produtos, o comprador muitas vezes apanha, sem perceber, aqueles que estão gravados em seu subconsciente. Aí sim, temos o real efeito da TV: não é o de informar ou de educar, e sim de condicionar.
Ações – vontade – inativas e pensamentos abafados: sobram os sentimentos. Esses sim, são ativados, e como! São a única arma que as emissoras têm para atrair a atenção do telespectador. Pior, a única arma para que ele não passe do estado de sonolência para o sono profundo, o que seria um desastre em termos de audiência. Como escreveu B.S.Centerwall (‘Television and Violence – the Scale of the Problem and Where to Go From Here’, Journal of the American Medical Association, June 10, 1992, 267:22, pp. 3059-3063), o negócio das emissoras de TV não é de vender programas, mas de vender audiência para os anunciantes. Mesmo as TVs não-comerciais acabam caindo no mesmo padrão para atrair telespectadores, pois se não tiverem audiência perdem a justificativa de sua existência e seus funcionários ficariam desempregados. Portanto, se os sentimentos é que são ativados, vamos transmitir para eles! Agora pode-se compreender por que, como constatamos acima, as novelas transmitem em geral apenas os rostos dos atores: para que os seus sentimentos sejam bem transmitidos, sua expressão facial deve ser nítida. Se fossem transmitidos de corpo inteiro a grosseria da imagem faria perder essa expressão. Ora, as novelas têm como finalidade prender a atenção do telespectador justamente pelo forte da TV, os sentimentos, nesse caso provindos dos conflitos pessoais retratados. Portanto não se pode deixar de transmitir as emoções fingidas pelos atores, principalmente por meio de seus rostos.
Uma outra maneira de prender a atenção do telespectador é pelo excesso de sons, de movimentos e de cores. Neil Postman escreveu em Amusing Ouserlves to Death – Public Discourse in the Age of Show Business (New York: Penguin, 1985) que a TV tinha transformado tudo em ‘show’: a educação, a política, a religião, etc. Em termos educacionais, veja-se o exemplo da série ‘Beeckman’s World’, ‘O mundo de Beeckman’, onde experiências interessantíssimas e muito simples de Física eram transmitidas num verdadeiro festival de caretas, gritaria, com um homem em cena fantasiado de ratão, e pastelões. Isto é, demonstrações excelentes tinham que se dobrar à ‘linguagem’ dos ‘shows’. Estes justamente caracterizam-se pelo excesso de movimentos, sons exagerados e excitantes, cores berrantes. É mais uma maneira de atingir os sentimentos do telespectador e de fazê-lo não adormecer. Veja-se como a transmissão de um concerto de música clássica é transformada num ‘show’: a câmera não pára, focalizando ora a batuta do maestro, ora os movimentos do arco de um violinista, ora a audiência, etc. – em lugar de transmitir simplesmente o som, que é o que interessa. Em relação aos sons, note-se como muitos locutores falam gritado: eles têm consciência de que idealmente, nada pode ser calmo na TV, e com sua gritaria contribuem para prender a atenção do telespectador, e fazer com que este não passe do estado de sonolência para o sono profundo.
Uma parte dos truques usados pelos diretores de imagem para evitar o adormecimento do telespectador, é fazer a imagem mudar constantemente. Jerry Mander, no livro citado, relata em 1978 que nos EUA as imagens eram alteradas, nos programas comerciais, em média de 8 a 10 vezes por minuto, empregando-se para isso, além de mudanças totais de imagem, mudança de fundo (é o que ocorre quando um locutor vira-se, sem razão aparente, mudando a câmera), efeitos zoom, etc. No Domingo 9/1/2000 fizemos uma contagem de 10 minutos de um programa de auditório da SBT às 11:40 e obtivemos uma média de 11,3 mudanças de imagem por minuto. Logo em seguida, num intervalo para comerciais da Globo medimos 16,3 (!) mudanças por minuto. O extremo exagero da tentativa de despertar o telespectador encontra-se nos ‘video-clips’, verdadeiros ‘shows’ de histerismo.
Enfatizamos: se um programa transmitir algo delicado, sutil, calmo, ele será tomado com extremamente ‘chato’ pelo telespectador, que sentirá muito sono, levando-o a mudar de canal. A impossibilidade dessa transmissão resulta das características do próprio aparelho e o estado que ele induz no telespectador, e não do particular programa.
Pois bem, juntemos a grosseria da imagem aos sons berrantes e ao excesso de movimentos. O resultado é… violência! Violência é o que a TV transmite melhor! (O que já foi notado por Jerry Mander no livro citado.) Note-se como os esportes violentos, como o Futebol, ou os movimentados como o Basquete, são apreciados. E note-se como um jogo de tênis é monótono, apesar do esforço dos operadores das câmeras e do diretor de imagem. Cremos que a grande atração da transmissão das corridas de Fórmula 1 é a expectativa de um grande acidente – e quanto mais grave, melhor. O ideal é se o carro espatifar-se, pneus voarem para os alto, sendo uma explosão o máximo do que os telespectadores querem apreciar. Note-se o que ocorre depois de um desses acidentes: passa-se a repetir seguidamente as imagens do mesmo – afinal, aí é que a TV atinge o máximo da adequação do transmitido às características do aparelho e ao estado do telespectador. Em oposição, imagine-se a chatice que seria assistir pela TV um jogo de xadrez ou de Go!
Há possibilidade das transmissoras de TV mudarem por si próprias sua programação? Infelizmente, não. Como afirmou Centerwall no artigo citado, se o negócio das estações de TV é vender telespectadores aos anunciantes, elas jamais controlarão seus programas enquanto estes atraírem audiência. Cremos que o único meio de elas mudarem seria os telespectadores boicotarem seus programas. Infelizmente a conscientização das massas imbecilizadas justamente por assistir TV em vez de fazer algo que desenvolva a capacidade de pensar, a consciência, sensibilidade e ação, é praticamente nula. Precisamos enfatizar que, mesmo mudando sua programação para conter menos violência, a TV continuaria sendo altamente prejudicial, principalmente para crianças, por abafar a consciência e o pensamento, e aniquilar a vontade (uma vez um aluno nos escreveu que, depois de ouvir nossos argumentos contra a TV, e ficar convencido de que estávamos corretos, chegou em casa e tentou não ligá-la, mas não o conseguiu!). Nesse sentido, o título do livro citado de Marie Winn, comparando a TV a uma droga que causa dependência, é absolutamente adequado.
Qual o problema de assistir violência ou outras imagens e sons inconvenientes? Além da deseducação dos sentidos e dos sentimentos, o problema é que o ser humano grava tudo o que vivencia, a maior parte em seu subconsciente. Por exemplo, se uma pessoa encontrar um conhecido e não reparar conscientemente na cor de seu sapato, não se lembrará da mesma. Mas se, no dia seguinte, ela for hipnotizada, lembrará perfeitamente daquela cor. (Entre parênteses, para nós esse efeito de gravar tudo é uma indicação de que temos uma memória infinita, e portanto o ser humano não é uma máquina.) Assim, todas as milhões de imagens de violência assistidas ficam também gravadas para sempre, em sua quase totalidade no subconsciente. Em uma situação de ‘stress’, de emergência ou de ação inconsciente, elas podem influir na atitude, nas ações, nos pensamentos e nos sentimentos. É por isso que a propaganda pela TV funciona melhor que por outros meios: ao ver caixas de diferentes sabões em pó no supermercado, todas de mesmo tamanho, talvez de mesmo preço, praticamente de mesmo conteúdo (o que talvez muda é um perfumezinho) o que a compradora escolherá? Sem querer, aquela marca que ficou gravada em seu subconsciente. Da mesma maneira, em uma situação especial, principalmente de inconsciência (devido a tensão, drogas, emergência, etc.) uma pessoa pode agir ou reagir seguindo os atos violentos que assistiu pela TV ou pelo cinema. (Há pequenas diferenças entre o cinema e a TV, mas não vamos nos estender sobre esse aspecto.) Talvez isso explique o trágico acontecimento passado em São Paulo, de um jovem que atirou em espectadores em um cinema, justamente em um filme – que ele tinha visto – com muitos tiros e arma parecida. Talvez assim se possa compreender por que jovens metralham seus companheiros de escola, por motivos aparentemente fúteis.
Há muito se conhece resultados de pesquisas mostrando que crianças, logo após assistir programas violentos, reagem mais agressivamente do que outras que não os assistiram. R.M.Liebert et alli, em The Early Window – Effects of Television on Children and Youth (New York: Pergamon 1982) faz uma resenha de pesquisas sobre efeito de violência em TV; a quase totalidade dos resultados mostra o efeito violento que ela causa a curto prazo. Mas foi justamente o já citado Centerwall que mostrou pela primeira vez, por meio de estatísticas, que havia uma alta correlação entre o aumento do número de aparelhos instalados em países ou regiões que não tinham TV, e o aumento, cerca de 15 anos depois, do número de homicídios. Isto é, foi a primeira demonstração de efeito da violência a longo prazo. Quem sabe leva cerca de 15 anos depois de assistir programas violentos na TV, para crianças atingirem uma idade em que podem ter a força e acesso às armas para matar outros. Ou quem sabe leva 15 anos para que as imagens violentas acumulem- se ou trabalhem no subconsciente a ponto de influenciar o comportamento das pessoas. A situação é mais perigosa com jovens (aos 20 anos, eles em média já assistiram mais de 20.000 horas de TV, 20.000 horas de lixo gravado no subconsciente!), que ainda não desenvolveram sua consciência moral a ponto de controlarem seus atos como adultos deveriam ser capazes de fazer. Animais não têm auto-consciência, isto é, não refletem antes de fazer alguma ação. Eles são simplesmente levados pelos seus instintos ou pelo condicionamento. É o ser humano, esse não-animal, que pode pensar nas conseqüências de seus atos antes de fazê-los, usando para isso sua moral, que obviamente os animais não possuem. Mas para isso ele tem que estar em plena consciência e, se estiver em inconsciência, ser dominado por bons instintos, adquiridos com uma educação para o bem e a ação social – antítese do que é mostrado em programas violentos. Assim, pode-se dizer que a TV animaliza o ser humano.
O que fazer? Em primeiro lugar, estudar, observar e refletir sobre o que é o aparelho de TV e o estado que ele impõe nos telespectadores. Se se chegar a conclusões semelhantes às nossas, o mais simples é não ter. Se o aparelho existe em casa, principalmente se for de fácil acesso, haverá uma luta constante para não ligá-lo ou desligá-lo. Essa luta está fadada ao insucesso se houver crianças em casa, pois estas não podem compreender o mal que ele faz. Por isso não tivemos TV até nossa filha mais nova tornar-se adulta. Como nunca tivemos TV, esta não fazia parte do ambiente e as crianças não sentiam sua falta: estavam acostumadas a improvisar continuamente brincadeiras, a ler muito, a tocar instrumentos musicais, etc. Marie Winn, no livro citado, conta o caso de um jornal de Denver, no Colorado, que convocou famílias a desligar a TV por 1 mês. 100 se inscreveram, e 25 foram até o fim. Todas estas relataram depois como o começo foi difícil, mas como no fim todos os envolvidos estavam entusiasmados, tendo arranjado várias atividades úteis para fazer. No entanto – veja-se o poder desse aparelho – todas essas 25 acabaram voltando para a TV depois de terminada a experiência! Se houver uma razão muito especial para ter uma TV em casa, ela deve ser colocada em um local de difícil acesso, talvez trancada em um armário. Deve ser de lá retirada apenas quando se decide conscientemente assistir um determinado programa (se bem que duvidamos da necessidade de assistir qualquer coisa pela TV – nós e nossa esposa simplesmente não a assistimos, apesar de ainda a termos em casa, e não sentimos a mínima falta dela.). Depois de assistir apenas o programa escolhido, deve-se colocá-la novamente no local trancado. A TV não deve fazer parte do lar, pois destrói a vida familiar ou, se a pessoa mora sozinha, não permite que ela tenha uma vida interior de calma e reflexão. Alguns pais podem criticar-nos dizendo que estamos sendo um pouco radicais. Não, não é verdade, estamos sendo é totalmente radicais, mas é essa a atitude que se deve tomar em educação frente àquilo que se reconhece como mal para as crianças e jovens. Os pais não são radicais em não deixar seus filhos pequenos guiar carro (sim, há algumas aberrações nessa área), em tomar álcool ou drogas, em não deixá-los brincar com armas verdadeiras (aliás, alguém pode achar alguma boa razão para crianças brincar com armas de brinquedo, brincar de matar outros)? É obrigação dos pais dirigirem seus filhos, orientarem-nos e não dar-lhes total liberdade, achando que se não o fizerem criarão traumas, fruto de um psicologismo moderno. As crianças e os jovens sabem inconscientemente que não têm experiência de vida e que precisam ser guiados. E a primeira coisa a fazer é eliminar de casa o que é prejudicial do ponto de vista educacional. Esperamos ter deixado claro que a TV é prejudicial nesse sentido, independentemente do programa sendo transmitido, e muitíssimo pior ainda nos casos de programas violentos – talvez a grande maioria. Uma parte dessa maioria está nos desenhos animados, essa aberração caricata do mundo, talvez adequada para adultos quando transmitem uma crítica social – origem da tiras –, mas jamais para crianças que deveriam receber uma imagem real do mundo, que deveriam respeitar, e não uma caricatura da qual só se pode rir. A TV, e em particular seus programas violentos, fazem com que as crianças deixem de ser infantis, como chamou a atenção Neil Postman em um livro de 1994, recém traduzido como O Desaparecimento da Infância (Rio de janeiro: Graphia Editorial, 1999).
Infelizmente, é quase impossível, devido à natureza do aparelho, que o casamento perfeito entre a TV e a violência seja desfeito. Nós é que temos que nos mudar, conscientizando-nos dos prejuízos causados por esse aparelho, e dele nos desligarmos. Qualquer pequeno benefício que ele pode trazer é prejudicado de longe pelos enormes prejuízos que ele nos causa, em particular às nossas crianças e jovens. Só que elas não podem reagir sozinhas – cabe a nós tomar a única atitude possível: impedir o acesso delas a esse aparelho verdadeiramente diabólico. Tenham coragem e iniciativa para experimentar e verão em suas crianças resultados fantasticamente positivos.
Autor : Valdemar W. Setzer
Fonte: www.ime.usp.br/~vwsetzer -

A HISTÓRIA DA MÚSICA
Podemos dizer que a “Música” é a arte de combinar os sons e o silêncio. Se pararmos para perceber os sons que estão a nossa volta, concluiremos que a música é parte integrante da nossa vida, ela é nossa criação quando cantamos, batucamos, acessamos algum streaming, ligamos um rádio ou TV.
Hoje a música se faz presente em todas as mídias, pois ela é uma linguagem de comunicação universal, é utilizada como forma de “sensibilizar” o outro para uma causa de terceiro, porém esta causa vai variar de acordo com a intenção de quem a pretende, seja ela para vender um produto, ajudar o próximo, para fins religiosos, para protestar, intensificar noticiário, etc.
A música existe e sempre existiu como produção cultural, pois de acordo com estudos científicos, desde que o ser humano começou a se organizar em tribos primitivas pela África, a música era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. Acredita-se que a música tenha surgido há 50.000 anos, onde as primeiras manifestações tenham sido feitas no continente africano, expandindo-se pelo mundo com o dispersar da raça humana pelo planeta. A música, ao ser produzida e/ou reproduzida, é influenciada diretamente pela organização sociocultural e econômica local, contando ainda com as características climáticas e o acesso tecnológico que envolvem toda a relação com a linguagem musical. A música possui a capacidade estética de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou nação. A música é uma linguagem local e global.
Na pré-história o ser humano já produzia uma forma de música que lhe era essencial, pois sua produção cultural constituída de utensílios para serem utilizados no dia-a-dia, não lhe bastava, era na arte que o ser humano encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos, e outras sensações que fugiam a razão. Diferentes fontes arqueológicas, em pinturas, gravuras e esculturas, apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos em ação, no entanto não é conhecida a forma como esses instrumentos musicais eram produzidos.
Das grandes civilizações do mundo antigo, foram encontrados vestígios da existência de instrumentos musicais em diferentes formas de documentos. Os sumérios, que tiveram o auge de sua cultura na bacia mesopotâmia a milhares de anos antes de Cristo, utilizavam em sua liturgia, hinos e cantos salmodiados, influenciando as culturas babilônica, caldéia, e judaica, que mais tarde se instalaram naquela região.
A cultura egípcia, por volta de 4.000 anos a.C., alcançou um nível elevado de expressão musical, pois era um território que preservava a agricultura e este costume levava às cerimônias religiosas, onde as pessoas batiam espécies de discos e paus uns contra os outros, utilizavam harpas, percussão, diferentes formas de flautas e também cantavam. Os sacerdotes treinavam os coros para os rituais sagrados nos grandes templos. Era costume militar a utilização de trompetes e tambores nas solenidades oficiais.
Na Ásia, a 3.000 a.C., a música se desenvolvia com expressividade nas culturas chinesa e indiana. Os chineses acreditavam no poder mágico da música, como um espelho fiel da ordem universal. A “cítara” era o instrumento mais utilizado pelos músicos chineses, este era formado por um conjunto de flautas e percussão. A música chinesa utilizava uma escala pentatônica (cinco sons). Já na Índia, por volta de 800 anos a.C., a música era considerada extremamente vital. Possuíam uma música sistematizada em tons e semitons, e não utilizavam notas musicais, cujo sistema denominava-se “ragas”, que permitiam o músico utilizar uma nota e exigia que omitisse outra.
A teoria musical só começou a ser elaborada no século V a.C., na Antiguidade Clássica. São poucas as peças musicais que ainda existem deste período, e a maioria são gregas. Na Grécia a representação musical era feita com letras do alfabeto, formando “tetracordes” (quatro sons) com essas letras. Foram os filósofos gregos que criaram a teoria mais elaborada para a linguagem musical na Antiguidade. Pitágoras acreditava que a música e a matemática formavam a chave para os segredos do mundo, que o universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos.
É de conhecimento histórico que os romanos se apropriaram da maioria das teorias e técnicas artísticas gregas e no âmbito da música não é diferente, mas nos deixaram de herança um instrumento denominado “trompete reto”, que eles chamavam de “tuba”. O uso do “hydraulis”, o primeiro órgão cujos tubos eram pressionado pela água, era freqüente.
Hoje é possível dividir a história da música em períodos específicos, principalmente quando pretendemos abordar a história da música ocidental, porém é preciso ficar claro que este processo de fragmentação da história não é tão simples, pois a passagem de um período para o outro é gradual, lento e com sobreposição. Por volta do século V, a igreja católica começava a dominar a Europa, investindo nas “Cruzadas Santas” e outras providências, que mais tarde veio denominar de “Idade das Trevas” (primeiro período da Idade Média) esse seu período de poder.
A Igreja, durante a Idade Média, ditou as regras culturais, sociais e políticas de toda a Europa, com isto interferindo na produção musical daquele momento. A música “monofônica” (que possui uma única linha melódica), sacra ou profana, é a mais antiga que conhecemos, é denominada de “Cantochão”, porém a música utilizada nas cerimônias católicas era o “canto gregoriano”. O canto gregoriano foi criado antes do nascimento de Jesus Cristo, pois ele era cantado nas sinagogas e países do Oriente Médio. Por volta do século VI a Igreja Cristã fez do canto gregoriano elemento essencial para o culto. O nome é uma homenagem ao Papa Gregório I (540-604), que fez uma coleção de peças cantadas e as publicou em dois livros: Antiphonarium e as Graduale Romanum. No século IX começa a se desenvolver o “Organum”, que são as primeiras músicas polifônicas com duas ou mais linhas melódicas. Mais tarde, no século XII, um grupo de compositores da Escola de Notre Dame reelaboraram novas partituras de Organum, tendo chegado até nós os nomes de dois compositores: Léonin e Pérotin. He also began the “Schola Cantorum” that gave great development to the Gregorian chant.
A música renascentista data do século XIV, período em que os artistas pretendiam compor uma música mais universal, buscando se distanciarem das práticas da igreja. Havia um encantamento pela sonoridade polifônica, pela possibilidade de variação melódica. A polifonia valorizava a técnica que era desenvolvida e aperfeiçoada, característica do Renascimento. Neste período, surgem as seguintes músicas vocais profanas: a “frótola”, o “Lied” alemão, o Villancico”, e o “Madrigal” italiano. O “Madrigal” é uma forma de composição que possui uma música para cada frase do texto, usando o contraponto e a imitação.
Os compositores escreviam madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim. O madrigal é para ser cantado por duas, três ou quatro pessoas. Um dos maiores compositores de madrigal elisabetano foi Thomas Weelkes.
Após a música renascentista, no século XVII, surgiu a “Música Barroca” e teve seu esplendor por todo o século XVIII. Era uma música de conteúdo dramático e muito elaborado. Neste período estava surgindo a ópera musical. Na França os principais compositores de ópera eram Lully, que trabalhava para Luis XIV, e Rameau. Na Itália, o compositor “Antonio Vivaldi” chega ao auge com suas obras barrocas, e na Inglaterra, “Haëndel” compõe vários gêneros de música, se dedicando ainda aos “oratórios” com brilhantismo. Na Alemanha, “Johann Sebastian Bach” torna-se o maior representante da música barroca.
A “Música Clássica” é o estilo posterior ao Barroco. O termo “clássico” deriva do latim “classicus”, que significa cidadão da mais alta classe. Este período da música é marcado pelas composições de Haydn, Mozart e Beethoven (em suas composições iniciais). Neste momento surgem diversas novidades, como a orquestra que toma forma e começa a ser valorizada. As composições para instrumentos, pela primeira vez na história da música, passam a ser mais importantes que as compostas para canto, surgindo a “música para piano”. A “Sonata”, que vem do verbo sonare (soar) é uma obra em diversos movimentos para um ou dois instrumentos. A “Sinfonia” significa soar em conjunto, uma espécie de sonata para orquestra. A sinfonia clássica é dividida em movimentos. Os músicos que aperfeiçoaram e enriqueceram a sinfonia clássica foram Haydn e Mozart. O “Concerto” é outra forma de composição surgida no período clássico, ele apresenta uma espécie de luta entre o solo instrumental e a orquestra. No período Clássico da música, os maiores compositores de Óperas foram Gluck e Mozart.
Enquanto os compositores clássicos buscavam um equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, os compositores do “Romantismo” pretendem maior liberdade da estrutura da forma e de concepção musical, valorizando a intensidade e o vigor da emoção, revelando os pensamentos e sentimentos mais profundos. É neste período que a emoção humana é demonstrada de forma extrema. O Romantismo inicia pela figura de Beethoven e passa por compositores como Chopin, Schumann, Wagner, Verdi, Tchaikovsky, R. Strauss, entre outros. O romantismo rendeu frutos na música, como o “Nacionalismo” musical, estilo pelo qual os compositores buscavam expressar de diversas maneiras os sentimentos de seu povo, estudando a cultura popular de seu país e aproveitando música folclórica em suas composições. A valsa do estilo vienense de Johann Strauss é um típico exemplo da música nacionalista.
O século XX é marcado por uma série de novas tendências e técnicas musicais, no entanto torna-se imprudente rotular criações que ainda encontra-se em curso. Porém algumas tendências e técnicas importantes já se estabeleceram no decorrer do século XX. São elas: Impressionismo, Nacionalismo do século XX, Influências jazzísticas, Politonalidade, Atonalidade, Expressionismo, Pontilhismo, Serialismo, Neoclassicismo, Microtonalidade, Música concreta, Música eletrônica, Serialismo total, e Música Aleatória. Isto sem contar na especificidade de cada cultura. Há também os músicos que criaram um estilo característico e pessoal, não se inserindo em classificações ou rótulos, restando-lhes apenas o adicional “tradicionalista”.
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A RITA TINHA RAZÃO

O ano era 1977. De todos os esfuziantes anos 70, talvez tenha sido o mais sem graça deles. Destaque, destaque mesmo, e mesmo assim negativo, só a morte de Elvis e Chaplin. Há quem diga até hoje que o rei do rock ainda anda por aí. Clarice Lispector e o ativista antiapartheid Steve Biko também partiram naquele ano. Todos eles nos deixaram com a sensação ruim de que ainda tinham muito para dar.
O rei Pelé parava de jogar profissionalmente, o cinema estreava a primeira aventura da série “Star Wars” sem ter a menor ideia do que isso iria virar, os Sex Pistols lançavam seu primeiro e único disco “Never mind the bollocks”. Ah, é claro: o mundo era invadido pela febre dos “Embalos de Sábado á Noite” com John Travolta fazendo todo mundo dançar ao som dos Bee Gees.
Eu mesmo andei dando minhas reboladas. As coisas que a gente não faz para ganhar uma mulher… E tinha também a Apple que apresentava o primeiro microcomputador moderno, o Apple II. Começava a pintar por aqui o macarrão instantâneo que ficou conhecido por Miojo e já quebrava o galho de muito estudante.
O São Paulo de Waldir Peres, Chicão e Mirandinha virava zebra e conquistava o seu primeiro título brasileiro encima do poderoso Atlético Mineiro de Reinaldo , Toninho Cerezzo e Angelo em pleno Mineirão. O Corinthians depois de um jejum histórico de 23 anos sem título era campeão paulista diante de uma valorosa Ponte Preta com gol histórico de Basílio em um Morumbi com mais de 120 mil torcedores. Tem aquela história do Rui Rei ter se vendido, mas isso fica pras rodinhas de bar. Na política…bom, deixa a política prá lá.
Meu assunto é outro.
Naquele ano, Rita Lee, a hoje vovó do rock nacional, mas ainda na ativa e ainda polêmica, lançava a música “Arrombou a festa II”. Era uma sátira escrachada ao momento atual da MPB da época, com Sidney Magal cantando Sandra Rosa Madalena, Lady Zu na onda discoteca e Sergio Malandro enchendo nossos ouvidos com “Bilú Tetéia” e “Farofa-fa”. Quem ouviu se lembra bem. Quem não ouviu, não perdeu nada.
Pois é, Rita… Ainda bem que você ainda está no pedaço para ver que o que parecia não poder piorar, piorou. E muito.
Se na época os grandes sucessos do rádio e do programa Silvio Santos eram criticados por sua excessiva ingenuidade e falta de conteúdo, a música brasileira de hoje quase que virou sinônimo de bebedeira, sexo pelo sexo e refrões popularescos. Conforme alguns críticos e produtores musicais: é música “prá fazer neném”. Fazem a alegria de rodeios , puteiros e bailões.
O Brasil já teve vários modismos musicais dada a sua maravilhosa afinidade com os ritmos das mais variadas tendências. Merengue, disco, lambada, brega e pagode tiveram sua época onde nada mais parecia existir. Mas passaram. A pedra da vez é o tal de sertanejo universitário que, para muita gente, ainda está no ensino fundamental tal é a mesmice das letras e arranjos. Elas falam de sexo, cama, paixão, balada, sexo, coração, sofrer, sexo, beber, chorar e por último, sexo. Nada contra, é claro. Sexo é primordial em uma relação saudável, renova os sentimentos e até a pele. Sem falar no ego e na alma. Aprofunda as sensações entre seres que se amam ou que simplesmente se atraem. Não vamos discutir aqui aquela história se sexo tem que ter amor ou não. Fica a critério de cada um. Sexo bem feito é muito bom e fim de papo. Não vem ao caso em que nível isso acontece.
Beber? Quem não gosta de uma cervejinha gelada, um vinho ou uma branquinha de vez em quando. Até eu que sou mais bobo.
Mas as letras induzem não a um relacionamento progressivo, onde cada fase tem seus encantos, segredos, e conquistas mas sim a algo superficial e sem conteúdo. Tipo assim: “foi bom prá você também? Legal… a propósito, qual é mesmo o seu nome?” Você não precisa nem saber o nome do cara ou da gatinha e pode já estar na cama com ela. Aliás, no funk as mulheres agora são chamadas até de cachorras. E a maioria gosta…
Aí alguém pode dizer que o importante é chegar logo no tchu e no tchá. Então tá. Só lembro a essa galera que existe uma grande diferença entre fazer amor e transar. Os animais transam, nós fazemos amor. Ou deveríamos fazer. E quem não sabe a diferença não sabe o que está perdendo.
Que não pensem que não gosto de música sertaneja. Não é minha preferida, mas não tem como não gostar de Paula Fernandes (ela diz que não é só sertaneja), Victor & Léo, Daniel e mais um ou outro. Sem falar na verdadeira música sertaneja, aquela que fala do pôr do sol no sertão, do cheiro da mata e do canto dos pássaros no amanhecer. Mas a enorme maioria “comete” as mesmas canções começando na balada, passando pela cerveja e terminando com a fila anda. Tudo embalado por lê, lê, lê e outras baboseiras mais. Ouviu uma? Ouviu todas!
Falo de conteúdo, de músicas que o tempo não apaga. De canções que quando você ouve outra vez parecem que fazem o tempo parar e as sensações voltarem. A música é o sentimento da alma, dizia Bach. E o cara sabia do que estava falando. Como não fechar os olhos e sonhar ouvindo “Detalhes” e “Os botões da blusa” do Roberto, “Deslizes” e “Coração Alado” de Fagner, “Flor de Lis” e “Oceano” de Djavan?
Quer sentir o poder da música? Ouça “A tempestade” de Tchaikowski ou a 5ª Sinfonia de Beethoven. Música clássica? É sim, mas ouça com atenção e depois diga se não se sentiu diferente. O que vale é ter “ouvido” para a música e não “zoreia”.
Tem prá todo mundo: “Fly me to the moon” e “My way” de Sinatra. “Crazy” e “All of you” de Julio Iglesias. No rock, experimente “Stairway to heaven” e “Black Dog” do Led Zeppelin, “With or without you” e “Vertigo” do U2 , “Us and them” e “Money” do Pink Floyd , “It’s only rock and roll” e “Angie” dos Stones e por aí vai.
A lista é interminável: Belchior, Zizi Possi , Maria Rita , Alcione , Jobim , Engenheiros do Havaí , Legião , Rita Lee , Beatles , Bob Dylan , Tony Bennett , Luis Miguel , Martinho da Vila , Ivan Lins , Tim Maia, Almir Satter , Rush , Eduardo Dusek , Capital Inicial , Elis, Raul Seixas, Tonico & Tinoco, ufa…
Todos eles e mais um monte de gente deixaram sua marca na história da música e o tempo não passa para esses talentos. São e continuarão a ser referências de qualidade musical.
Música é arte. E um dos versos do manifesto do Afro Reggae diz: “Salve a arte que nos salva”. A boa música nos faz seres humanos melhores. Não é o que se ouve nos celulares por aí. O funk começou como música de protesto, algo próximo do rock, mas sem o mesmo impacto. Hoje, as letras são pornográficas e violentas. Trilha sonora da tragédia urbana. Uma pena.
Uma de minhas filhas tem 22 anos e quando era criança ouvia Xuxa e a Turma do Balão Mágico. As crianças de hoje repetem refrões cheios de duplos sentidos enquanto rebolam em poses sensuais.
Léo Santana, do grupo de axé Parangolé –aquele do rebolation – disse em entrevista á revista Trip que “o negócio é fazer música para mulher rebolar. É sucesso garantido. Quem quiser ouvir poesia, que vá ouvir Caetano”.
Pois é, Rita … Pode repetir com força seu refrão: “Ai, ai meu Deus, o que foi que aconteceu com a MPB?”
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A HISTÓRIA DO VIOLÃO
Sem sombra de dúvidas uma longa história que começou a ser descoberta há quase dois mil anos antes de cristo. Na antiga Babilônia arqueologistas encontraram placas de barro com figuras seminuas tocando instrumentos musicais, muitos deles similares ao violão atual (1900-1800 a.C). Um exame mais detalhado nos mostra que há diferenças significativas no corpo e no braço.O fundo é chato, portanto sem relação com o alaúde, de fundo côncavo. As cordas são pulsadas pela mão direita, mas o número de cordas não é preciso mas em algumas placas pelo menos duas cordas são visíveis. Indícios de instrumentos similares ao violão foram encontrados em cidades como Assíria, Susa e Luristan.
EGITO: O único instrumento de cordas pulsadas era a HARPA de formato côncavo que depois foi acrescentada de um braço com trastes cuidadosamente marcados e cordas feitas de tripa animal. Pouco tempo depois estas características se combinariam e evoluíram para um instrumento ainda mais próximo do violão.
ROMA: Instrumento totalmente de madeira surge (30 a.C-400 d.C) . O tampo que antes era de couro cru (semelhante ao banjo) agora é de madeira e possui cinco buracos. É importante frisar que nas catacumbas egípcias foram encontradas instrumentos com leves curvas características do violão.
O primeiro instrumento de cordas europeu, de origem medieval data de 300 anos depois de cristo, e possuía um corpo arredondado que se interligava com um braço de comprimento considerável. Este tipo de instrumento foi utilizado por muitos anos e foi o antepassado provavelmente da teorba.
Há também a descrição de outro instrumento datado da Dinastia Carolingian que pode ser de origem tanto alemã como francesa. Este instrumento possuía formato retangular e seu corpo era equivalente ao seu braço.
Em ilustrações pode se observar que na “mão ” do instrumento ( de formato arredondado) se encontravam de quatro e as vezes cinco tarraxas de afinação, com um número de cordas equivalente. Este instrumento manteve seu formato e suas definições até o século quatorze.
Paralelamente á este instrumento, outro começou a se desenvolver. Possuía leves curvas nas laterais do corpo tornando-o mais anatômico e confortável. Descrições deste instrumento foram encontradas em catedrais inglesas, espanholas e francesas datadas do fim do século quatorze. Surgia então a guitarra.
É importante frisar que haviam distinções, como a guitarra Latina e a guitarra Morisca. A guitarra Morisca , como o nome indica, tinha origem Moura, devido a colonização da Espanha e da África do Norte.
Este instrumento possuía um corpo oval e o tampo possuía vários furos ornamentados chamados de Rosetas. Era totalmente remanescente do Alaúde, e dentro deste conceito uma série de outros modelos, com diferentes números de cordas também existiam .
Já a guitarra Latina , tinha as curvas nas laterais do corpo que marcariam o desenho já quase definitivo do instrumento. A guitarra latina ( assim como a Morisca ) gozavam de grande popularidade e gosto na Europa Medieval.
Essa popularidade se devia principalmente a presença dos “Trovadores”, músicos de natureza nômade que com suas performances e constantes viagens enriqueceram a cultura européia e impulsionaram a popularidade e reconhecimento do instrumento.
Até a Idade Média as informações sobre a guitarra eram obtidas de maneira indireta na sua maioria, através de afrescos, pinturas e pequenas anotações da época. A partir do período Barroco, as informações sobre instrumentos em geral e sobre música são muito mais claras e precisas.
Embora não seja bem definida, pois existem segundo musicólogos várias teorias para o sua criação, originalmente apresentam-se duas, citadas por Emílio Pujol na sua conferência de nome “La guitarra y su História” que ocorreu em Paris no dia 9 de Novembro de 1928, onde resolveu que:
A primeira hipótese é de que o violão seria derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de “Fidícula”.
Teria chegado á península Ibérica por volta do século I d.C. com os romanos; este instrumento se assemelhava á “Lira” e, posteriormente foram acontecendo as seguintes transformações: os seus braços dispostos da forma da lira foram se unindo, formando uma caixa de ressonância, a qual foi acrescentado um braço de três cravelhas e três cordas, e a esse braço foram feitas divisões transversais (trastes) para que se pudesse obter de uma mesma corda a ser tocado na posição horizontal, com o que ficam estabelecidas as principais características do violão.
A segunda hipótese é de que o Violão seria derivado do antigo “Alaúde Árabe” que foi levado para a península Ibérica através das invasões muçulmanas, sob o comando de Tariz.
Os mouros islamizados do Maghreb penetraram na Espanha cerca de ( 711 ) e conseguiram vencer o rei visigodo Rodrigo, na batalha de Guadalete. A conquista da península ( 711-718 ), formou um emirado subordinado ao califado de Bagdá.
O Alaúde Árabe que penetrou na península na época das invasões, foi um instrumento que se adaptou perfeitamente á s atividades culturais da época e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da côrte. Acreditava-se que desde o século VIII tanto o instrumento de origem grega como o Alaúde Árabe viveram mutuamente na Espanha.
Isso pode-se comprovar pelas descrições feitas no século XIII, por Afonso, o sábio, rei de Castela e Leão ( 1221-1284 ), que era um trovador e escreveu célebres cantigas através das ilustrações descritas nas cantigas de Santa Maria, que se pode pela primeira vez comprovar que no século XIII existiram dois instrumentos distintos convivendo juntos.
O primeiro era chamado de “Guitarra Moura” e era derivado do Alaúde Árabe. Este instrumento possuía três pares de cordas e era tocado com um plectro (espécie de palheta ); possuía um som ruidoso. O outro era chamado de “Guitarra Latina”, derivado da Khetara Grega.
Ele tinha o formato de oito com incrustações laterais, o fundo era plano e possuía quatro pares de cordas. Era tocado com os dedos e seu som era suave, sendo que o primeiro estava nas mãos de um instrumentista árabe e o segundo, de um instrumentista romano.
Isso mostra claramente as origens bem distintas dos instrumentos, uma árabe e a outra grega; que coexistiram nessa época na Espanha. Observa-se, portanto, como a origem e a evolução do Violão estiveram intimamente ligadas á Espanha e a sua história.
Como este instrumento passou a chamar-se “Violão”? Em outros países de língua não portuguesa o nome do Violão é guitarra, como pode se ver em inglês (Guitar), francês (Guitare), alemão (Gitarre), italiano (Chitarra), espanhol (Guitarra).
Aqui no Brasil especificamente quando se fala em guitarra quer se denominar o instrumento elétrico chamado Guitarra Elétrica. Isso ocorre porque os portugueses possuem um instrumento que se assemelha muito ao Violão e que seria atualmente equivalente á nossa “Viola Caipira”.
A Viola portuguesa possui as mesmas formas e características do Violão, sendo apenas pouco menor, portanto, quando os portugueses se depararam com a guitarra (Espanhol), que era igual a sua viola sendo apenas maior, colocaram o nome do instrumento no aumentativo, ou seja, Viola para Violão.
O VIOLÃO NO BRASIL
A VIOLA, instrumento de dez cordas ou 5 cordas duplas, precursor do violão e popularíssima em Portugal, foi introduzida no Brasil pelos jesuítas portugueses, que a utilizavam na catequese. Já no século XVII, referências são feitas á viola em São Paulo, uma delas colhida por Mário de Andrade: “Em 1688 surge uma certa viola avaliada em dois mil réis, preço enorme para o tempo.
E, caso curioso, esta guitarra pertenceu a um dos mais notáveis bandeirantes do século XVII: Sebastião Paes de Barros.”
Ainda na mesma obra, Mário de Andrade cita Cornélio Pires, para quem a viola é um dos instrumentos que acompanha as danças populares de São Paulo. A confusão entre a viola e violão começa em meados do século XIX, quando a viola é usada com uma afinação própria do violão, isto é, lá, ré, sol, si, mi.
A confusão no uso do termo viola/violão, continua nessa época como atesta Manuel Antônio de Almeida, autor da Memórias de um Sargento de Milícias (1854-55), quando se refere muitas vezes com terminologia da época do final da colônia, á viola em vez de violão ou guitarra sempre que trata de designar o instrumento urbano com o qual se acompanhava as modinhas.
A viola, hoje, tornou-se a viola-caipira, instrumento típico do interior do país, e o violão, depois de ter sua forma atual estabelecida no final do século XIX, tornou-se um instrumento essencialmente urbano no Brasil. O violão também tornou-se o instrumento favorito para o acompanhamento da voz, como no caso das modinhas, e, na música instrumental, juntamente com a flauta e o cavaquinho, formou a base do conjunto do choro.
Por ser usado basicamente na música popular e pelo povo, o violão adquiriu má fama, instrumento de boêmios, presente entre seresteiros, chorões, tornandos-se sinônimo de vagabundagem. Assim o violão foi considerado durante anos. Os primeiros a cultivar o instrumento de uma maneira séria foram considerados verdadeiros heróis.
O engenheiro Clementino Lisboa foi o primeiro a se apresentar em público tocando violão, especialmente no Clube Mozart, o centro musical da elite carioca fin-de-siècle. Ainda algumas figuras proeminentes da sociedade carioca dedicaram-se ao instrumento na tentativa de reerguê-lo, tal é o caso do desembargador Itabaiana, do escritor Melo Morais e dos professores Ernani Figueiredo e Alfredo Imenes.
Um dos precursores do violão moderno no Brasil foi Joaquim Santos (1873-1935) ou Quincas Laranjeiras, fundador da revista O Violão em 1928, e que nos últimos anos de vida dedicou-se a ensinar o violão pelo método de Tárrega.
Uns anos antes, 1917, Augustin Barrios se apresenta em uma série de recitais no Rio de Janeiro, tocando o instrumento de uma forma nunca vista/ouvida antes. Segue-se a tournée de Josefina Robledo, que tendo permanecido aqui por algum tempo, estabelece os fundamentos da escola de Tárrega.
Dessa época destaca-se a agora reconhecida obra de João Teixeira Guimarães (1883-1947) ou João Pernambuco, sobre quem Villa-Lobos dizia, a respeito de suas obras: “Bach não teria vergonha de assiná-las como suas.”
Atualmente a obra de João Pernambuco é bem conhecida graças ao trabalho de Turíbio Santos e Henrique Pinto.
Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), o Garoto, foi um dos precursores da bossa-nova. Atualmente as excelentes obras de Garoto ganharam vida nova, graças a Paulo Bellinati, que recuperou, editou e gravou boa parte de sua obra.
Mencionamos o samba-exaltação Lamentos do Morro, os choros Tristezas de um violão, Sinal dos Tempos, Jorge do Fusa e Enigma, e a Debussyana, entre tantas outras. Ainda na linha da música popular destacam-se Américo Jacomino (1916-1977), Nicanor Teixeira, e mais recentemente a figura de Egberto Gismonti com suas obras Central Guitare e Variations pour Guitare (1970), ambas de caráter experimental.
Também Paulo Bellinati realiza excelente trabalho como compositor, obras como Jongo, Um Amor de Valsa e Valsa Brilhante já ganharam notoriedade.
O violão no Brasil passou a se desenvolver, principalmente, em dois grandes centros, Rio e São Paulo, de onde vem a maioria dos grandes violonistas brasileiros, que tiveram ou têm sua formação instrumental com os professores destas cidades.
Em São Paulo, o excepcional trabalho desenvolvido pelo violonista uruguaio Isaías Savio (1900-1977), que teve sua formação violonística com Miguel Llobet, resultou em uma das melhores escolas de violonistas da América do Sul.
Depois de residir na Argentina, Savio radicou-se definitivamente no Brasil, primeiro no Rio, depois em São Paulo. Nesta cidade, onde desenvolveu a maior parte do seu trabalho, fundou a Associação Cultural Violonística Brasileira, e em 1947 tornou-se professor de violão do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, como fundador da cadeira de violão, a primeira do país.
Ainda em 1951, participou da fundação da Associação Cultural de Violão de São Paulo. Além desta intensa atividade, Savio se distinguiu pela composição de mais de 100 obras para o instrumento e cerca de 300 transcrições e revisões.
Hoje em dia suas compilações de estudos ainda são usadas em muitas escolas por todo o país.
Entre os discípulos de Savio que mais se destacaram está Antonio Carlos Barbosa-Lima (1944), que aos 13 anos estreou como concertista e aos 14 gravou seu primeiro LP.
Barbosa-Lima é na atualidade um dos mais conceituados violonistas, tanto em concertos, como na edição, transcrição e comissão de novas obras para o instrumento. Basta dizer que a Sonata op. 47 de Alberto Ginastera foi por ele comissionada e a ele dedicada.
Henrique Pinto, também aluno de Savio, é reconhecidamente um dos mais importantes pedagogos do instrumento na atualidade. Além de desenvolver uma grande atividade como editor e revisor de obras para violão, Henrique é o responsável por uma geração dos melhores violonistas brasileiros. Entre estes estão: Angela Muner, Jácomo Bartoloni, Edelton Gloeden, Ewerton Gloeden e Paulo Porto Alegre.
Ainda de São Paulo devemos citar a Manoel São Marcos e sua filha Maria Lívia São Marcos, radicada na Europa, e Pedro Cameron, também compositor de excelentes obras como Repentes, vencedora do 1º Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para piano ou violão – 1978.
No Rio, destaca-se a figura de Antonio Rebelo (1902-1965), que também foi aluno de Savio quando da residência deste no Rio. Rebelo desenvolveu atividades como docente, impulsionando o violão na cena musical.
Entre seus discípulos estão Jodacil Damasceno, Turíbio Santos, Sérgio e Eduardo Abreu. Jodacil Damasceno (1929), além dos estudos com Rebelo, estudou com Oscar Cáceres.
Turíbio Santos (1943), também estudou com estes dois mestres e com Julian Bream e Andrés Segóvia. Santos foi o primeiro brasileiro a vencer, em 1965, o Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F., em Paris. Fez a primeira gravação integral dos doze Estudos de Villa-Lobos e participou da estréia mundial do Sexteto Místico, também de Villa-Lobos.
Turíbio é um dos maiores divulgadores da obra do grande compositor brasileiro e hoje dirige o Museu Villa-Lobos no Rio.
Os irmãos Abreu, Sérgio (1948) e Eduardo (1949), desenvolveram uma das mais brilhantes carreiras de concertistas internacionais. Ambos estudaram com seu avô Antonio Rebelo e com Adolfina Raitzin de Távora.
Foram premiados, em 1967, no Concurso Internacional de Violão da O.R.T.F.. Realizaram inúmeras gravações na Inglaterra, e se destacaram como um dos melhores duos de violão de todos os tempos.
Atualmente, Sérgio dedica-se á construção de violões. Ainda devemos mencionar outros violonistas cariocas como Léo Soares, Nicolas Barros, Marcelo Kayath, também premiado em Paris, e o brilhante Duo Assad, formado pelos irmãos Sérgio e Odair.
A música brasileira para violão tem se desenvolvido, praticamente, á sombra da excepcional, embora pequena, obra de Villa-Lobos, que continua sendo a mais conhecida nos meios violonísticos nacionais e internacionais. Alguns compositores tentaram reprisar o sucesso dos 12 estudos.
Este é o caso de Francisco Mignone (1897-1986), que com sua série de 12 Estudos (1970), dedicados e gravados por Barbosa-Lima, não obteve o sucesso musical almejado.
Já o mineiro Carlos Alberto Pinto Fonseca (1943), compôs Seven Brazilian Etudes (1972), também dedicados a Barbosa-Lima, nos quais demonstra um nacionalismo e lirismo da mais pura escola nacionalista.
O compositor paulista Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993), uma das figuras mais proeminentes da música brasileira escreveu pouco, mas bem, para violão. O Ponteio (1944), dedicada e estreada por Abel Carlevaro, a Valsa-Choro e os três pequenos Estudos, apresentam-se com uma linguagem mais livre da influência da obra violonística de Villa-Lobos.
Mais original quanto a sua linguagem musical é a obra de Radamés Gnatalli (1906-1988).
A forte ligação de Gnatalli á música popular brasileira é claramente visível em várias de suas obras que misturam a música urbana carioca a uma refinada técnica e musicalidade.
Das suas obras para violão, destacam-se os vários concertos para violão e suíte Retratos para dois violões, Sonata para violoncelo e violão e a Sonatina para violão e cravo, além da inclusão do violão em várias obras para grupo instrumental de caráter regionalista.
Edino Krieger (1928) compôs uma das mais importantes obras para o repertório dos últimos tempos. A Ritmata (1975), dedicada a Turíbio Santos, explora novos efeitos instrumentais e associa uma linguagem atonal a procedimentos técnicos utilizados por Villa-Lobos.
A obra de Almeida Prado (1943) Livro para seis cordas (1974) apresenta uma concepção musical originalíssima livre de qualquer influência violonística tradicional e que delineia bem o estilo deste compositor; esta obra ainda apresenta certas semelhanças com as Cartas Celestes (1974) para piano quanto á sua concepção sonora.
Marlos Nobre (1939) tem na série Momentos a sua obra mais importante para violão. Escrita a pedido de Turíbio Santos e projetada para 12 números, os primeiros quatro foram escritos entre 1974 e 1982.
Ainda de Nobre destaca-se a Homenagem a Villa-Lobos e Prólogo e Toccata op. 65. Para dois violões, Marlos Nobre recriou 3 Ciclos Nordestinos dos originais para piano, ótimas obras miniaturas que utilizam motivos do folclore nordestino.
Ricardo Tacuchian (1939) escreveu Lúdica I (1981), dedicada a Turíbio Santos, em que apresenta uma linguagem contemporânea com toques de nacionalismo e efeitos sonoros os mais diversos.
A sua Lúdica II (1984), escrita em homenagem a Hans J. Koellreutter, é uma obra mais tradicional quanto á sua concepção sonora. Jorge Antunes (1942) escreveu Sighs (1976), na qual o autos requer uma afinação especial para o segundo movimento, uma invenção em torno da nota si.
Lina Pires de Campos escreveu o excelente Ponteio e Toccatina (1978), obra premiada no 1º Concurso Brasileiro de Composição de Música Erudita para Piano ou Violão – 1978.
Deste mesmo evento surgiram novas obras, como o já mencionado repentes de Pedro Cameron, a Suíte Quadrada de Nestor de Holanda Cavalcanti e o ótima Verdades de Márcio Cortes.
Ainda cabe aqui mencionar a obra do boliviano, radicado e ligado a Curitiba e ao Brasil durante anos, Jaime Zenamon (1953), dono de uma excelente e prolífica produção para o instrumento que tem sido extremamente bem aceita nos meios violonísticos internacionais.
Entre suas obras destacam-se Reflexões 7, Demian, The Black Widow, Iguaçu para violão e orquestra, Reflexões 6 para violoncelo e violão, e a Sonatina Andina para dois violões.
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A TV ANTIEDUCATIVA
por Valdemar Setzer
Introdução
As forças que estão por trás da tecnologia são infinitamente inteligentes, mas não tem um pingo de bom senso. Com isso, sempre exageram, e pessoas que antes não percebiam os problemas que ela produz passam a notá-los. Esse é o caso da TV. Nas décadas de 1960 e 70, quando meus filhos eram crianças ou adolescentes, eu e minha esposa éramos considerados “bichos papões”, devido à nossa posição contra esse aparelho, principalmente quanto ao mal que ele causa em crianças e adolescentes. (mais…)
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A CRIANÇA DESCOBRINDO SEU CORPO
A criança se expressa e sente através de seu corpo. Por isso, é importante que ela conheça, explore e vivencie seu corpo. Esta aprendizagem não deve centrar-se unicamente nas partes externas e visíveis, mas também naquelas que a criança não vê, mas sente, e que geram nela um grande interesse e uma grande curiosidade.A experiência da criança com seu corpo.
O corpo da criança é o veículo que lhe transmite todas as sensações durante os seus primeiros meses de vida. Ela reage com ele às experiências agradáveis e também às desagradáveis. Ele é o seu primeiro terreno de reconhecimento: ao chupar os dedos, ela toma contato com as mãos. Além disso, é também a primeira barreira de contato com o exterior. A partir do primeiro ano, seus tropeços freqüentes são uma indicação de suas limitações, mas também de suas possibilidades.
No seu segundo ano de vida, a criança aproveita a possibilidade de controlar seu corpo: caminha com mais segurança e começa a controlar seus esfíncteres. Mas sua curiosidade é dirigida principalmente às partes genitais, acima de tudo para confirmar se há ou não diferenças entre ele e os outros que o rodeiam. Esta revelação provoca um golpe duro em seu egocentrismo: ela descobre que não é a única. Ela valoriza seu corpo e necessita que os outros também o valorizem. Ao descobrir sua pequenez perante os adultos, a criança precisa se afirmar, e o faz incessantemente: quando se machuca, apela para o consolo dos mais velhos; quando se corta, teme que tenha havido alguma alteração em seu corpo e pede, por essa razão, cuidados e atenção.
A sua percepção do corpo varia com freqüência. Basta comprovar como evoluem os seus desenhos sobre a figura humana. A princípio, era um simples círculo, que depois se parece com um girino, para logo transformar-se em uma cabeça na qual insere duas ou quatro extremidades. Mais adiante, o desenho vai se completando com olhos, orelhas, boca, nariz. Aos cinco ou seis anos, já pode desenhar uma figura humana com as proporções adequadas.A imagem corporal
Para qualquer indivíduo em processo de formação da própria concepção, a construção da imagem corporal é um elemento indispensável. Ela é conseqüência da experiência subjetiva da percepção do (remove “seu”) próprio corpo e dos sentimentos a respeito dele. Além disso, a impressão que uma pessoa tem de si mesma se configura a partir das relações que ela tem com os outros indivíduos.
A construção da imagem corporal começa desde os primeiros dias da nossa vida. Não é nem homogênea, nem constante. Em um primeiro momento, compreendemos como os segmentos que constituem o corpo se relacionam para formar uma figura. Posteriormente, conseguimos pensar no corpo como uma estrutura em conjunto.
A imagem corporal que cada pessoa tem de si mesma depende de sua auto-estima e segurança, bem como de sua forma de se relacionar com o mundo material e com os outros indivíduos. Daí, a importância de prestar atenção e estimular adequadamente este processo de construção, desde os primeiros dias de vida de nossos filhos.As partes externas do corpo
Um dos primeiros passos para construir a imagem corporal é perceber o corpo e representá-lo mentalmente. Para isso, além de estimular a criança para que se olhe no espelho e descubra sua imagem e as partes que a compõem, é apropriado que ela também a descubra através dos sentidos. Desde pequenos, podemos convidar nossos filhos a mostrar e dizer o nome das diferentes partes do corpo, e tentar provocar sensações distintas nessas parte. Como por exemplo, descobrir as zonas mais sensíveis às cócegas, qual a sensação nas plantas dos pés ao caminhar sobre superfícies diferentes, o som dos dentes ao abrirmos e fecharmos os maxilares, ou o perfume que fica nas mãos depois de se tocar uma flor.
Também é importante que nossos filhos aprendam a função das diversas partes de seu corpo. Podemos pedir-lhe, por exemplo, que descreva as coisas que fazemos com as mãos -acenar, acariciar, aplaudir, segurar objetos, desenhar -ou que experimente as distintas formas de ficar parado -com os pés juntos, separados, um à frente e outro atrás -e de caminhar -nos calcanhares, nas pontas dos pés, aos saltos, para frente, para atrás, para a direita ou para a esquerda.
Uma vez que tenha descoberto os variados segmentos corporais e a função de cada um, torna-se imprescindível avançar com o sentido de percepção da integração de cada um destes elementos em relação aos outros. Isto vai ajudar a compreender o corpo como um todo e não como uma mera soma de partes. Por exemplo, quando caminhamos, utilizamos principalmente os pés e as pernas, mas o tronco também tem uma função indispensável, porque nos ajuda a permanecer erguidos. Já os braços acompanham balançando ligeiramente para manter o equilíbrio, e a cabeça nos permite fixar a direção para onde estamos nos dirigimos.As partes internas do corpo
A partir dos três ou quatro anos, a criança começa a perguntar sobre as coisas que ocorrem dentro do corpo. A sua imaginação sobre o assunto é muito variada, e a função dos pais, longe de dar lições de anatomia, é inspirar tranquilidade com o tipo de informação que seja compreensível para ela. As comparações são excelentes aliadas nesta tarefa. Por exemplo, quando lhe falamos do aparelho digestivo, podemos compará-lo com o liquidificador que utilizamos na cozinha. Os alimentos entram por um orifício (a boca), descendo por um tubo (o esôfago) e chegam a um recipiente onde são convertidos em uma papa (o estômago).
Essa papa é novamente conduzida por um tubo (o intestino delgado), tudo o que dá energia para o corpo passa para o sangue e o que não é útil para a saúde vai para outro tubo (o intestino grosso), convertendo-se em matéria fecal, que o corpo expele quando vamos ao banheiro. As representações gráficas ou reproduções em relevo do corpo humano são também um bom recurso para explicar a uma criança o que se passa em seu interior. De qualquer maneira, não podemos esquecer que, além de ver órgãos e aparelhos em um desenho, é importante que ela possa tocá-los, tirar e recolocá-los em seu lugar. Para os menores, é muito difícil transformar o que vêem numa imagem plana em realidade. Por isso, é uma boa estratégia utilizar reproduções tridimensionais do interior do corpo, que podem ser desde bonecos que se abrem e permitem ver a visualização e manipulação de seu interior, até jogos didáticos daqueles em que se pode extrair com pinças os vários órgãos, ou reproduzir diversos processos, como a circulação e a digestão.O corpo como instrumento de expressão e comunicação
Algo muito importante para transmitir aos filhos é o fato de que o corpo, composto por matéria, possui uma estreita relação com aquilo que sentimos e pensamos. Esta integração realça a possibilidade que o nosso corpo nos dá de exprimir o que sentimos e de nos comunicarmos com os outros. Um bom exercício para acelerar esta percepção em crianças menores é o jogo de fazer expressões diferentes: de medo, de alegria, de tristeza, de surpresa ou de preocupação.
Com os mais velhos, podemos jogar de descrever expressões que comunicam sentimentos mais complexos: quando temos vergonha de algo, mordemos o lábio inferior e inclinamos a cabeça ligeiramente para o lado; se algo não está bem, torcemos a boca e movemos a mão direita para um lado e para o outro; se alguma coisa nos parece gostosa, passamos a língua nos lábios de um lado para o outro; se queremos dizer que vamos dormir, colocamos as mãos juntas como uma almofada sob a cabeça. -

ENTULHO ELETRÔNICO
O Drama do entulho eletrônicoA obsolescência programada, que faz tudo ficar velho antes da hora, é o alimento para um dos grandes problemas ambientais de nosso tempo. Nos movimentados portos de Karachi, no Paquistão -o homônimo Karachi e Qasim-, cargueiros provenientes de Dubai transportam contêineres com peças velhas e quebradas de computadores.
O lixo eletrônico recolhido vem dos Estados Unidos, Japão, Austrália, Inglaterra, Kuwait, Arábia Saudita, Singapura e Emirados Árabes.
Esse material (carcaças de discos rígidos, monitores, impressoras ou mesmo aparelhos inteiros) é reciclado no bairro de Sher Shah, onde se separa o joio do trigo. Ali, mais de 20 000 pessoas vivem da reciclagem, que é feita sem cuidados com o meio ambiente ou com a saúde. Sher Shah tem o mais alto índice de casos de câncer de pulmão e de problemas respiratórios do país, por causa da inalação de gases tóxicos, emitidos durante o processo de separação das peças. “O quilo de metal extraído na reciclagem do lixo eletrônico é comercializado a 120 rupias, ou 1,40 dólar”, diz Madhumita Dutta, da organização Toxics Link India. Em Gana, na África, o quadro é semelhante.
O subúrbio de Agbogbloshie, da capital do país, Acra, é talvez o maior aterro eletrônico do mundo. É chamado pelos moradores de “Sodoma e Gomorra”. No local, gangues fazem pente-fino em drives de computadores, laptops, palmtops, tablets e smartphones provenientes dos Estados Unidos e da Europa, em busca não só de material a ser vendido, mas também de informações sigilosas dos antigos proprietários. Os dados, que permanecem em geral intactos no computador, mesmo obsoleto, são usados depois em golpes pela internet. “O lixo eletrônico é um dos problemas de mais rápido crescimento no mundo”, disse a VEJA a consultora Leslie Byster, da ONG International Campaign for Responsible Technology (Campanha Internacional pela Tecnologia Responsável).
O MAPA-MÚNDI DO FERRO VELHO, as idas e vindas do chamado e-lixo (em toneladas por ano).
Apesar de a Convenção de Basileia, na Suíça, em 1989, ter proibido o movimento entre fronteiras de resíduos perigosos (entre os quais as sobras eletrônicas), a legislação e notoriamente driblada pelos exportadores de traquitanas com chip, que etiquetam a carga como doação de equipamentos usados. O relatório ambiental de 2010 da ONU sobre lixo tecnológico calcula que são produzidos anualmente 50 milhões de toneladas. O relatório também prevê que o volume de dejetos procedentes de computadores abandonados crescera 500% em países como Índia, China e África do Sul ate 2020. O Brasil, o México e o Senegal são, entre as nações em desenvolvimento, os campeões mundiais de lixo per capita, com 0,5 quilo anual produzido por habitante.
O quadro brasileiro pode ser ainda mais grave. Segundo a professora Wanda Gunther, da Faculdade de Saúde Pública da USP, faltam dados e estudos nacionais amplos sobre o problema. mas o crescimento econômico fará aumentar a podridão eletrônica, em um caminho natural — e saudável, até que provoque sujeira — do capitalismo. As pessoas tendem a trocar seus produtos, passando a frente os já velhos e ultrapassados. Querem o novo, e o destino final do que já não presta, ou não tem interessados na cadeia econômica, e o descarte.
Simples assim. O nome do jogo, nesse caminho, e obsolescência programada, recurso de administração desenvolvido nos anos 20 pelo americano Alfred Sloan, então presidente da General Motors. Sloan criou um mecanismo, hoje tão natural que parece ter existido desde tempos imemoriais, de modo a atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Bill Gates, fundador da Microsoft, usou a estratégia nas atualizações do Windows, o onipresente programa de computador. Mais recentemente, a obsolescência programada virou regra nos produtos da Apple. O iPad foi lançado em janeiro de 2010. em marco de 2011, surgiu o iPad 2. Há rumores de que já em fevereiro de 2012 seja anunciada a versão 3. Não tardará que cheguem aos lixões do Paquistão e também aos da África, rejeitados. No início dos anos 90, a vida media de equipamentos eletrônicos nos estados Unidos era de quatro anos, num casamento entre a qualidade do material usado para o hardware e a espantosa velocidade de desenvolvimento dos softwares.Hoje, a vida media é de um ano e meio. Segundo Neil maycroft, professor da Lincoln School of Art & design, da Inglaterra, a curta existência dos aparelhos e resultado de dois fatores. “de um lado, os produtos são feitos para durar pouco. De outro, ha a obsolescência estilística”, diz. “Somos regidos pela cultura de trocar a cada ano de modelo — de computador, de tablita, de celular — quando o antigo ainda funcionava muito bem”, diz maycroft. Trata-se de uma das características mais evidentes de nosso tempo, o efêmero a impor hábitos. Não e postura necessariamente danosa, e sim produto da agilidade da tecnologia ancorada nos espetaculares avanços dos microprocessadores associados a internet. Segundo o instituto de pesquisa Gartner, 364 milhões de PCs e 468 milhões de celulares e smartphones serão vendidos globalmente ate o fim deste ano. E um mar de equipamentos que presumivelmente engrossara as estatísticas do lixo tecnológico ate 2014. O nó eletrônico parece um nó górdio — impossível de desatar. “E necessária uma legislação internacional mais rigorosa sobre o problema”, diz Leslie byster.
Porém, como salienta o especialista em sustentabilidade britânico James Clark, da Universidade de York, não haverá solução sem a conscientização das vantagens econômicas envolvidas na reciclagem do lixo eletrônico. “o Japão, graças a um programa benfeito de reaproveitamento de equipamentos, hoje acumula três vezes mais ouro, prata e o metal índio (usado na fabricação de telas de cristal líquido e painéis solares) do que o mundo usa anualmente”, diz Clark. Iniciativas como a japonesa, na contramão da deposição pura e simples, numa selva de malversações e contrabando, alimentam um negócio interessante, e de futuro, desde que organizado e com regras claras. O mercado de reciclagem do lixo eletrônico crescerá dos 5,7 bilhões de dólares atuais para 15 bilhões de dólares até 2014. Há solução para o drama do lixo eletrônico, e ela é limpa.
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SEU CORPO ENVIA SINAIS
Você já ouviu falar em somatização? Doenças psicossomáticas ?Pois é, nosso corpo assimila aquilo que pensamos ou sentimos.
Já existem diversas doenças catalogadas como psicossomáticas, como o Lúpus e a doença de Crohn. Além destas, diversas doenças podem se manifestar dependendo da intensidade e polaridade de nossos sentimentos e pensamentos.
A dor de garganta aparece quando não é possível comunicar as aflições e frustrações. Não engula desaforos, mágoas, reclamações. Saiba ter voz, seja uma pessoa assertiva, não precisa brigar!
Aprenda a se comunicar e expressar seus pensamentos de maneira clara e objetiva, sem perder a paciência. Se você viver guardando seus sentimentos e pensamentos, uma hora, uma das duas coisas ocorre: pode ocorrer um problema sério na região da boca e garganta (saúde) ou você estoura e diz de uma vez só, tudo o que pensa, com raiva e ressentimentos e acaba magoando todos ao redor. Procure não acumular fatos. Assim que ocorrer algo que te desagrade, você pode chamar a pessoa que o magoou e dizer: eu admiro esta característica sua. Comece sempre com algo positivo daquela pessoa. E quando for “reclamar”, reclame de um fato, de uma atitude, não da pessoa. Diga: Não gostei quando você fez isso, pois me senti assim… Um bom líder sabe se comunicar. Elogia pessoas em público e crítica fatos em particular.
O resfriado escorre quando o corpo não chora. Chorar alivia, então chore sempre que sentir vontade. No passado, a pior crença repassada por nossos antepassados era: homem de verdade não chora. Então muitos homens guardaram tão profundamente suas dores e sofrimentos que acabaram cedo com sua saúde e morreram antes do tempo. Precisamos tirar um momento para rir, chorar, brincar, viajar, fazer exercícios físicos, dançar, curtir a vida. Equilíbrio! E lembre-se: chorar de vez em quando, é natural, faz bem e só mostra que você tem sensibilidade e não tem medo de mostrar suas emoções.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair, quando algo acontece e você não aceita, não consegue digerir o fato. Ache uma válvula de escape, grite, dê soco no travesseiro, escreva tudo num papel e queime, pratique um esporte, lute boxe, ache uma maneira de extravasar as emoções, faça terapia. E se possível, elimine as pessoas “nocivas” na sua vida.
O diabetes invade quando a solidão dói. Mas estar sozinho é sempre uma escolha, então se abra para o mundo. Não espere receber amor primeiro, aprenda a dar e receberá de volta. Se todos pararem e esperarem o outro dar o primeiro passo, não haverá mais amor no mundo.
O corpo engorda quando a insatisfação com o mundo aperta. Aprenda a aceitar as coisas como elas são. Não seja exigente demais com você, nem com o mundo. Relaxe! Deixe a ansiedade desaparecer… O mundo é perfeito exatamente como é. E se sua frustração refere-se a resultados obtidos, saiba que você pode estar bem mais próximo(a) dos seus sonhos do que imagina. Tenha paciência, nada é impossível e o amanhã pode ser bem melhor, dê mais uma chance para você e seus sonhos. Antes de comer algo, pergunte-se: estou com fome de que? Se não for uma fome física e sim algo emocional/espiritual, não tente resolver com a comida. Coma o que desejar, mas apenas quando estiver com fome e esteja presente quando mastigar – foque no agora. Ao invés de engolir desesperadamente na frente da TV, sem sentir o gosto da comida, saboreie cada mordida, sinta o sabor, cheire, feche os olhos, sinta a textura dos alimentos na sua boca e tenha gratidão a ele. Se você conseguir fazer isso, seu metabolismo funcionará perfeitamente e tudo que não for necessário, seu corpo expelirá.
A dor de cabeça aparece quando as duvidas aumentam e aparecem as críticas. Surge um desconforto como se você estivesse vivendo um problema sem saída. Relaxe, ore, medite, converse com alguém, peça ajuda! Confie mais em você e na vida. Acalme-se, tenha mais fé, creia mais em você e em Deus. Como dizem os orientais: se um problema tem saída, resolva! E se não tem, por que se preocupar tanto? Neste caso, aceite-o!
Problemas na coluna indicam que você tem a sensação de que há pessoas ao seu redor que dependem de você. É como se você não quisesse, mas sente que tem que carregar o mundo nas costas, pois acha que os outros são incapazes de resolver seus problemas sem a sua ajuda. Isso não é verdade! Todo mundo tem a capacidade para resolver as coisas. É você quem acha isso, então liberte-se desta crença. Acredite mais nos outros. Cada um tem o direito de viver a vida como deseja, não queira impor seu modo de viver a outros. Aceite as diferenças, afinal você também quer ser aceito(a) exatamente como é, não é mesmo?
O coração pára quando o sentido da vida parece terminar. Mantenha seu coração sadio, procure pontos negativos em fatos passados e atuais. Dê mais sentido aos fatos. Você já reparou que tudo tem seu lado positivo? Basta saber procurar… E sempre tenha planos ousados e divertidos para o futuro, isso o manterá vivo e “motivado”, com o coração leve e saudável.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. Ninguém consegue manifestar perfeição, pois é impossível até mesmo defini-la. Quem poderia citar o que seria mundialmente considerado perfeito? Aceite-se e aceite o mundo exatamente como ele é. Pare de querer controlar tudo. São as diferenças e as pequenas imperfeições que fazem do mundo um lugar tão maravilhoso… Isso vale para seu corpo também. Aceite-se exatamente como é, seu corpo é o templo da sua alma. Se existir algo que queira mudar em seu corpo, faça; mas não deixe que sua felicidade e amor próprio dependam disso. Se você está num relacionamento e seu parceiro(a) não está satisfeito com seu corpo, mude de parceiro. Afinal, você é muito mais maravilhoso e especial do que seu corpo físico. Você é a auto-manifestação de Deus na terra. E pode ter certeza: existem muitas pessoas que gostariam de estar com você! Para você ser completamente amado e aceito por alguém, comece se aceitando e se amando e isso ocorrerá naturalmente.
As unhas quebram, os cabelos e a pele perdem a força e o brilho quando as defesas ficam ameaçadas. E isso acontece quando você está se sentindo deprimido, sem vontade de seguir além… Se estiver com depressão, procure os amigos, familares e/ou ajuda médica. Deseje melhorar, leia bons livros, assista a programas divertidos, instrutivos e/ou inspiradores, tenha um tempo só pra você, faça coisas de que gostaria em frente ao espelho, divirta-se! Insira mais diversão na sua vida, isso só depende de você!
O peito aperta quando o orgulho escraviza. Você não é vítima do mundo. Ninguém é, a menos que se coloque nesta posição. Para todo ditador, existe um ou vários submissos. Não tenha pena de você, pelo contrário, orgulhe-se de ser a pessoa que é. Encontre características positivas suas. Se estiver difícil, pergunte a amigos e familiares, pode ter certeza de que você ficará muito feliz com o feedback deles. E escreva num caderno para se lembrar e comece a fazer as suas anotações positivas sobre você, as pessoas e fatos ao redor.
A pessoa enfarta quando sente a ingratidão e estresse. Procure não exigir tanto das pessoas. Quando fizer algo pequeno, médio ou grande por alguém, não espere algo em troca. A pessoa pode não retribuir da maneira que você deseja e você envenena seu coração com raiva e sentimento de frustração e ingratidão. Na maioria das vezes a pessoa nem imaginava o quanto isso era importante pra você, é a sua visão que coloca este peso. Não deixe que suas exigências de como os outros devem se comportar atrapalhe a sua saúde e felicidade. Você pode ter feito coisas que magoaram muitas pessoas e você nem imagina. Perdoe SEMPRE! E perdoe-se!
A pressão sobe quando o medo aprisiona. Mas medo de que? Muitas vezes o medo é irracional. A menos que você esteja realmente numa situação perigosa (perdido em alto mar, sem socorro á vista, seu avião caiu no meio da Amazônia e você está perdido, sozinho e machucado, etc…) a menos que a adrenalina gerada seja algo que pode te ajudar a reagir corretamente numa situação de emergência, acalme-se! Faça a pergunta: E se este fato que eu receio realmente venha a ocorrer, qual é a pior coisa que poderia me acontecer? Faça as pazes com todas as possibilidades. Se você não tem controle sobre algum fato, solte-o! Entregue a Deus, ore, medite, relaxe… E entregue ao universo. Cuidado com os 15 minutos antes de dormir, não tenha medo do amanhã, confie de que tudo ocorrerá da melhor maneira, entregue o problema a Deus e durma bem. Muitas vezes ao acordar, o problema terá diminuído ou até desaparecido, pois muitos dos nossos medos são irreais.
As neuroses paralisam quando a”criança interna” tiraniza. Quando você repetidamente não consegue realizar sonhos e projetos importantes, acaba se frustrando, sente que não tem controle ou que o mundo está contra você. Neste momento, tudo parece ser um empecilho, você vê um mundo perigoso e injusto e se sente como uma criança sozinha e desamparada, despreparada para lidar com as situações. Mas você não é mais uma criança, é um adulto e tem força e capacidade para resolver e realizar qualquer coisa que deseja, procure ajuda, mude e seja feliz! Muitas pessoas procuram remédios físicos quando na verdade precisam mudar suas atitudes, pensamentos e sentimentos.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade. Se sua temperatura subiu, você está se sentindo sem forças para lidar com as situações. Não se compare com outras pessoas, não pense que só você tem problemas ou que existem pessoas sortudas e pra você, nada dá certo. Isso não é verdade! Todos temos problemas, o que muda é como os encaramos e resolvemos. Você é capaz de resolver qualquer situação. Dê uma chance para você e seus sonhos grandiosos… Não seja tão exigente, deixe que tudo ocorrerá no tempo de Deus. Equilibre seu organismo, equilibrando suas emoções.
O câncer se instala quando a pessoa guardou mágoas e rancores por toda uma vida. É como se aqueles sentimentos estivessem comendo a pessoa de dentro pra fora. É por isso que não adianta curar apenas com remédios, é preciso aprender a perdoar as pessoas, principalmente a si mesmo e seguir em frente, vivendo no presente, com planos concretos para o futuro. Perdoar é um processo, pode levar tempo, mas nada é tão belo e transformador do que o perdão, ele liberta a alma, a pessoa se renova e se cura.
Para todos os casos acima, 15-20 minutos de oração/meditação
ou uma respiração profunda e lenta ao acordar podem fazer “milagres”…
Experimente começar o dia em paz e harmonia,
seu corpo agradece e você verá o resultado na sua vida em geral.
Tente, é de graça e pode salvar a sua vida!
Palavras CHAVE para o BEM VIVER:
Amor – Humildade – Paz – Tolerância
Confiança – e Luz, MUITA LUZ !!!